2009-02-09

Subject: Austrália a ferro e fogo

 

Austrália a ferro e fogo

 

 

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Os bombeiros australianos estão desesperadamente a tentar extinguir os piores fogos florestais a que o país assistiu desde que há memória e que já causaram a morte de mais de 170 pessoas no estado de Victoria.

Enquanto os fortes ventos continuam a inflamar as chamas, milhares de famílias desalojadas em busca de abrigo e alimento acorrem aos centros de apoio da Cruz Vermelha montados em redor do estado. 

Por que motivo está este fogo a ser tão grave?

A vegetação da região, dominada por arbustos e eucaliptos, queima muito bem quando seca, o que combinado com as temperaturas recorde que têm sido registadas, ventos invulgarmente fortes e alegados incendiários, levou a que os fogos se tenham propagado particularmente rápido através de zonas suburbanas em contacto com matos.

À medida que cidades como Melbourne crescem, um cada vez maior número de casas estão a ser construídas em zonas com um risco elevado de fogo florestal, um problema que também existe na zona metropolitana de Los Angeles e San Diego, na Califórnia.

Os relâmpagos são normalmente os responsáveis pela ignição dos fogos florestais mas não foram registadas trovoadas na região até ontem. Daí ser credível que, pelo menos alguns, fogos tenham tido origem humana, talvez com intenções criminosas - actos descritos pelo primeiro-ministro australiano Kevin Rudd como "assassínio em massa".

Podem as alterações climáticas ser responsáveis pelos fogos descontrolados ou será o clima da ocasião sido responsável?

Nenhum evento isolado pode ser atribuído às alterações climáticas com algum grau de certeza. Verões quentes e secos são típicos do clima subtropical australiano, tal como os fogos florestais frequentes. Fogos moderados são, na realidade, benéficos do ponto de vista ecológico e fornecem nutrientes para novo crescimento das plantas. A maioria das árvores e arbustos é capaz de sobreviver a um fogo florestal normal e fogos menores e mais frequentes reduzem o risco de chamas catastróficas.

No entanto, os modelos climáticos sugerem realmente que os Verões australianos irão tornar-se mais quentes e secos à medida que o século avançar, o que não há dúvida terá forte impacto no risco de fogo.

"As ondas de calor e os fogos vão com certeza aumentar de intensidade e frequência", conclui o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) na sua mais recente avaliação, publicada em 2007.

Em 2080, as temperaturas médias na Austrália central podem aumentar até 8°C, segundo a previsão mais radical do IPCC para a zona. No espaço de 400 Km até à costa, o continente pode ainda aquecer mais 5,4°C e a precipitação pode reduzir-se até 80%.

 

No sudeste australiano, a frequência de do perigo de incêndio elevado ou extremo deve subir entre 4 a 25% em 2020 e 15 a 70% até 2050, segundo o relatório do IPCC.

Outras regiões expostas ao risco de fogo descontrolado, incluindo o sul da Europa, África do Sul e sudoeste dos Estados Unidos, enfrentam alterações semelhantes. A frequência aumentada de fogo pode levar a alterações no coberto vegetal, reduções do crescimento vegetal, redução do teor de dióxido de carbono absorvido pelas plantas da atmosfera, conduzindo a um acentuar do aquecimento devido à presença do gás de efeito de estufa na atmosfera.

Como podemos mitigar o efeito destes fogos no futuro?

Um método de gestão florestal conhecido por queima selectiva já está a ser testado na Austrália, Califórnia e Portugal. A ideia é pegar fogo deliberadamente à vegetação a espaços regulares, sem deixar que o incêndio atinja grande dimensão. Isso significa que a camada de material combustível vegetal que se acumula no solo nunca fica tão espessa que se torne uma fonte importante de combustível para um fogo gigantesco.

Os ecologistas ainda estão a avaliar a melhor altura do ano para pegar fogo aos diferentes tipos de vegetação, de modo a encontrar a estratégia que cause menos danos às plantas. Provavelmente a melhor forma de nos adaptarmos à subida do risco de fogo descontrolado é um ordenamento cuidado das áreas urbanas, instalação de sistemas de alerta precoce e preparar as populações para estes acontecimentos.

Fogos descontrolados como estes acrescentam uma quantidade significativa de CO2 para a atmosfera?

Desastrosos que são, os fogos florestais australianos são são suficientemente grandes para deixar uma marca no teor global atmosférico de CO2. Os únicos fogos nas últimas décadas que se sabe terem libertado uma quantidade substancial de CO2 foram os fogos indonésios de 1997–98 e os siberianos de 2003.

 

 

Saber mais:

Gestão florestal aumenta as emissões de dióxido de carbono

Qual é realmente o custo ecológico dos fogos?

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