2009-01-15

Subject: Aves europeias que alcançam a América fazem pausa nos Açores

 

Aves europeias que alcançam a América fazem pausa nos Açores

 

 

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O ornitólogo português Luís Gordinho publicou este mês um artigo principal na maior revista técnica da sua área, a publicação americana Birding, em que fala sobre as aves dos Açores na perspectiva do ornitólogo norte-americano.

Neste artigo, o número de registos efectuados nos Açores das diferentes espécies de aves divagantes provenientes do continente Europeu é utilizado como um indicador das espécies que mais provavelmente poderão vir a aparecer na costa leste da América do Norte.

Para complementar o artigo principal publicado em papel na revista, existe um segundo artigo disponível apenas na Internet (“WebExtra”). Neste é apresentado um “estudo de caso” onde se particularizam os aspectos gerais discutidos no artigo principal. Concretamente, descreve-se em detalhe o primeiro registo da gaivota de Audouin nos Açores, efectuado pelo autor em 2005, e relaciona-se esse registo e as circunstâncias em que poderá ter ocorrido com a probabilidade de ocorrência futura da espécie na América do Norte.

O artigo principal e o complemento encontram-se disponíveis no portal Pluridoc e no sítio da American Birding Association .

Durante a última década, ornitólogos ingleses, suecos e alemães publicaram artigos sobre aves americanas nos Açores em diversas revistas europeias. A publicação desses artigos levou a um incremento do turismo ornitológico europeu nos Açores, permitindo ampliar o conhecimento existente sobre as aves que aí ocorrem e trazendo benefícios económicos que são nítidos em ilhas mais pequenas como o Corvo. 

O artigo agora publicado poderá colocar os Açores no mapa do turismo ornitológico americano, com consequências que só no futuro se poderão apreciar.

A revista americana Birding é a publicação bimensal sobre ornitologia de campo da American Birding Association. A respectiva tiragem é três vezes superior à das principais revistas técnicas europeias da mesma área, como British Birds, Birding World, Ornithos ou Dutch Birding.

O arquipélago dos Açores é bem conhecido do observador de aves europeu pelo elevado número de espécies norte-americanas que aí têm aparecido ao longo dos anos. O “reverso da medalha”, ou seja, as aves do Velho Mundo que divagam para ocidente até aos Açores, tem sido sistematicamente ignorado. 

Neste artigo, o número de registos efectuados nos Açores das diferentes espécies de aves divagantes provenientes do continente Europeu é encarado como um indicador das espécies que mais provavelmente poderão vir a aparecer na costa leste da América do Norte.

 

Para esse efeito, as 324 espécies de aves registadas nos Açores até 2007 (excluindo exóticas não naturalizadas) foram divididas em espécies residentes (sedentárias) e espécies que realizam movimentos dispersivos ou migratórios. 

A situação nos Açores das espécies da segunda categoria que não ocorrem regularmente na América do Norte é analisada em detalhe. Estas são classificadas em quatro subcategorias, de acordo com o tipo de ocorrência na América do Norte: Casual, Acidental, Prevista e Não Prevista.

A análise efectuada parece confirmar previsões anteriores, segundo as quais a gaivota-de-cabeça-preta Larus melanocephalus e a gralha-preta Corvus corone deverão estar entre as próximas espécies europeias a serem registadas na América do Norte. Adicionalmente, os nossos dados sugerem que a probabilidade de outras três espécies ocorrerem em breve na região Neárctica não é menor. São elas a felosa-comum Phylloscopus collybita, o colhereiro Platalea leucorodia e a garça-pequena Ixobrychus minutus.

Globalmente, pelo menos 96 das 288 espécies não nidificantes dos Açores devem ser oriundas do continente Europeu (>33%). As circunstâncias em que estas espécies europeias divagam até aos Açores são brevemente discutidas, dando-se ênfase a fenómenos como a deriva durante a migração, a sobre-migração, a associação a correntes marítimas e à frota pesqueira e a divagância assistida por barcos. 

Também são feitas algumas especulações em torno dos mecanismos através dos quais as mesmas espécies poderiam alcançar a América do Norte. No caso dos patos, garças e limícolas coloca-se a hipótese de espécies europeias acompanharem espécies neárcticas do mesmo grupo de regresso à área de origem destas.

Finalmente, com base em dados meteorológicos e fenológicos, conclui-se serem o Outono e o Inverno as alturas em que é mais provável que aves europeias divaguem até aos Açores. Em paralelo, com base em dados geográficos e fisiográficos, coloca-se a hipótese da Ilha de Santa Maria vir a ser uma espécie de Meca para os “caçadores” de aves europeias raras nos Açores.

 

 

Saber mais:

O Papel Desconhecido da Avifauna Aquática nos Habitats Naturais dos Açores

 

 

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