2009-03-08

Subject: Não há provas da teoria da praga assassina de abelhas

 

Não há provas da teoria da praga assassina de abelhas

 

 

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Os cientistas dizem que não há provas de que uma misteriosa doença a quem é atribuída a morte de biliões de abelhas exista na realidade.

Desde há cinco anos que cada vez mais mortes inexplicadas de abelhas têm sido relatadas por todo o mundo, com o golpe maior a ser sofrido pelos apicultores comerciais americanos.

O termo Doença do Colapso das Colónias foi criado para descrever a doença mas muitos peritos acreditam agora que o termo é enganador e que não há uma única doença a matar as abelhas.

Em partes da Califórnia, a abelha melífera é de importância crucial para a economia local pois 80% das amêndoas do mundo têm lá origem, a exportação hortícola mais valiosa dos Estados Unidos. Mas sem abelhas para polinizar as árvores não há amêndoas.

Em poucas semanas por volta de Fevereiro e Março, biliões de abelhas melíferas são transportadas para o estado de locais tão distantes como a Florida, para voar entre as flores das amendoeiras e garantir o sucesso desta colheita tão lucrativa.

No entanto, desde 2004 que o seu número tem vindo a declinar de forma misteriosa e foi apenas no final  de 2006 que a severidade das perdas começou a ser verdadeiramente percebido. 

O apicultor comercial Dave Hackenberg, da Pennsylvania, foi o primeiro a fazer soar o alarme: "Comecei a abrir algumas colmeias e só encontrei caixas vazias, notei que nem corpos de abelhas mortas havia, apenas vazio." Ainda mais estranho que a ausência de corpos dos insectos, era o facto de as outras abelhas nem se aproximarem destas colónias desertas.

Desde então, perto de dois milhões de colónias de abelhas desapareceram por todos os Estados Unidos e as perdas continuaram até este ano, ainda que a uma taxa inferior. 

A inexplicada natureza da doença, com colmeias vazias e sem infecção definida, tem intrigado os cientistas. Desde a década de 80, uma crescente onda de maleitas tem vindo a afectar as abelhas melíferas, incluindo o ácaro varroa e muitos vírus mortais mas as perdas rápidas e dramáticas dos últimos cinco anos convenceu os peritos de que algo novo estava a actuar nas colónias, tendo-lhe chamado Doença do Colapso das Colónias ou DCC.

Jeff Pettis, investigador do Laboratório de Abelhas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, considera que a DCC se aplica a colónias que morreram ainda que não houvesse nível alto de parasitas: "A colónia foi forte, criou muitos juvenis e depois a população adulta simplesmente desapareceu ou morreu. Com esses sintomas certamente é único e não encaixa nas nossas expectativas quando se trata de ácaros parasitas e coisas assim."

Mas até à data, os investigadores descobriram muito poucas pistas para a causa exacta da doença e alguns peritos vêm agora defender que ela não existe como situação distinta.

Dennis Anderson, investigador principal em entomologia na organização australiana de investigação CSIRO, diz que o termo pode estar a distrair os cientistas de outro tipo de trabalho: "É enganador porque o público, os apicultores e agora até os cientistas estão sob a impressão de que temos uma doença misteriosa nas nossas abelhas. Os investigadores de todo o mundo andam a tentar encontrar a causa da doença e não há absolutamente nenhuma prova de que ela exista."

 

Conduzindo experiências num pomar de amendoeiras isolado na zona de Central Valley na Califórnia, Frank Eischen, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, considera "provavelmente verdade" que não há nenhuma doença nova. "Temos visto este tipo de sintomas anteriormente, desde os anos 70 até à actualidade. Provavelmente não é um evento único na apicultura assistir à morte de grande número de colónias."

VarroaMuitos peritos falam de uma "tempestade perfeita" de impactos que são a verdadeira razão para o declínio. Um dos principais é a infestação de ácaros varroa, que sugam o sangue das abelhas e lhes enfraquecem os sistema imunitário.

Também há preocupação com o facto de as abelhas estarem a ser privadas de nutrição à medida que a urbanização remove as suas pastagens naturais.

Situação particularmente importante é o impacto dos pesticidas agrícolas. Acredita-se que estes químicos têm um efeito semelhante nas abelhas ao do álcool nos humanos, desorienta-as, levando-as a perder a noção de onde fica a sua colmeia.

Muitos peritos acreditam que a intensidade da agricultura pode ser a verdadeira causa do stress nas abelhas. O apicultor comercial Dave Hackenberg descreve a vida da abelha melífera: "As minhas abelhas estão na Califórnia a polinizar as amendoeiras. Em meados de Março são levadas por camião para a Florida, do outro lado dos Estados Unidos, para polinizar laranjeiras e depois outros tantos milhares de quilómetros para polinizar macieiras na Pennsylvania. E em todos esses locais, a única coisa que lá há é a cultura a polinizar, é uma enorme monocultura, logo elas não podem estar bem nutridas."

Críticos da industria da abelha melífera apelidaram o conceito da DCC de embuste, um golpe de relações públicas para atrair a simpatia pública. Eischen não acredita que tenha sido inventada mas a DCC tem ajudado a chamar a atenção para os problemas relacionados com o fornecimento de alimentos.

"Dependemos da agricultura e ter isso trazido para a ribalta pela imprensa ao salientar que está em risco a produção de fruta ou vegetais devido à questão de a abelha desempenhar um serviço vital ao visitar uma flor, é uma imagem poderosa e toca profundamente no coração de muitos cidadãos. Nesse aspecto foi uma coisa boa pois mostra o trabalho duro necessário para que uma cultura possa atingir o mercado." 

 

 

Saber mais:

CSIRO

Abelhas desaparecem misteriosamente nos Estados Unidos

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