2009-03-04

Subject: Vírus modificados atacam bactérias

 

Vírus modificados atacam bactérias

 

 

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Os biólogos manipularam vírus que enfraquecem as bactérias que infectam, deixando-as mais vulneráveis aos antibióticos.

Com cada vez mais bactérias a tornar-se resistente aos antibióticos mais comuns, a abordagem viral pode prolongar o tempo útil de vida destes medicamentos.

A noção de combater infecções usando vírus que infectam e matam bactérias já data de há quase um século. Médicos da antiga União Soviética receitavam regularmente um cocktail desses vírus, conhecidos por bacteriófagos ou apenas fagos, mas o tratamento nunca pegou no ocidente e foi praticamente abandonado quando os antibióticos surgiram em cena.

Desde esse tempo, os investigadores ficaram encurralados numa corrida às armas cada vez mais acelerada para desenvolver novos medicamentos contra as bactérias resistentes aos antibióticos, levando alguns a voltar-se para a abordagem alternativa da 'terapia fágica'.

Várias companhias estão agora a desenvolver essas terapias e, em 2006, a US Food and Drug Administration aprovou um bacteriófago que podia ser aplicado em spray sobre carnes para matar a bactéria Listeria monocytogenes. Esta bactéria causa a listeriose, uma infecção rara mas por vezes fatal particularmente perigosa para quem tem um sistema imunitário fraco, bem como para grávidas e seus fetos.

Abordagens anteriores à terapia fágica geralmente dependiam de bacteriófagos que eventualmente rebentam a bactéria infectada, matando a célula e libertando mais fagos que vão em busca de novos hospedeiros mas as bactérias que sofrem este tipo de ataque directo evoluem rapidamente para se tornarem resistentes aos fagos.

O bioengenheiro James Collins, da Universidade de Boston no Massachusetts, e o seu estudante de graduação da altura Timothy Lu, decidiram seguir uma abordagem diferente. Em vez de usarem vírus letais, manipularam vírus de forma a que estes apenas enfraqueçam as bactérias, tornando-as mais susceptíveis aos antibióticos.

Lu e Collins modificaram geneticamente um fago chamado M13, que não causa o rebentamento das células infectadas, de forma a produzir a proteína bacteriana lexA3, que reduz a capacidade bacteriana de reparar o DNA danificado. Quando o fago M13 modificado infecta uma bactéria, neste caso a Escherichia coli, produz lexA3, deixando a bactéria mais vulnerável aos medicamento que atacam o DNA.

 

Os investigadores descobriram que o fago aumentava a capacidade do antibiótico ofloxacina de matar E. coli em cultura, mesmo se a bactéria for resistente ao antibiótico por si própria. As descobertas sugerem que este tipo de terapia fágica pode rejuvenescer antibióticos que já se consideravam ineficazes.

Os resultados em ratos também foram prometedores: 80% dos animais que receberam ofloxacina e o fago M13 modificado sobreviveram à infecção com uma estirpe virulenta de E. coli, comparados com apenas 20% de taxa de sobrevivência entre ratos infectados tratados apenas com antibiótico.

"Estas descobertas podem ser genericamente importantes no controlo das infecções bacterianas", diz Shigenobu Matsuzaki, microbiólogo na Escola Médica de Kochi no Japão, mas ainda deve passar muito tempo antes destas técnicas puderem ser usadas clinicamente.

Apesar da sua longa história, há preocupações que se mantêm acerca da terapia fágica. O tratamento pode desencadear uma resposta imunitária indesejada, por exemplo, ou alguns fagos podem não sobreviver à viagem através do corpo humano até às suas células-alvo.

Para além disso, os bacteriófagos são notoriamente esquisitos acerca dos seus hospedeiros. No passado, um médico administrava um cocktail de diferentes fagos na esperança de que um deles tivesse como alvo a bactéria que estava a infectar o seu paciente mas, a não ser que um cocktail de vírus modificados possa ser criado, agora os médicos teriam que saber que estirpe bacteriana em particular era responsável pela infecção antes de iniciar o tratamento. 

 

 

Saber mais:

James Collins

Shigenobu Matsuzaki

 

 

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