2009-02-08

Subject: Para onde vão as aves migratórias?

 

Para onde vão as aves migratórias?

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

O triste-pia Dolichonyx oryzivorus, uma ave migratória norte-americana, encontra os locais onde passa o Inverno na América do Sul observando o sol e as estrelas, os campos magnéticos e paisagens terrestres e a luz polarizada, invisível para o Homem.

Esta pequena ave canora viaja 9600 Km sem qualquer guia e tendo apenas alguns meses de vida mas é apenas uma das muitas estrelas do céu. Milhões de aves canoras do tamanho da palma da mão voam para sul nas noites de Outono, escurecendo os radares meteorológicos como uma tempestade.

Gansos, aves de rapina e muitas outras migram também, frequentemente atravessando continentes inteiros. Albatrozes e outras aves marinhas cobrem milhões de quilómetros ao longo dos seus 50 anos de vida e realizam alguns dos voos mais longos de que há conhecimento. No entanto, a forma como o fazem permanece um mistério.

Até 80% das aves norte-americanas fazem migrações sazonais mas os ornitólogos só recentemente começaram a seguir os migrantes de longa distância e só agora estão a começar a compreender os seus hábitos e os riscos que podem encontrar, uma situação crucial pois estas aves estão a sofrer declínios importantes.

"Nas décadas de 70 e 80, dizia-se que as aves migravam para os trópicos onde passavam seis meses mas levavam outros tantos a caminho dos trópicos", diz o ornitólogo Russell Greenberg, director do Centro de Aves Migratórias do Smithsonian em Washington, DC. "Agora as populações estão em declínio e todos estão desesperados."

Os rigores físicos e outros perigos da migração causam 85% das mortes das aves canoras e o Homem está a contribuir para esses perigos, alerta o ornitólogo da Universidade de Cornell Miyoko Chu.

Cada vez menos aves regressam aos seus territórios de alimentação a cada ano devido ao envenenamento por pesticidas, perda de habitat devida a agricultura destrutiva e outras pressões humanas.

 

Metade das aves americanas sofreram uma redução do seu efectivo e as que voam entre a Europa, Médio-Oriente e África igualmente mas não é claro exactamente porquê. Por isso, os ornitólogos estão a trabalhar para descobrir para onde as aves vão e o que têm que enfrentar, antes que as suas viagens se tornem ainda mais duras.

O triste-pia, por exemplo, sofreu um declínio de 50% desde 1966, de acordo com o North American Breeding Bird Survey. Rosalind Renfrew, bióloga do Centro de Eco-estudos de Vermont, espera localizar as causas dessas perdas ao decifrar a dieta das aves.

Recolhendo e analisando as penas do triste-pia em busca de isótopos estáveis, espera interpretar de que forma as circunstâncias dos terrenos de invernação afectam o sucesso das aves na reprodução e a sua capacidade de sobrevivência.

Uma das ameaças inclui os pesticidas bolivianos e, em menor grau, os esforços de controlar a triste-pia nos seus locais de invernação na América do Sul, onde os agricultores os consideram uma praga. Os norte-americanos também costumavam matá-los até uma lei de protecção o ter proibido.

A agricultura destrutiva na América Latina está a dizimar o coberto vegetal protector e rico em alimento, crucial para estas e muitas outras aves. À medida que estas florestas desaparecem, também o efectivo das aves que delas dependem, obrigando-as a procurar essas coisas noutro lado, o que pode torná-las mais vulneráveis a predadores. Mas os investigadores notaram que as aves migratórias aprendem observando as aves locais quais os predadores a evitar. 

Os ornitólogos estão a descobrir muitas coisas acerca da vida das aves migratórias com a ajuda destas novas tecnologias e, mesmo com o declínio registado, os bandos de migrantes no céu dão esperança no futuro. 

 

 

Saber mais:

Ave do Alasca realiza o voo sem paragens mais longo alguma vez registado

Alterações climáticas ameaçam espécies migratórias

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2009


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com