2009-02-12

Subject: DNA viral responsável pela picada das vespas

 

DNA viral responsável pela picada das vespas

 

 

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Cotesia As vespas parasitas exploram o que resta de um vírus antigo para atordoar os seus hospedeiros e os submeter, revelou um novo estudo.

A investigação lança luz sobre as origens das partículas que algumas vespas parasitas injectam, juntamente com os seus ovos, nas lagartas.

Essas partículas, chamadas vírus poli-DNA, transportam genes que impedem a resposta imunitária da lagarta quando expressos, permitindo o crescimento da larva parasita.

Mas os vírus poli-DNA não se replicam no interior do seu hospedeiro, nem contêm genes que codifiquem a sua própria capa proteica, o que os torna algo bizarro no mundo natural.

Os investigadores confirmaram agora que os genes virais que foram integrados no DNA da vespa há 100 milhões de anos são usados para fabricar as capas dos vírus poli-DNA. Os genes derivados das vespas fabricam o interior das partículas, logo a investigação "praticamente encerra a questão" da origem das partículas, diz James Whitfield, entomólogo na Universidade do Illinois em Urbana-Champaign, que forneceu algumas das amostras de DNA.

O virologista Jean-Michel Drezen, do Centro Nacional de Investigação de França (CNRS) de Tours, encontrou pistas genéticas nos ovários das vespas fêmea, onde as partículas são produzidas. Nas espécies de vespa Chelonus inanitus e Cotesia congregata, os ovários expressaram proteínas de 22 genes semelhantes aos encontrados num grupo de vírus chamado nudivírus. Dois destes genes foram encontrados em quatro subfamílias aparentadas de vespas, sugerindo que um nudivírus antigo inseriu o seu DNA no genoma das vespas antes da divergências destas espécies.

Os cientistas já suspeitavam que os vírus poli-DNA tinham uma origem viral mas o estudo "fornece informação importante que indica quem seria o ancestral", diz Michael Strand, entomólogo na Universidade da Georgia em Athens, que trabalhou com um dos autores. Faz sentido que os vírus poli-DNA tenham surgido dos nudivírus, diz ele, pois estes últimos infectam frequentemente o sistema reprodutor dos insectos.

 

A equipa também estudou o genoma de uma espécie de vespa, C. congregata, e encontrou cinco genes semelhantes aos de nudivírus agrupados. Este agrupamento pode significar que um genoma completo de nudivírus, e não apenas genes individuais, foi integrado no genoma da vespa, diz Drezen. Com base em semelhanças com genes de vírus bem estudados, os investigadores concluíram que a maioria dos genes virais no genoma da vespa codificam para partes da capa proteica, uma hipótese confirmada pela comparação de sequências de DNA com sequências proteicas das partículas do vírus poli-DNA.

As descobertas sugerem que os vírus poli-DNA estão suficientemente integrados para serem considerados parte da vespa e não vírus independentes, diz Brian Federici, entomólogo da Universidade da Califórnia, Riverside. "É mais uma prova de que se trata de organelos e não vírus." Uma situação semelhante surgiu quando bactérias passaram a residir no interior dos eucariontes, diz ele, e se tornaram tão integrados que agora são chamadas mitocôndrias.

Os vírus poli-DNA estão actualmente classificados como vírus mas "se queremos continuar a chamá-los assim é uma questão para a comunidade dos estudiosos de vírus", diz Whitfield.

Os cientistas também podem ser capazes de criar melhores vectores para terapia imitando os vírus poli-DNA, diz Drezen. As partículas são capazes de transportar 560 kb de DNA, uma quantidade impossível com os vectores actuais.

O próximo passo é encontrar o ancestral viral noutros grupos de vespas parasitas, diz Drezen. O estudo descobriu genes do tipo nudivírus num subconjunto de vespas parasitas chamadas vespas braconídeas mas não num segundo grupo chamado vespas icneumonídeas. As partículas produzidas pelas vespas icneumonídeas podem ter tido origem num vírus ainda não conhecido, diz ele. 

 

 

Saber mais:

National Centre for Scientific Research

Como obter uma barata zombie

 

 

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