2009-03-07

Subject: Cavernas mais quentes podem salvar morcegos de fungo mortal

 

Cavernas mais quentes podem salvar morcegos de fungo mortal

 

 

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Os investigadores esperam que caixas aquecidas para morcegos possam reduzir o número de morcegos que morrem do síndroma do nariz branco, uma doença que tem dizimado morcegos em hibernação por todo o nordeste norte-americano.

Até meio milhão de morcegos morreram desta maleita pouco conhecida desde que foi descoberta no estado de Nova Iorque em 2006. 

Como os corpos dos morcegos emaciados são encontrados frequentemente caídos à entrada das cavernas afectadas, os cientistas colocaram a hipótese de os morcegos estarem a morrer de fome durante a hibernação.

Agora, um par de ecologistas criou um modelo matemático que sugere que os padrões de hibernação dos morcegos estão a ser alterados, forçando-os a queimar as suas reservas de gordura mais rapidamente para se manterem quentes. Para além disso, eles propõem colocar caixas aquecidas nas cavernas afectadas, permitindo aos morcegos conservar energia e sobreviver.

"O síndroma do nariz branco parece ser uma questão de equilíbrio energético", diz Justin Boyles, um estudante de doutoramento no Centro de Investigação e Conservação de Morcegos da América do Norte da Universidade Estatal do Indiana em Terre Haute. "Se a ideia dos aquecedores funcionar pode ser uma forma importante de impedir a fome e aumentar a taxa de sobrevivência, mantendo as populações até que obtenhamos uma cura, seja ela qual for."

Um morcego numa caverna hiberna durante cerca de 200 dias, desde final de Setembro até ao início de Maio, baixando a sua temperatura corporal até aos 2 a 8ºC e abrandando a sua taxa metabólica. No entanto, o animal agita-se a cada 30 dias durante algumas horas de cada vez, aumentando a temperatura corporal e o metabolismo. É frequente que procure bolsas de ar  mais quente quando acordado.

Boyles e o seu co-autor Craig Willis, biólogo da Universidade de Winnipeg, Canadá, usou um modelo matemático para reproduzir os padrões de mortalidade do síndroma do nariz branco (75-80%) observados em Nova Iorque ao reduzir o torpor dos morcegos de 800 para 200 horas e aumentando a duração dos acordares de 3 para 18 horas.

Na simulação, os morcegos acordavam 24 vezes durante o Inverno, em vez de 6 e passavam demasiado tempo fora de hibernação, gastando as suas reservas de gordura. Mas quando os autores modelaram os efeitos da colocação de caixas aquecidas para os morcegos se reunirem durante os períodos de vigília, apenas 8% dos morcegos morreram.

"A ideia é baseada num fenómeno existente que se sabe que os morcegos exploram", diz David Blehert, chefe de diagnóstico microbiológico no Centro de Saúde da Fauna Selvagem do US Geological Survey em Madison, Wisconsin. "Se eles aprenderem a usar as caixas pode ser uma forma de preservar as suas reservas de gordura e dá-lhes uma hipótese de sobreviver."

 

Boyles e Willis estão a preparar-se para testar a sua ideia numa série de cavernas com morcegos, até agora a salvo da doença, na província de Manitoba no Canadá, usando caixas isoladas aquecidas por radiadores a pilhas recarregadas por painéis solares. "É uma ideia pouco ortodoxa mas o síndroma do nariz branco é uma questão suficientemente importante para ser necessário usar estratégias pouco ortodoxas", diz Boyles.

A maleita foi baptizada síndroma do nariz branco quando foi descoberta pela primeira vez pois surge como um crescimento lanudo na cabeça e asas dos morcegos afectados. Na época, em Outubro de 2008, Blehert relatou o isolamento de uma espécie desconhecida à data de fungo Geomyces, que prolifera a baixas temperaturas. Apesar de ainda terem de demonstrar que o fungo causa o síndroma do nariz branco, experiências para o provar estão em curso e continua a ser a hipótese mais provável.

O síndroma do nariz branco espalhou-se a perto de 50 locais em sete estados por todo o nordeste, desde o Vermont até à Virgínia Ocidental, diz Susi von Oettingen, bióloga do US Fish and Wildlife Service que trabalha com espécies ameaçadas. Provas da doença já foram observadas em outros dois estados, New Hampshire e Virginia, mas isto também tem que ser confirmado.

O morcego castanho pequeno (Myotis lucifugus) é a espécie que tem sofrido mais mas a doença também tem afectado as outras cinco espécies de morcegos hibernantes do nordeste, incluindo o morcego do Indiana (Myotis sodalis), que está listado como ameaçado pela International Union for Conservation of Nature.

"As pessoas estão a trabalhar em permanência para tentar encontrar uma resposta", diz Scott Darling, bióloga da fauna selvagem do Departamento de Pesca e Fauna Selvagem do Vermont. "Se não for pelos morcegos do Vermont e Nova Iorque, então para prevenir que os do Kentucky e Tennessee a apanhem." 

 

 

Saber mais:

White-nose syndrome- USGS National Wildlife Health Center

Bats and white-nose syndrome- US Fish and Wildlife Service

 

 

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