2009-01-10

Subject: Experiência de fertilização do oceano debaixo de fogo

 

Experiência de fertilização do oceano debaixo de fogo

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

PolarsternUm navio alemão de pesquisa carregado com 20 toneladas de sulfato de ferro está a originar uma tempestade de protestos à medida que navega para o Antárctico, onde tenciona despejar a sua carga no oceano.

Os cientistas do Polarstern, que partiu da Cidade do Cabo, África do Sul, a 7 de Janeiro, tencionam realizar uma experiência de fertilização do oceano que muito defendem violar a lei internacional. Eles, no entanto, dizem que a experiência vai fornecer os dados necessários a avaliar o impacto desta controversa técnica de geo-engenharia, que tem por objectivo capturar dióxido de carbono atmosférico ao estimular o crescimento de algas.

A equipa, composta por cerca de 50 cientistas alemães, indianos, italianos, espanhóis, chilenos, franceses e britânicos, dirige-se para uma pequena zona do Mar da Escócia entre a Argentina e a Península Antárctica, onde espera que o ferro induza um florescimento de algas. Como a região é geralmente pobre em nutrientes, os cientistas tencionam observar o crescimento e decomposição dos organismos com um detalhe sem precedentes durante as próximas oito semanas.

A experiência foi baptizada LOHAFEX, a partir do termo indiana loha, que significa ferro. Será o sexto estudo de fertilização do oceano realizada no oceano Antárctico desde 1993. As experiências anteriores, como a Experiência Europeia de Fertilização com Ferro (EIFEX) levada a cabo em 2004, indicaram que a fertilização com ferro pode ajudar a enviar mais materiais contendo carbono para as profundezas do oceano.

Se aplicada em todo o oceano Antárctico, estima-se que a fertilização do oceano possa remover até mil milhões de toneladas de carbono atmosférico todos os anos. Isso poderá, em teoria, ajudar a mitigar o aquecimento global mas os efeitos sobre os ecossistemas marinhos e a biodiversidade são incertos e a maioria dos peritos defende que a fertilização em larga escala dos oceanos não é cientificamente justificável actualmente.

Em resposta às preocupações ambientais generalizadas, os 191 participantes da Convenção sobre a Diversidade Ecológica das Nações Unidas do ano passado concordaram no estabelecimento de uma moratória sobre todas as actividades de fertilização dos oceanos, incluindo as tentativas de comercialização da fertilização com ferro.

Várias companhias nos Estados Unidos e Austrália tinham planeado sequestrar carbono desta forma, o que poderia depois ser vendido no mercado de créditos de carbono.

A Convenção recomendou que até que um "mecanismo de controlo global transparente e efectivo estivesse em acção para essas actividades", apenas estudos científicos em pequena escala e em águas costeiras poderiam decorrer.

Os activistas ambientais dizem que a LOHAFEX não devia ter recebido autorização para ser feita, de acordo com estas regras. A experiência decorre em 300 quilómetros quadrados, logo não é em pequena escala, nem confinada a águas costeiras, argumentam eles.

"Ficámos muito decepcionados com este flagrante desrespeito pela lei internacional", diz Mariam Mayet, directora do Centro de Biossegurança de Joanesburgo. "De todos os países, a Alemanha, que moderou a discussão sobre a moratória, voltou a atacar com a questão da fertilização do oceano."

 

Mayet tinha apelado com sucesso ao ministro do ambiente sul-africano para pedir à tripulação do Polarstern que descarregasse o seu sulfato de ferro ou, de alguma outra forma, impedisse o navio de deixar o porto da Cidade do Cabo, mas o Instituto Alfred Wegener de Investigação Polar e Marinha (AWI) de Bremerhaven, Alemanha, que opera o Polarstern, nega que a experiência esteja abrangida pela moratória das Nações Unidas.

O novo estudo vai dirigir-se, entre outros aspectos, à biologia marinha, ao fluxo de partículas carbonatadas e às questões de biodiversidade que praticamente nunca foram abordadas nas experiências anteriores, diz Karin Lochte, directora do AWI. "Estes são precisamente os dados de que precisamos para avaliar se a fertilização do oceano em larga escala é, ou não, justificada."

A experiência vai decorrer perto da Ilha da Geórgia do Sul, a localização precisa dependente das condições climatéricas e da localização dos turbilhões oceânicos, diz Lochte.

O ministro do ambiente alemão foi informado sobre a experiência e também não levantou qualquer objecção, acrescenta ela. O governo da Índia, que co-financia a viagem, também foi devidamente informado e aprovou a experiência.

Num workshop que decorreu no ano passado na Woods Hole Oceanographic Institution do Massachusetts, peritos em políticas marinhas estimaram que o valor potencial da fertilização do oceano pode chegar aos US$100 mil milhões do mercado internacional emergente do comércio de carbono mas os projectos de fertilização ainda não estão aprovados de acordo com nenhum esquema regulatório de créditos de carbono.

Victor Smetacek, oceanógrafo biológico do AWI e cientista-chefe na expedição, diz que a experiência não tem como objectivo facilitar o caminho para os projectos comerciais. "Em vista da controvérsia corrente em relação à fertilização do oceano com ferro, é preciso distinguir as experiências científicas legítimas, como a nossa, de truques publicitários que fazem parte de tentativas de comercialização da fertilização com ferro para o mercado de créditos de carbono." 

A equipa espera atingir o local da experiência no espaço de poucos dias. 

 

 

 

Saber mais:

Convenção sobre a Diversidade Biológica

LOHAFEX

Convenção desencoraja 'fertilização' do oceano

Misturar os oceanos para reduzir o aquecimento global

Só a 'mãe natureza' é que sabe fertilizar o oceano

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2009


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com