2008-12-19

Subject: Impacto das alterações climáticas depende do carvão

 

Impacto das alterações climáticas depende do carvão

 

 

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Para que o crescimento das emissões de dióxido de carbono seja contido e depois invertido, o mundo não se pode dar ao luxo de assistir a um renascimento do carvão, dizem os cientistas.

Alguns comentadores defendem que a queda das reservas de petróleo e gás natural vai automaticamente limitar a subida do teor de dióxido de carbono na atmosfera mas, no encontro da American Geophysical Union, investigadores consideraram que as reservas de carvão são muito superiores às dos restantes combustíveis fósseis.

É mesmo possível que o desaparecimento do petróleo desencadeie uma aceleração das emissões através do aumento da utilização de carvão, acrescentaram.

"Podemos substituir o petróleo por combustíveis líquidos derivados do carvão", diz Ken Caldeira, da Instituição Carnegie da Universidade da Califórnia. "Mas estes combustíveis líquidos emitem ainda mais dióxido de carbono que o petróleo, logo o fim do petróleo pode significar um aumento da utilização do carvão e ainda mais dióxido de carbono emitido para a atmosfera e consequências perigosas das alterações climáticas a surgirem mais rapidamente."

A equipa de Caldeira usou modelos climáticos e do ciclo do carbono para analisar a forma como as emissões futuras e as projecções de temperatura possam seriam alteradas por diferentes estratégias de combustíveis.

A equipa tentou decifrar quais seriam os efeitos máximos que surgiriam se se substituísse o petróleo por substitutos líquidos à base de carvão ou inteiramente por fontes renováveis de energia.

A avaliação descobriu que se forem adoptados os combustíveis líquidos derivados do carvão a Terra deve atingir a subida de 2ºC acima do nível pré-industrial (um valor frequentemente apontado como sendo o tecto desejável para que sejam evitadas as "alterações climáticas perigosas") em 2042, ou seja, três anos mais depressa do que se mantivesse tudo na mesma com o petróleo. Se a estratégia das energias renováveis for adoptada, o valor de 2ºC não seria atingido antes de 2056.

"Claramente, para lidarmos com a questão das alterações climáticas temos que lidar com a questão do carvão", diz Caldeira. 

A sua avaliação é partilhada por Pushker Kharecha, do Instituto Goddard da NASA para Estudos Espaciais (GISS). "Não podemos avançar para as coisas como carvão para líquido e combustíveis fósseis menos convencionais, como os hidratos de metano, areias de alcatrão, xisto petrolífero, etc.  Se se tornam substitutos em larga escala do petróleo e do gás, isso só irá piorar as coisas pois são muito mais sujos que o petróleo e produzem mais emissões por unidade de energia obtida."

 

Kharecha apresentou pesquisas recentes que analisaram a possibilidade de não apenas reduzir o crescimento das emissões de dióxido de carbono mas também reduzir a sua concentração na atmosfera a 350 partes por milhão e por volume  (actualmente existem 385 ppmv). Elas revelam que é possível mas apenas com uma moratória sobre novas utilizações de carvão que não capture CO2 e acabar gradualmente com as emissões existentes até 2030.

A reflorestação e a melhoria das práticas agrícolas podem ajudar a diminuir o CO2. "A eficiência e a conservação têm um enorme potencial de redução das emissões a curto prazo e a médio e longo prazo podemos focar-nos em passar a alternativas como as energias renováveis. Um olhar equilibrado sobre o nuclear também pode ser importante pois dá muito mais benefícios do que problemas potenciais."

A análise agora conhecida coloca as reservas totais globais de carvão nas 662 mil milhões de toneladas, um número substancialmente inferior que o que surgia em avaliações do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) quando avaliou cenários futuros de emissões.

"Este é um número radicalmente diferente do que convencionalmente se assumia", diz David Rutledge, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que liderou a análise. "O IPCC assume cerca de cinco vezes mais carvão está disponível para queima."

Mas os cientistas neste encontro dizem que mesmo se for queimado, mesmo esta quantidade inferior de carvão irá alterar radicalmente o clima, a não ser que as emissões sejam capturadas e armazenadas. "Há mais do que suficiente carvão utilizável, bem como outros combustíveis fósseis, para nos empurrar para além do limiar que não queremos ultrapassar com o clima", diz Kharecha.

 

 

Saber mais:

NASA - GISS

Instituto de Tecnologia da Califórnia

IPCC

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