2009-01-06

Subject: Torpor essencial à sobrevivência no Inverno

 

Torpor essencial à sobrevivência no Inverno

 

 

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Um estado de dormência conhecido por torpor pode ser tão importante como a hibernação na ajuda à sobrevivência dos pequenos mamíferos durante os frios Invernos.

Sabe-se que muitos pequenos animais dependem do torpor, um estado algures entre o sono e a hibernação total, em que a temperatura do corpo dos animais cai significativamente.

Alguns mamíferos conseguem reduzir o seu consumo de energia em mais de 90% com a hibernação mas o torpor diário apenas alcançava uma redução de 30%, ou assim se pensava. Esta estimativa baseava-se largamente em estudos laboratoriais e alguns investigadores achavam mesmo que o torpor pouco mais seria que uma técnica de conservação de energia de última instância, raramente usada por animais na natureza.

Os zoólogos Gerhard Körtner e Fritz Geiser, da Universidade da Nova Inglaterra em Armidale seguiram, agora, o comportamento do rato-marsupial de face listrada Sminthopsis macroura no seu habitat natural no Parque Nacional Astrebla Downs em Queensland, Austrália. O torpor diário, relatam eles na última edição da revista Naturwissenschaften, é uma parte essencial da estratégia de sobrevivência ao Inverno deste marsupial.

O estudo "aprofundado e impressionante" mostra que "o que temos vindo a observar no laboratório subestima significativamente o que se passa na natureza", diz o biólogo James Staples, da Universidade do Ontário em Londres, Canadá.

Astrebla é uma paisagem desértica, seca, ventosa e rochosa, diz Körtner. "É completamente plano, não há uma colina à vista, não há uma árvore ou um ser humano no espaço de centenas de quilómetros." 

Por isso, depois de carregar toda a comida que cabia no seu camião, ele passou dois períodos de 4 semanas a observar os ratos-marsupiais durante o Inverno australiano, com temperaturas de 36 ºC diurnos e noites de congelar. Colocou monitores da temperatura corporal muito leves e equipados com rádio transmissão a oito ratos-canguro selvagens, para seguir a sua utilização do torpor.

Ao contrário do observado nas experiências laboratoriais, os ratos-marsupiais de Astrebla entravam em torpor quase todas as noites, apenas um animal não o fez e apenas por uma noite. 

 

Mais importante ainda, descobriu que a duração e a profundidade do torpor dependiam da temperatura do ar, ou seja, os animais permaneciam entorpecidos mais tempo e com temperaturas corporais mais baixas nas noites mais frias. Ao todo, o seu torpor rondava em média as 11 horas por dia na natureza, o dobro da média em laboratório.

A equipa calcula que os ratos-marsupiais consigam reduzir o seu gasto de energia até 90% usando o torpor diário, alcançando o mesmo benefício que outros mamíferos obtêm pela hibernação. "Não é um comportamento de emergência", diz Körtner. "É muito importante para a sobrevivência destes animais."

A acentuada diferença entre os animais de laboratório e os selvagens salienta a dificuldade que é a simulação das condições naturais em laboratório, diz Körtner, não apenas devido às dificuldades em obter aprovação ética para expor os animais regularmente a extremos de temperatura e a escassez de alimentos como as existentes nos habitats naturais.

Até agora, os estudos de campo têm sido difíceis de realizar porque os animais que utilizam o torpor são pequenos (na natureza os ratos-marsupiais pesam menos de 20 gramas) e deslocam-se muito. No entanto, estes obstáculos podem agora ser ultrapassados com os transmissores de baixo peso, diz Körtner.

Apenas futuros estudos de campo dirão se outros animais também dependem do torpor como estratégia de sobrevivência regular. "Aposto que veremos este padrão repetido mas os dados de campo ainda não existem", diz Staples.

 

 

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