2009-02-14

Subject: Transplante de células estaminais elimina HIV

 

Transplante de células estaminais elimina HIV

 

 

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Um homem pode ter sido curado simultaneamente de SIDA e leucemia depois de ter recebido um transplante de um dador geneticamente resistente ao HIV.

Cerca de dois anos depois do transplante, não há sinais do vírus, apesar de o paciente já não tomar medicamentos anti-retrovirais. Quais as promessas e as limitações deste procedimento?

Não se tinha já falado disto antes?

Os médicos alemães anunciaram a sua descoberta em Novembro de 2008 e desde então os resultados foram revistos por pares e foram agora publicados na revista New England Journal of Medicine.

O que fizeram, na prática, estes médicos?

Fizeram essencialmente o mesmo que se faz a qualquer paciente com leucemia que não responde adequadamente à quimioterapia: procuraram um dador compatível de medula óssea e prepararam-se para fazer um transplante.

Mas o hematologista Gero Hütter, da Charité Universitätsmedizin de Berlim levou a procura um passo mais além. Hütter não é especialista em HIV mas quando percebeu que o seu paciente precisava de um transplante, lembrou-se de um artigo que tinha lido há mais de uma década sobre pessoas resistentes ao HIV por apresentarem uma mutação genética específica.

A mutação é uma deleção curta no gene CCR5, que codifica um receptor que o HIV utiliza para penetrar nas células imunitárias T CD4+. Cerca de 1% da população europeia transporta a mutação em ambas as cópias do gene CCR5, o que torna essas pessoas muito mais resistentes a contrair o vírus. Se Hütter conseguisse substituir as células imunitárias do seu paciente por células sem o receptor CCR5, ele seria menos susceptível à infecção com o HIV.

Ele encontrou um dador compatível com a mutação e em Fevereiro de 2007 o transplante foi realizado.

Pode-se realmente aprender alguma coisa a partir de uma experiência feita com apenas um paciente?

Ainda que a técnica apenas tenha sido aplicada a um paciente, os resultados são valiosos, diz James Riley, investigador de HIV na Universidade da Pennsylvania em Filadélfia. "De todas as experiências 'n=1' que existem, esta é uma boa", diz ele. "É uma tremenda prova do princípio de que se conseguirmos que a maioria das nossas células seja resistente à infecção, podemos realmente parar o vírus."

Entretanto, Hütter diz que uma equipa diferente de investigadores tenciona realizar o mesmo procedimento noutro paciente HIV-positivo com leucemia, por isso daqui a poucos anos a experiência passará a ser n=2.

 

O paciente ficou curado?

Isso ainda não é claro. Ainda que o paciente tenha passado dois anos sem uma recaída, ainda é possível que o vírus regresse. O vírus pode estar escondido em células que os médicos não testaram, como no cérebro ou no coração.

Para além disso, há outra estirpe de HIV que não usa os receptores CCR5 para invadir as células. Esta estirpe não costuma surgir em pacientes com sistemas imunitários funcionais mas ainda é possível que esta forma de HIV possa proliferar neste paciente.

O que é certo é que este não é um tratamento que a maioria dos pacientes HIV-positivos queiram receber. Os riscos envolvidos num transplante de medula ultrapassam largamente os associados a anos de terapia com anti-retrovirais, mesmo tendo em conta os efeitos secundários problemáticos destes medicamentos. Antes de receber um transplante, os receptores são "condicionados" com medicamentos e radiação que destroem as suas células estaminais sanguíneas, o que os deixa vulneráveis a infecções e os seus corpos podem rejeitar os transplantes.

Em vez de um transplante, não se poderia bloquear os receptores CCR5 com um medicamento?

Pode-se faze-lo sim, um inibidor CCR5, chamado maraviroc, é produzido pela Pfizer e está aprovado nos Estados Unidos e na Europa. Outras companhias já estão a estudar outros medicamentos que actuem a nível dos receptores CCR5.

Infelizmente, o maraviroc não impede completamente a ligação do vírus ao CCR5 e apenas pode ser usado em combinação com anti-retrovirais. "Basicamente, o HIV pode contornar o medicamento e continuar a usar o CCR5", diz Riley, que refere que o vírus pode ultrapassar competitivamente o inibidor ou ser capaz de encontrar outra região do CCR5.

Outros estão a tentar combinar as abordagens de terapia génica para impedir o fabrico de receptores CCR5. Por exemplo, Riley tem colaborado com a Sangamo BioSciences, para determinar se a técnica da companhia de cortar certos genes pode ser usada para apagar o gene CCR5. A Sangamo anunciou na semana passada que lançou a Fase I de testes clínicos que envolvem a remoção de uma amostra de células T dos participantes, apagar o gene CCR5 e recolocar as células no paciente. O teste é o primeiro passo na avaliação da segurança do procedimento, não da sua eficácia, e os pacientes não serão condicionados para a destruição das suas células T não modificadas. 

 

 

Saber mais:

James Riley

Charité Universitätsmedizin

 

 

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