2008-12-27

Subject: Bizarras técnicas sexuais das lulas reveladas

 

Bizarras técnicas sexuais das lulas reveladas

 

 

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Uma nova investigação sobre o comportamento sexual das lulas de águas profundas revelou uma enorme variedade de técnicas de acasalamento bizarras.

Os encontros íntimos dos cefalópodes incluem abrir buracos nos parceiros em busca de sexo, trocar de género e libertar espermatozóides capazes de penetrar na carne.

Estas e outras anteriormente desconhecidas técnicas reprodutoras foram documentadas num estudo de dez espécies de lula que vivem um pouco por todo o mundo a profundidades entre os 300  e os 1200 metros.

O líder do estudo Henk-Jan Hoving, estudante de doutoramento da Universidade de Groningen, Holanda, examinou lulas capturadas durante viagens de pesquisa e espécimes preservados em museus.

As descobertas de Hoving sugerem que os machos da espécie bioluminescente Taningia danae usam os bicos e garras afiados para abrir ferimentos com 5 cm de profundidade nos seus parceiros. Os espermatóforos são depois inseridos nos golpes infligidos na fêmea com a ajuda de um apêndice tipo pénis.

Já os machos da espécie Moroteuthis ingens produzem espermatóforos que, uma vez depositados sobre uma fêmea, se enterram na carne. "Os espermatóforos penetram na pele independentemente", diz Hoving. "Provavelmente fazem-no com a ajuda de uma substância enzimática que dissolve os tecidos."

O estudo também identificou a primeira lula transexual, a espécie Ancistrocheirus lesueurii. Alguns machos desta espécie analisados neste estudo não só pareciam animais do sexo oposto em dimensão e aparência, como tinham desenvolvido gónadas femininas.

 

Uma explicação possível é que os machos se façam passar por fêmeas para alcançarem sem serem detectados as potenciais parceiras, diz Hoving. Uma explicação alternativa pode ser a existência na água de resíduos de pílulas contraceptivas humanas ou de outros poluentes que alteram o sexo dos indivíduos, que já se sabe que afectam os peixes e os anfíbios. Estudos anteriores já tinham sugerido que "químicos contaminantes estavam lentamente a penetrar na cadeia alimentar de profundidade", salienta Hoving.

Outra surpresa foi o primeiro caso registado de uma lula que fecunda os seus óvulos internamente. Num processo ainda largamente misterioso, as fêmeas costumam libertam os seus óvulos para a água, onde são fertilizados pelos espermatozóides deixados no seu corpo pelos machos. Mas as fêmeas da pequena lula Heteroteuthis dispar têm uma câmara interna de armazenagem de espermatozóides ligada aos oviductos.

"A postura e a fertilização são geralmente externas nas lulas mas esta espécie sugere que podem ser internas", diz Hoving. "Os espermatozóides são capazes de migrar em direcção aos ovos antes destes deixarem o corpo."

O perito em lulas Vladimir Laptikhovsky, investigador de pescas para o governa das Ilhas Falkland Islands, descreve esta situação como "uma descoberta espantosa". Laptikhovsky, que colaborou com Hoving em estudos semelhantes, diz que "a fertilização interna ocorre em polvos mas em lulas ... é a primeira vez que tal foi registado. Ninguém estava à espera de uma novidade evolutiva como esta".

Mike Vecchione, do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian de Washington, D.C., apelidou a descoberta desta situação de fertilização interna "incrível". A descoberta da lula macho com características femininas também é "completamente nova".

É frequente encontrar-se estratégias reprodutoras estranhas em animais de grandes profundidades, salienta Vecchione. "Por exemplo, há espécies de tamboril em que os machos são basicamente parasitas da fêmea. O macho detecta a fêmea pelo olfacto, morde-a e transforma-se num saco de esperma parasita. O mar profundo é um ambiente alienígena, enorme e muito difuso, onde encontrar um parceiro e mantê-lo até à fecundação é um verdadeiro desafio", acrescenta ele. 

 

 

Saber mais:

Lulas têm lanterna de bolso incorporada

 

 

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