2009-02-23

Subject: Meteorito dos dinossauros não causou fogos gigantescos

 

Meteorito dos dinossauros não causou fogos gigantescos

 

 

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O impacto de um meteorito gigante no final do período Cretácico, há 65 milhões de anos, é geralmente considerado responsável pelo desaparecimento súbito de 60 a 80% de todas as espécies na Terra mas novos resultados desafiam a ideia vulgarizada de que as extinções foram em parte causadas por fogos à escala global desencadeados pelo impacto.

Claire Belcher, da Universidade Real Holloway de Londres em Surrey, refere num artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences USA que os depósitos globais de cinza em rochas sedimentares formadas por altura do putativo impacto não são, como antes se considerava, evidência de fogos descontrolados devidos ao impacto do meteorito.

Ela analisou as misturas de moléculas baseadas em carbono chamadas hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP) nas cinzas destas rochas e descobriu que as composições das misturas não correspondem ao que é tipicamente produzido por vegetação em chamas. Pelo contrário, assemelham-se às formadas quando se queima gás e petróleo.

Os investigadores pensam que a cinza provém da combustão de hidrocarbonetos no interior das rochas do local de impacto, que se pensa ser na região de Chicxulub na costa norte da península do Iucatão no México, onde uma cratera agora parcialmente submersa com 180 Km de diâmetro foi datada para o período da extinção em massa que separa os períodos Cretácico e Terciário.

Uma camada global de cinza em rochas desta idade foi descoberta na década de 80 e foi interpretada como revelando que o calor do impacto iniciou incêndios descontrolados por todo o globo. De acordo com essa hipótese, vastas zonas cobertas de vegetação ficaram carbonizadas, possivelmente tostando muitas espécies animais, incluindo os dinossauros.

Mas desde há vários anos, Belcher tem vindo a lançar a dúvida sobre a ideia de que a Terra foi envolvida num mar de chamas durante anos, após o impacto. Em 2003 ela relatou que os estratos rochosos norte-americanos datados da fronteira Cretácico/Terciário tinham muito poucas evidências de carvão, que seria de esperar ser produzido pela vegetação em chamas. Pelo contrário, ela especulou que a cinza destas camadas provinha da combustão de hidrocarbonetos.

Agora, ela alega ter conseguido a prova de que tem razão: as impressões digitais químicas da fonte da cinza, na forma de 21 HAP diferentes separados e identificados por cromatografia de gás.

 

Belcher diz que os novos resultados também respondem às críticas sobre o seu trabalho anterior sobre a aparente falta de carvão na cinza. Alguns outros investigadores sugeriram que os fogos descontrolados podiam ter sido tão intensos que não deixaram carvão mas Belcher diz que os HAP que encontrou têm estruturas moleculares características de uma formação a temperaturas relativamente baixas.

Ainda assim, ela ainda tem que convencer muita gente. Bernt Simoneit, geoquímico orgânico da Universidade Estatal do Oregon em Corvallis, questiona se a proporção dos diferentes HAP nos produtos de combustão são suficientes para discriminar a assinatura do combustível fonte.

Ele também diz que as fontes de hidrocarbonetos a pouca profundidade "são muito escassas, agora ou no passado" e que a biomassa de vegetação ultrapassa largamente a quantidade de petróleo próximo da superfície. Belcher, no entanto, salienta que Chicxulub é muito próxima da maior reserva de petróleo mexicana, o campo Cantarell.

Independentemente da origem da cinza, parece claro que enormes quantidades dela foram lançadas à atmosfera pelo impacto, bloqueando a luz do Sol e talvez desencadeando um arrefecimento global.

"A cinza teve sem dúvida um impacto significativo na vida na época mas não é provável que represente a assinatura de fogos globais", diz Belcher. Ela diz que existem sinais claros de que a vida vegetal foi fortemente perturbada mas isto pode ter sido devido ao calor da bola de fogo do impacto e à escuridão global, ao frio e ao envenenamento devido a produtos da combustão dos hidrocarbonetos que se seguiram. "Penso que a ideia dos fogos globais está a começar a ser posta em causa." 

 

 

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