2008-12-20

Subject: Glaciares suíços recuam a velocidade alucinante 

 

Glaciares suíços recuam a velocidade alucinante 

 

 

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Rhone Glacier (Huss et al)

Os glaciares suíços estão a derreter a uma velocidade cada vez maior e muitos irão mesmo desaparecer este século se as projecções climáticas estiverem correctas, sugerem dois novos estudos agora conhecidos.

Uma avaliação descobriu que cerca de 10 Km3 de gelo foram perdidos por 1500 glaciares ao longo dos últimos nove anos, enquanto o outro estudo, baseado numa amostra de 30 glaciares representativos, indica que os membros desse grupo estão a perder um metro de espessura todos os anos. Ambos os estudos têm origem no Instituto Federal Suíço de Tecnologia.

"A tendência é negativa mas o que observamos é que a tendência está mesmo a acentuar-se", diz Matthias Huss, do Laboratório de Hidráulica, Hidrologia e Glaciologia da Universidade de Zurique. "Os glaciares estão a começar a perder massa cada vez mais rapidamente."

O recuo está a ser conduzido principalmente por estações de degelo cada vez mais prolongadas. O outro factor chave na saúde dos glaciares, a quantidade de queda de neve no Inverno que substitui o degelo, não revela alterações a longo prazo.

Os dois estudos estão a ser apresentados no encontro da American Geophysical Union e não são os primeiros a avaliar o estado dos glaciares suíços mas são dos maiores alguma vez realizados.

Num deles, Daniel Farinotti tentou avaliar o volume total de gelo dos glaciares suíços, 1500 deles, desde o poderoso Aletschgletscher (o maior glaciar alpino) aos pequenos campos de gelo que cobrem menos de 3 Km3 .

A investigação utilizou medições directas quando estavam disponíveis e combinou-as com modelos para estimar os volumes de gelo para os locais onde os dados eram insuficientes.

A avaliação revelou um volume total de gelo presente nos Alpes suíços de cerca de 75 Km3 por volta de 1999 (uma data base para os objectivos do estudo), um número superior ao que antes se calculava.

"No entanto, 1999 já é uma data antiga logo o que fizemos foi tentar calcular o volume de gelo perdido desde esta data base e estimámos um número de 13%, perdido desde 1999 até agora", explica Farinotti.

Para 2003, ano recordado pela forte onda de calor que varreu a Europa, a equipa estima que 3 a 4% do volume de gelo suíço na altura tenha sido perdido, apenas num ano.

De acordo com Farinotti, o seu estudo salienta a importância dos grandes glaciares como reservatórios de gelo: mais de 80% do volume total de gelo está armazenado nos 50 maiores glaciares. 

"O Aletschgletscher, por exemplo, tem cerca de 12% da área dos glaciares suíços mas contém cerca de um quarto de todo o gelo existente na Suíça. O que realmente é importante é que quantidade de gelo temos nos grandes glaciares, pois os mais pequenos vão desaparecer, parece claro. Para eles é apenas uma questão de alguns anos mas para glaciares como o Aletsch que têm grande quantidade de gelo, ainda resistirão décadas."

O estudo de Huss usa uma abordagem ligeiramente diferente. Considera apenas um grupo de 30 glaciares, que representam todas as dimensões, tipos e localizações. 

Novamente, é usada uma mistura de dados directos e modelos, com a qual os cientistas analisaram as tendências de massa entre 1900 e 2007.

 

O declínio de quatro glaciares suíços desde 1860

Four Swiss glaciers (BBC)

Os quatro glaciares aqui representados diferem em tipo, dimensão, localização e zona climática. A avaliação foi agora estendida a 30 glaciares.

Área coberta pelos glaciares: Aletsch: 83.01 km2; Rhone: 16.45 km2; Gries: 5.26 km2; Silvretta: 2.89 km2 . São visíveis no gráfico fases distintas de crescimento (I & III) e de perda acentuada de gelo (II & IV) inseridas numa tendência geral de declínio ao longo de todo o período. O balanço cumulativo de massa é dado em "metros de equivalente de água". Essencialmente regista as alterações globais de espessura nos glaciares: Aletsch: -65m; Rhone: -43m; Gries: -97m; Silvretta: -35m

Ao longo deste período, há uma tendência significativamente negativa. Não é linear, no entanto: existem dois períodos distintos de ganho de massa dos glaciares e mesmo um outro na década de 40 em que os glaciares perderam massa ainda mais rapidamente que actualmente, mas de modo geral há um recuo. Nos últimos 30-50 anos, o recuo tem vindo a acelerar.

Huss aplicou projecções climáticas futuras ao glaciar Rhone, de 10 Km de comprimento, ou seja, um glaciar mediano em termos suíços. "O glaciar Rhone vai desaparecer no espaço de 100 anos. Primeiro começa a recuar lentamente, até por volta de 2050, mas depois acelera muito. Isso significa que os pequenos glaciares, a maioria dos que existem, terão desaparecido no final deste século."

Os glaciares suíços são ícones mas o seu recuo é bem mais do que um problema turístico, a sua perda terá impacto profundo nos ecossistemas e na economia.

"Os glaciares armazenam água no Inverno e libertam-na no Verão, quando está seco e quente e a sua necessidade aumenta. Também o fazem em anos húmidos e frios e libertam-na nos anos quentes e secos, são um reservatório de água importante. Na zona sudoeste da Suíça quase toda a água dos glaciares é temporariamente armazenada e usada para a produção de energia. Mais de metade da electricidade consumida na Suíça é produzida por barragens."

A investigação liderada por Huss constrói o seu trabalho sobre estudos publicados na revista Journal of Geophysical Research ao longo deste ano. A investigação liderada por Farinotti foi apresentada para publicação às revistas Journals of Glaciology e Journal of Global and Planetary Change.

 

 

Saber mais:

Instituto Federal Suíço de Tecnologia

Encontro AGU 2008

Glaciares com reduções recorde

 

 

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