2008-12-17

Subject: Aquecimento árctico desencadeia degelo recorde

 

Aquecimento árctico desencadeia degelo recorde

 

 

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Um degelo recorde no norte da Groenlândia e a libertação generalizada de metano a partir de depósitos congelados ao largo da costa siberiana sugerem que grandes alterações estão a varrer o Árctico, dizem os investigadores.

As observações recentes, relatadas a 16 de Dezembro no encontro de Outono da American Geophysical Union em San Francisco, Califórnia, surpreenderam os cientistas que, ainda que habituados às alterações árcticas, não esperavam vê-las de forma tão dramática ao longo do último ano.

"Há cinco anos, não tinha a certeza de que isto fosse tão sério mas agora tenho a certeza e acho que devemos alertar as pessoas", diz Igor Semiletov, da Universidade do Alasca em Fairbanks, cientista-chefe do Estudo Internacional da Plataforma Siberiana, uma expedição oceanográfica que analisou toda a costa siberiana este Verão. O estudo encontrou metano a borbulhar do fundo do mar sobre centenas de quilómetros quadrados nos mares Laptev e do leste siberiano.

Medidas na água indicam que a concentração de metano eram 200 vezes maiores que os níveis de fundo, diz ele. Em estudos anteriores na década de 90, Semiletov não encontrou essas libertações significativas de metano. "Com base nos dados mais recentes, sugerimos que o aumento da libertação de metano provém da plataforma árctica do leste da Sibéria."

O metano é um potente gás de efeito de estufa e os cientistas estimam que a permafrost árctica, tanto em terra como no mar, pode conter triliões de toneladas de metano armazenado sob a forma de gases hidratados congelados. A permafrost submersa está no limiar do degelo e as temperaturas do ar na zona têm aumentado até 5ºC na última década. "Não sabíamos que este poço enorme de carbono era tão vulnerável."

O impacto dessa libertação de metano permanece desconhecido. Neste momento, os investigadores não têm dados suficientes para dizer que há metano a escapar em quantidade suficiente de forma a afectar o globo, diz Edward Brook, da Universidade do Oregon em Corvallis.

Brook também apresentou um estudo no encontro, onde conclui que uma libertação catastrófica de metano não deve ocorrer este século, ainda que projecte que as alterações climáticas acelerem as emissões de metano a partir de hidratos. O estudo apela a uma maior vigilância do metano atmosférico para determinar se há alterações bruscas.

 

Do outro lado do Árctico, a Groenlândia também tem mantido os investigadores ocupados este Verão, com as medições por satélite a revelarem degelo recorde ao longo da margem norte da sua calote gelada. 

Na maioria dos Verões, as temperaturas sobem o suficiente para permitir o degelo em média em apenas 10 a 15 dias mas em 2008, o período de degelo chegou aos 35 dias. "É um lugar onde não se espera encontrar este degelo extremo pois é a zona mais a norte", diz Marco Tedesco, do City College de Nova Iorque, que analisou dados de microondas recolhidos por um satélite meteorológico de defesa.

O degelo recorde também ocorreu no Verão passado ao longo da orla sudoeste da Groenlândia, diz Tedesco. As alterações em 2008 marcam a continuação de rápidas alterações climáticas na zona nos últimos anos. Estimativas baseadas em medidas de satélite de toda a calote de gelo sugerem que a ilha está a perder centenas de biliões de toneladas de gelo por ano, como no caso do segmento de 29 quilómetros quadrados do glaciar Petermann que se partiu este Verão.

"Estamos a ver a emergência da amplificação árctica do que temos projectado", diz Julienne Stroeve, do Centro Nacional de Dados de Neve da Universidade do Colorado em Boulder.

Os modelos climáticos projectaram que os gases de efeito de estufa devem aquecer o Árctico muito mais e mais rapidamente que o resto do mundo devido ao facto de a perda de gelo marinho permitir que o calor penetre nos oceanos, subindo as temperaturas regionais e causando mais degelo. Em 2007 a quantidade de gelo marinho de Verão caiu para um nível baixo recorde e em 2008 esse recorde quase foi batido.

 

 

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