2008-12-14

Subject: Falha de vacina explicada

 

Falha de vacina explicada 

 

 

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Um falhanço catastrófico de uma vacina que acabou por originar a morte de duas crianças podia ter sido evitado se adjuvantes, moléculas químicas que aprimoram o sistema imunitário, tivessem sido adicionadas à vacina.

Em 1966, uma vacina contra o vírus respiratório sincicial (RSV), um vírus que infecta quase todas as crianças antes de fazerem dois anos, foi testada nos Estados Unidos.

Os testes tiveram consequências trágicas pois as crianças não ficaram protegidas, muitas delas contraíram na mesma o RSV, sofreram sintomas mais graves que o habitual, muitas tiveram que ser hospitalizadas e duas morreram em resultado destes sintomas acentuados. Uma vacina segura ainda não foi encontrada até hoje.

Estudos posteriores revelaram que a formalina, um produto químico usado para 'matar' os vírus durante o processo de fabrico das vacinas, deformou o vírus, sugerindo que o falhanço seria devido em grande parte à formação de anticorpos inadequados.

Mas Fernando Polack, da Universidade Johns Hopkins de Baltimore, Maryland, não ficou convencido. "Tinha que haver algo mais que o efeito da formalina."

Polack suspeitava de que a maturação por afinidade, o processo pelo qual os anticorpos se afinam para detectar antigénios específicos, podia estar envolvida.

Para testar a sua ideia, Polack analisou a infecção pelo RSV em dois grupos de ratos. A um grupo tinham sido removidos os nódulos linfáticos, afectando o sistema imunitário de forma a que a maturação não pudesse ocorrer. Foram inoculados com o vírus activo, que não tinha sido deformado pela formalina.

No outro grupo, examinou o que tinha acontecido quando os ratos eram protegidos com uma vacina inactivada com formalina, semelhante à vacina que foi usada em 1966, mas que tinha sido afinada com agonistas receptores do tipo Toll (TLR), adjuvantes que aumentam a maturação por afinidade.

Quando a maturação por afinidade foi bloqueada, os ratos não desenvolveram anticorpos protectores contra a infecção, mas quando a maturação foi quimicamente estimulada os ratos não sofreram os sintomas aumentados da doença que marcaram o falhanço de 1966.

 

Polack conclui no seu artigo publicado na revista Nature Medicine que a vacina de 1966 não gerou anticorpos protectores porque o sistema imunitário não tinha sido adequadamente estimulado. Mais ainda, se os agonistas TLR tivessem sido adicionados à vacina, o falhanço teria sido evitado. Infelizmente, não se sabia dos TLR em 1966, explica Polack.

"As descobertas de Polack encaixam numa tendência na industria das vacinas de usar bons adjuvantes", diz Peter Openshaw, director do Centro de Infecções Respiratórias do Imperial College de Londres. "Ele mostra que se podem fazer melhores vacinas ao ser selectivo acerca dos tipos de percurso imunitário que activamos."

As descobertas, no entanto, não vão imediatamente acabar com a caça à vacina eficaz contra esta doença, que já dura há 40 anos.

Ultan Power, que trabalha com o RSV na Universidade Queen de Belfast, alerta para "o cuidado que se deve ter na escolha do agonista TLR", pois uma escolha errada também pode provocar o falhanço da vacina. "Por causa do que aconteceu na década de 60 há muitos receios para alguém correr o primeiro risco."

Enquanto vários grupos continuem a trabalhar no desenvolvimento de vacinas que previnam o RSV, os médicos têm um recurso muito dispendioso, o Synagis (palivizumab), uma terapia por anticorpos produzida pela companhia de biotecnologia MedImmune.

Infelizmente, um tratamento de Synagis custa cerca de US$5000, diz Openshaw, logo só é administrado a bebés de alto risco, como os prematuros, em que os seguros médicos americanos cobrem os custos. "A MedImmune tem feito quantidades enormes de dinheiro à custa do Synagis", diz Openshaw.

"Algumas vacinas surgiram facilmente mas o do RSV está complicada", diz Polack. Mas, acrescenta ele, é urgente a descoberta de uma vacina contra esta doença. 

 

 

Saber mais:

Universidade Johns Hopkins

Synagis

 

 

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