2009-03-12

Subject: Homem de Pequim é mais velho do que se pensava

 

Homem de Pequim é mais velho do que se pensava

 

 

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Os investigadores remexeram as areias do tempo para mostrar que o Homo erectus viveu no mais famoso local antropológico da China há pelo menos 250 mil anos antes do que antes se pensava.

A nova data significa que este ancestral humano, a primeira linhagem a migrar para fora de África, prosperou num clima mais frio mais antigo e o seu desenvolvimento físico na China acompanhou o de África, onde a espécie evoluiu em primeiro local.

Descobertas em 1918, as cavernas Zhoukoudian perto de Pequim têm fornecido surpresas durante quase um século. Estratos no sistema de cavernas sobranceiro a um vale fluvial produziram perto de 17 mil artefactos de pedra e o fósseis de 50 H. erectus, incluindo seis crânios. A espécie tinha um torso característico em forma de barril e atingia entre 145 e 180 centímetros de altura, andando vertical de forma semelhante à dos humanos modernos Homo sapiens.

Agora, trabalho de uma equipa de cientistas baseados na China e nos Estados Unidos revela que os fósseis da caverna Zhoukoudian têm cerca de 770 mil anos, muito mais antigos do que as estimativas anteriores de 230 a 500 mil anos.

As novas datas baseiam-se nos efeitos dos raios cósmicos nos isótopos de berílio e alumínio em minúsculos grãos de quartzo, que os investigadores chineses seleccionaram meticulosamente de areia sedimentar ao longo de semanas de trabalho. O método dos isótopos também foi aplicado com sucesso a três ferramentas de quartzo.

"Trata-se de um catalisador para uma nova era de redatações", diz o paleoantropólogo Russell Ciochon, da Universidade do Iowa em Iowa City, que não fez parte deste estudo.

A técnica do alumínio/berílio oferece novas oportunidades para a redatação de outras localizações paleoantropológicas, particularmente na China onde a idade dos locais é difícil de determinar devido à falta de cinzas vulcânicas mais facilmente datáveis. O método funciona para amostras com idades até 3 milhões de anos.

Guanjun Shen, da Universidade de Nanjing Normal, um dos autores do nov estudo, diz que este tipo de estudo já está em curso. "Estamos a recolher amostras de locais arqueológicos de hominídeos do Pleistocénico na China, especialmente em Xiaochangliang e Majuangou na bacia Nihewan da província de Hebei." Esta zona é a noroeste de Pequim, a região onde os primeiros H. erectus viveram.

 

Para assegurar as novas datas, Shen colaborou com o co-autor Darryl Granger, da Universidade Purdue em West Lafayette, Indiana.

Primeiro, a equipa teve que seleccionar cristais de quartzo brancos e límpidos enterrados com os fósseis, não os cinzentos que podiam ter sido arrastados anteriormente. Isso significou o exame tedioso grão a grão do sedimento, um estudante a trabalhar oitos horas apenas conseguiu isolar duas gramas de quartzo, diz Shen.

Dado que são necessárias 60 a 100 gramas para cada teste, diz Shen: "Tive que mobilizar os meus estudantes para trabalhar durante semanas, um trabalho que o meu colaborador americano teve dificuldade em conceber."

O método de datação baseia-se no decaimento radioactivo dos isótopos 26Al e 10Be. Enquanto estão na superfície da Terra, os dois isótopos no quartzo são produzidos a uma taxa conhecida através da exposição aos raios cósmicos. Quando o sedimento enterra o quartzo, a geração de novos isótopos praticamente pára. Os investigadores dataram os fósseis ao determinar o conteúdo isotópico do quartzo e fazendo as contas para trás para determinar a razão dos dois isótopos quando o quartzo foi enterrado.

Datas mais precisas irão preencher os espaços acerca das migrações do H. erectus para o norte da China e para Java, na Indonésia, que ocorreram há pelo menos 1,6 milhões de anos. O H. erectus evoluíram há cerca de 2 milhões de anos na África equatorial, sobrevivendo provavelmente até há 50 mil anos na Indonésia.

Alguns antropólogos defendem que podem ter ocorrido duas migrações de H. erectus: a primeira ao longo da costa do sudeste asiático até Java, e a outra através da Geórgia através do norte da China.

Mas Philip Rightmire, paleoantropólogo da Universidade de Harvard, não está convencido. "Não quero especular sobre as rotas de migração até que surjam mais evidências", diz ele, como um local de fósseis no Paquistão. Mas ele considera que as novas datas mostram realmente que o H. erectus de Zhoukoudian se desenvolveu fisicamente da mesma forma que os fósseis africanos da mesma espécie, descobertos em Tighenif (antes conhecido por Ternifine) na Algéria.

 

 

Saber mais:

Russell Ciochon

Philip Rightmire

 

 

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