2008-12-29

Subject: Presas sexy levaram a novas espécies de baleia?

 

Presas sexy levaram a novas espécies de baleia?

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Os dois dentes encaracolados presentes nos machos das baleias-de-bico evoluíram para atrair as fêmeas e combater outros machos, revela um novo estudo agora conhecido.

A aparente atracção das baleias-de-bico fêmea pelas presas dos machos pode ter levado ao desenvolvimento de uma nova espécie.

As invulgares presas, que surgem no lado externa da boca dos machos, têm intrigado os cientistas dado que não servem para a captura de presas, diz o co-autor do estudo Scott Baker, director-associado do Instituto de Mamíferos Marinhos da Universidade Estatal do Oregon. "Até agora, o objectivo das presas das baleias-de-bico tinha sido um mistério."

As baleias-de-bico e os narvais são as únicas espécies de cetáceos com presas, revela Baker. No narval, a presa única que faz lembrar um unicórnio é um dente superior modificado, enquanto as presas pares das baleias-de-bico são dentes inferiores modificados.

Depois de usar amostras de DNA para reconstruir as relações evolutivas entre 13 das 14 espécies conhecidas de baleias-de-bico, Baker e o autor principal do estudo Merel Dalebout, da Universidade da Nova Gales do Sul, Austrália, consideram que as presas podem ajudar as fêmeas a identificar os machos membros da sua espécie para acasalar.

A descoberta foi publicada na edição de Dezembro da revista Systematic Biology.

As populações existentes de baleias-de-bico podem ser encontradas em praticamente todos os oceanos e Dalebout e Baker ainda em 2002 descobriram uma nova espécie.

Estas baleias raras são ainda misteriosas pois passam a maior parte do tempo a grande profundidade, em busca de alimento (principalmente lulas), que chupam como aspiradores.

"Há várias espécies de baleias-de-bico que só são conhecidas através de um punhado de espécimes que deram à costa e algumas delas nunca foram observadas vivas", explica Dalebout.

Robert Pitman, biólogo marinho da NOAA, não participou na investigação relativa às presas mas estudou recentemente o que pode muito bem ser uma nova espécie de baleia-de-bico ao largo da ilha Palmyra, no Pacífico.

"Para quem está interessado na evolução dos cetáceos, o problema que causa mais perplexidade sempre foi 'porque existem tantas espécies de baleias-de-bico?'", diz ele. Por exemplo, apenas existem três espécies conhecidas de baleias-francas.

 

Baker e Dalebout, usando amostras de DNA de baleia, dispuseram-se a responder a essa pergunta analisando até que ponto divergem e estão geograficamente isoladas as espécies relacionadas de baleias-de-bico.

"Quando as populações se tornam isoladas, espera-se que se adaptem a diferentes nichos e divirjam, ou seja, o isolamento geográfico leva à especiação", diz Baker. Mas no oceano, essas barreiras geográficas estão ausentes e outras forças, como a selecção sexual, podem estar envolvidas na formação de novas espécies.

No caso das baleias-de-bico, a equipa de Baker notou que as presas frequentemente diferem entre espécies fortemente aparentadas, particularmente quando a sua disposição geográfica se sobrepõe.

Os investigadores colocaram a hipótese de que os dentes de grande dimensão das baleias terão evoluído ao longo do tempo para ajudar as fêmeas a distinguir os machos das diferentes espécies. "Os machos das baleias-de-bico de diferentes espécies são muito semelhantes em tamanho e aparência", diz Baker. "Estes dentes são uma espécie de ornamento ou sinal para benefício das fêmeas."

Pitman acrescenta: "A selecção sexual pode ser um motor importante para a inovação evolutiva, penso que Dalebout et al. tocaram aqui num ponto importante." No entanto, não acredita que os animais dependam de sinais visuais para se encontrarem. "Trata-se de animais acústicos, que passam talvez 99% do seu tempo na escuridão total."

Os machos também utilizam as presas para infligir uns aos outros padrões de cicatrizes, o que pode ser outra forma de selecção sexual, explica Baker, mas dirigida para os machos competidores e não para a atracção das fêmeas.

"Ninguém realmente observou essas batalhas", diz Pitman. "Presumivelmente acontecem nas profundezas. Infelizmente, estas baleias raras enfrentam cada vez mais ameaças", diz Dalebout. Desde a ingestão de plásticos a ficarem presas em equipamentos de pesca ou a serem vítimas de poluição sonora, as baleias-de-bico têm um duro caminho pela frente. 

 

 

Saber mais:

Baleias-de-bico

Oceanos demasiado ruidosos para as baleias

Mais de 4 mil baleias mortas sem justificação

Alarme perante o declínio do narval

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2008


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com