2009-01-17

Subject: Poluição luminosa cria eco-armadilhas

 

Poluição luminosa cria eco-armadilhas

 

 

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Uma equipa internacional de investigadores descobriu outra forma de poluição luminosa que pode ter um efeito adverso na vida selvagem.

Os cientistas demonstraram que tanto como as luzes directas, a luz polarizada também desencadeia alterações potencialmente perigosas no comportamento de muitas espécies.

Eles acrescentam que a superfície das estradas e o revestimento envidraçado dos edifícios estão entre as principais fontes deste tipo de poluição luminosa.

A descoberta foi publicada na última edição da revista Frontiers in Ecology and the Environment e no artigo o co-autor Bruce Robertson, ecologista na Universidade Estatal do Michigan, refere que a luz polarizada de estruturas de origem humana se sobrepõe às pistas naturais que controlam o comportamento animal.

"As pistas ambientais, como a intensidade da luz, que os animais utilizam para tomar decisões, existem em níveis diferentes no mundo natural", explica ele. "Quando essas pistas se tornam artificialmente intensas, os animais podem reagir de forma artificialmente forte a elas." Em resultado, as falsas pistas podem originar armadilhas ecológicas para as espécies atraídas pela luz.

Robertson diz que a água é a principal fonte de luz polarizada horizontalmente no mundo natural e muitos animais, incluindo insectos, aves e répteis, têm uma visão polarizada altamente desenvolvida.

Este tipo particular de luz desempenha um papel crucial no ciclo de vida dos animais, como forma de detectar locais de reprodução e alimentação, acrescenta ele.

Um exemplo bem documentado é a forma como as tartarugas marinhas bebés dependem da direcção da luz do luar reflectida na superfície do mar para as ajudar a encontrar o caminho para o oceano quando emergem dos ninhos. Há exemplos de tartarugas que nidificam em zonas urbanizadas que se deslocam em direcção aos edifícios iluminados.

Robertson refere que com a expansão das áreas urbanas, cada vez haverá mais estruturas e superfícies a confundir a vida selvagem. "Qualquer tipo de objecto preto e brilhante, como petróleo, painéis solares, asfalto, causa problemas e quanto mais perto estiverem de zonas húmidas maiores serão os problemas."

"A luz do Solo vibra em todas as direcções mas depois de ser reflectida por uma superfície plana e brilhante como a água, apenas vibra na horizontal, torna-se polarizada. Este é o motivo porque os óculos de sol polarizados nos permitem ver num dia muito claro, pois removem apenas a luz polarizada na horizontal que se reflecte da água e das estradas."

A equipa de investigadores americanos e húngaros considera que mais de 300 espécies de insectos utilizam a luz polarizada como fonte primária para a navegação. 

 

"Esta situação era usada para encontrar corpos de água adequados a locais de reprodução e alimentação mas devido à sua forte assinatura, as superfícies polarizadoras artificiais como o asfalto, pedras tumulares, carros, revestimentos plásticos e janelas de vidro, são frequentemente confundidos com corpos de água."

A equipa acrescenta que a poluição luminosa polarizada (PLP) difere das tradicionais formas de poluição luminosa, a chamada poluição luminosa ecológica (PLE) porque se verifica em qualquer altura do dia.

"Como a PLE resulta da incidência da luz visível em alturas e locais onde não ocorre naturalmente, este é um fenómeno predominantemente nocturno. Pelo contrário, a PLP pode acontecer tanto de dia como de noite em ambientes terrestres."

O estudo também sugere que a PLP pode perturbar cadeias alimentares inteiras se os predadores seguirem as presas para as armadilhas ecológicas urbanas, ou se uma geração de presas foi dizimada sem se reproduzir.

A PLP também tem impacto na vida marinha: "Quando a luz dispersa passa através de um corpo transparente de pequenas presas aquáticas a sua polarização é alterada, aumentando o contraste visual. Os animais que se alimentam de plâncton detectam-no na coluna de água dessa forma, que de outra forma seria transparente."

Mas essa técnica de caça causa problemas quando esses animais encontram lixo no mar. "Lixo plástico na água é outra fonte de PLP e pode levar a que os animais consumam itens desadequados e potencialmente perigosos. As tartarugas comem regularmente plástico, especialmente os sacos transparentes, que têm uma assinatura de polarização semelhante à das suas presas habituais."

Apesar do crescente impacto sobre certas comunidades animais, os investigadores sugerem que os piores exemplos de PLP podem ser reduzidos. Recomendam a utilização de materiais de construção alternativos, cortinas brancas a janelas escuras ou marcas brancas na superfície das estradas.

Robertson diz que as descobertas da sua equipa oferecem aos conservacionistas uma forma alternativa de lidar com as espécies problemáticas, como insectos que destroem árvores. "Podemos ser capazes de criar enormes armadilhas de luz polarizada para reduzir as populações de besouros", sugeriu ele. 

 

 

Saber mais:

Frontiers in Ecology and the Environment

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