2009-01-28

Subject: Fertilização oceânica morta na água?

 

Fertilização oceânica morta na água?

 

 

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RV PolarsternA teoria de que adicionar ferro aos oceanos ajudar a absorver o dióxido de carbono atmosférico de forma barata e eficiente recebeu um novo golpe.

Um estudo publicado na edição desta semana da revista Nature revela que a sequestração potencial de carbono induzida pelo ferro é muito inferior à que se estimava.

Durante a experiência CROZEX de 2004 e 2005, os cientistas a bordo do navio inglês RSS Discovery observaram o impacto da fertilização natural com ferro no crescimento de algas e exportação de carbono perto das ilhas Crozet, um arquipélago cerca de 2 mil quilómetros a sudeste da África do Sul. 

A equipa descobriu que, relativamente a uma unidade de ferro acrescentado, a quantidade de carbono sequestrado a 200 metros de profundidade, onde ficará durante algumas décadas, era quase 80 vezes inferior ao valor que os cientistas tinham determinado durante um estudo semelhante feito na região vizinha de Kerguelen.

"A resposta do ecossistema e a exportação de carbono parecem variar substancialmente de região para região", diz Ulrich Bathmann, um oceanógrafo biológico do Instituto Alfred Wegener (AWI) de Investigação Polar e Marinha em Bremerhaven, Alemanha, que não esteve envolvido no novo estudo. "E quando se olha mais de perto, mais complexa a história se torna."

Separadamente, a 26 de Janeiro, o ministro alemão da ciência deu luz verde à LOHAFEX, uma experiência indo-alemã de fertilização oceânica que está à espera de começar no oceano Antárctico.

Respondendo às preocupações ambientais e políticas, o ministério tinha decidido a 13 de Janeiro que fosse realizada uma avaliação independente antes do início da experiência. Desde o navio alemão RV Polarstern, a equipa da LOHAFEX planeia despejar 20 toneladas de sulfato de ferro numa área de 300 quilómetros quadrados entre a Argentina e a Península Antárctica.

O estudo CROZEX, liderado por Raymond Pollard, do Centro Oceanográfico Nacional de Southampton, Reino Unido, analisou, pelo contrário, a fertilização oceânica natural, em que a poeira rica em ferro soprada das ilhas Crozet se deposita nas águas. 

 

A equipa observou que cerca de 270 toneladas de ferro desencadeavam um aumento de duas a três vezes na produtividade biológica numa área do tamanho da Irlanda mas as sondas de sedimento revelaram que que a exportação de carbono para o oceano profundo não era tão importante como o estudo Kerguelen, e experiências laboratoriais, tinham sugerido.

Ainda que a concepção da experiência permitisse apenas uma apenas uma estimativa grosseira da sequestração de carbono, as descobertas foram um acordar. Anteriormente os cientistas já tinham alertado para o facto da remoção de 30% do carbono libertado todos os anos em resultado da actividade humana exigiria tratar uma área oceânica dez vezes maior do que todo o oceano Antárctico, as águas mais férteis para a sementeira de ferro.

Aumentados à escala, os resultados CROZEX implicam que mesmo que toda a superfície oceânica global tivesse uma apetência para ferro, a sua satisfação não teria grande impacto nos níveis de CO2 atmosférico.

"Poderíamos ter uma resposta diferente se chocássemos o sistema despejando muito ferro de uma vez só", diz Pollard. "O efeito será muito inferior do que alguns geoengenheiros gostariam."

Alguns pensam que o jogo já terminou. "A fertilização oceânica com ferro simplesmente já não pode ser considerada uma opção viável para a mitigação do problema do CO2", diz Hein de Baar, oceanógrafo no Instituto Real de Investigação Oceânica da Holanda em Texel.

 

 

Saber mais:

Experiência de fertilização do oceano debaixo de fogo

Convenção desencoraja 'fertilização' do oceano

Misturar os oceanos para reduzir o aquecimento global

 

 

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