2008-12-21

Subject: Pessoas continuam dispostas a torturar

 

Pessoas continuam dispostas a torturar

 

 

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Décadas depois de uma famosa e controversa experiência, os cientistas descobriram que voluntários submetidos a um teste continuam dispostos a infligir dor a outros, desde que lhes seja ordenado por uma figura de autoridade.

Investigadores americanos repetiram o famoso "teste Milgram", em que voluntários recebem ordem para aplicar choques eléctricos a outro voluntário, desempenhado por um actor.

Mesmo após gritos encenados de dor, 70% dos voluntários mostraram-se dispostos a aumentar a voltagem, descobriu o estudo da American Psychology. Ambos os estudos podem ajudar a perceber como pessoas aparentemente vulgares sã capazes de cometer verdadeiras atrocidades.

O trabalho de Stanley Milgram, da Universidade de Yale, foi publicado em 1963 e nele foram recrutados voluntários para ajudar a realizar uma experiência médica, sem que qualquer um deles estivesse consciente de que eram, na realidade, os sujeitos do teste.

Um "cientista" instruía-os a aplicar um choque eléctrico de cada vez que um actor desse uma resposta errada a uma dada questão. Quando o choque de 150 volt, que era a fingir, era aplicado, o actor gritava de dor mas ainda assim, quando lhes era pedido, mais de oito em cada dez voluntários estava preparado para aplicar mais choques, mesmo que a "voltagem" era gradualmente aumentada três vezes.

Alguns voluntários chegaram a continuar a aplicar choques de 450 volt mesmo quando já não havia resposta por parte do actor, sugerindo que estava inconsciente ou morto.

Jerry Burger, da Universidade de Santa Clara, utilizou um formato semelhante, ainda que ele não permitisse aos voluntários ultrapassar os 150 volts depois de eles terem mostrado a sua disposição de o fazer, sugerindo que a perturbação causada aos voluntários originais teria sido demasiado grande.

Mais uma vez, no entanto, a vasta maioria dos 29 homens e 41 mulheres que participaram revelaram-se dispostos a carregar no botão sabendo que causariam dor a outro ser humano.

 

Mesmo quando o actor entrava na sala e questionava o que se passava, a maioria continuava a mostrar-se preparada para continuar.

"O que descobrimos é a validação do mesmo argumento, se colocarmos as pessoas em certas situações elas vão agir de forma surpreendente e muitas vezes perturbadora."

Segundo Burger, não é que os voluntários tivessem "algo errado", mas quando colocados sob pressão, as pessoas fazem frequentemente coisas "perturbadoras".

Ainda que seja complicado traduzir trabalho laboratorial para o mundo real, Burger considera que pode talvez explicar o motivo porque, em tempos de conflitos, as pessoas participam em genocídios.

Abigail San, psicóloga clínica, também reproduziu recentemente a experiência para um documentário da BBC que será transmitido em breve, permitindo que os voluntários atingissem os 450 volt, mais uma vez descobrindo o mesmo resultado que Milgram.

"Não é que estas pessoas não sejam boas pessoas, há uma influência social enorme a decorrer." Ela refere que é pedido aos voluntários que desempenhem uma tarefa complexa para ajudar na investigação científica e ficam completamente focados nisso, sem margem para pensar no sofrimento da pessoa que recebe o choque.

"Há uma tendência para o voluntário ficar fortemente identificado com o experimentador, logo muito integrado e distraído pela investigação. Não há oportunidade para se perguntarem 'Qual é a minha posição moral sobre isto?'"

 

 

Saber mais:

Milgram - o estudo original

 

 

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