2009-02-03

Subject: Embriões híbridos não cumprem as expectativas sobre células estaminais

 

Embriões híbridos não cumprem as expectativas sobre células estaminais

 

 

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A criação de embriões híbridos humano-animal foi proposta como forma de obter células estaminais embrionárias sem depender do escasso fornecimento de óvulos humanos e imediatamente enfrentou barreiras legislativas e indignação pública mas um artigo publicado esta semana sugere que a abordagem tem outro problema mais fundamental: pode pura e simplesmente não funcionar.

Robert Lanza, do Advanced Cell Technology, uma companhia sediada em Los Angeles, Califórnia, mostra que nos seus laboratórios, embriões híbridos humano-vaca, humano-rato e humano-coelho nas suas fases iniciais não crescem além do estádio de 16 células. Os embriões híbridos também não exprimiram adequadamente genes que se pensa serem críticos para a pluripotência, a capacidade para originar uma variedade de tipos celulares.

Lanza criou os seus embriões híbridos usando um processo chamado transferência nuclear somática, uma técnica tornada famosa ao ser usada para criar a ovelha Dolly em 1996. Desta vez, os investigadores substituíram o núcleo de óvulos de humanos, vaca, rato e coelho por núcleos humanos somáticos.

Os embriões humano-humano desenvolveram-se normalmente e aumentaram a sua expressão em muitos genes, incluindo vários conhecidos por estar envolvidos na pluripotência. Os embriões híbridos, no entanto, vivera pouco tempo e não expressaram esses genes. Lanza diz que a sua equipa analisou muitos protocolos e "milhares" de embriões ao longo dos anos, sem sucesso. "Ao princípio pensámos que seria apenas uma questão de afinar as condições de cultura", diz Lanza. Mas "o problema era muito mais fundamental".

Outros no campo defendem que nem tudo está perdido. "Compreender o que tem que ser feito para ultrapassar este problema ajudar-nos-á a compreender o que é a reprogramação", diz o biólogo reprodutivo Justin St John, da Universidade de Warwick em Coventry, que está a desenvolver embriões híbridos rato-porco. O artigo delineia apenas um conjunto de condições usadas para criar os embriões, acrescenta St John, o que significa que é impossível avaliar todas as opções tentadas por Lanza.

 

A Advanced Cell Technology já tinha clonado um gauro, uma espécie ameaçada de bovino, usando óvulos de vaca para criar um embrião híbrido gauro-vaca. No entanto, estas espécies são intimamente aparentadas.

Pode ser possível criar embriões híbridos usando células somáticas e óvulos de primatas não humanos mas esses óvulos também são escassos, diz Lanza. Ainda que Hui Zhen Sheng, da Universidade Médica de Xangai, relate ter criado embriões híbridos humano-coelho, vários laboratórios têm sido incapazes de replicar as descobertas, segundo Lanza e outros no campo.

Há muitos processos que podem causar o falhanço dos embriões híbridos. O desenvolvimento embrionário é inicialmente guiado por proteínas e RNA do óvulo, passando depois o controlo para o DNA do núcleo. Esta transferência de poder ocorre nos humanos quando o embrião alcança 4 a 8 células mas nos ratos acontece no estádio de 2 células e este desencontro pode perturbar o desenvolvimento.

Para além disso, o genoma nuclear pode ter dificuldade em comunicar com as mitocôndrias, herdadas directamente da mãe através do óvulo, de uma espécie distante evolutivamente. Se os investigadores poderem descobrir a razão porque alguns embriões híbridos deixam de se desenvolver, podem ser capazes de ultrapassar esses bloqueios alterando a expressão de genes específicos, diz o biólogo celular Jose Cibelli, da Universidade Estatal do Michigan em East Lansing.

Entretanto, pode haver outras formas de reprogramar uma célula com diferentes tipos de DNA, salienta o embriologista Anthony Perry, do Centro de Biologia do Desenvolvimento RIKEN em Kobe, Japão. "Realmente só existirá um caminho a seguir? Seguramente que não, é demasiado cedo para eliminar os híbridos interspecíficos." 

 

 

Saber mais:

Advanced Cell Technology

 

 

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