2008-12-12

Subject: Censos de fauna e flora podem ter falhas

 

Censos de fauna e flora podem ter falhas

 

 

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Uma das técnicas mais comuns de diagnosticar a saúde ecológica de uma região pode ser pintar uma imagem pouco rigorosa sobre a sua biodiversidade, sugere um estudo sobre morcegos na minúscula ilha de Montserrat.

Para compreender a ecologia de uma área, é frequente que as entidades financiadoras peçam aos investigadores que realizem um pequeno censo, conhecido por avaliação rápida da biodiversidade.

Esses censos são convenientes: encaixam com facilidade nos típicos 3 a 5 anos necessários a um doutoramento, são perfeitos para o intervalo de tempo em que as entidades financiadoras ou que atribuem bolsas esperam ver resultados e são relativamente rápidos de escrever e publicar.

No entanto, um estudo que está a decorrer em Montserrat está a fornecer dados que sugerem que esses censos de curta duração podem nem sempre fornecer uma imagem rigorosa.

Montserrat foi devastada pelo furacão Hugo em Setembro de 1989, causando a desflorestação de toda a ilha. O ecologista Scott Pedersen, da Universidade do Dakota do Sul em Brookings, capturou alguns morcegos da ilha em redes antes e depois do furacão e descobriu uma diminuição de dez vezes na população. Também notou que a composição da comunidade de morcegos tinha passado de uma espécie pequena e comedora de fruta para uma espécie maior e mais omnívora.

Mais de 30 anos de utilização do mesmo método de captura com redes e análise da população de morcegos permitiram a Pedersen observar no mínimo quatro espécies e no máximo dez espécies em qualquer dado momento. A descoberta, diz ele, mostra que os censos rápidos podem induzir os ecologistas em erro.

"Várias espécies parecem aparecer e desaparecer e pergunto-me se isso será devido a migração. Mas não é, tal como não é extinção. O que realmente se passa é que as populações flutuam ao longo do tempo, logo algumas tornam-se suficientemente raras para serem 'temporariamente invisíveis' à nossa tecnologia. Se se trata disso no nosso sistema tamanho de bolso, então nem imagino como será com os estudos rápidos da biodiversidade feitos em habitats maiores como a Amazónia."

 

"Encontrámos problemas semelhantes no nosso trabalho", diz Robert Ewers, ecologista da Universidade de Cambridge. Dados sobre aves das florestas atlânticas do Brasil deram a Ewers imagens muito claras mas que não são uma boa representação da diversidade. Diferentes imagens ecológicas surgiram a Ewers, dependendo de o censo ser feito na época seca ou húmida ou se se amostrava dois anos em vez de um. 

"Os ecologistas sabem que o problema existe, mas é difícil de evitar pois as financiadoras limitam as amostras a um máximo de dois anos", acrescenta Ewers.

Penelope Firth, directora adjunta da National Science Foundation (NSF), divisão de biologia ambiental, diz que a agência não limita a duração dos estudos de biodiversidade. "Muitos são projectos de cinco ou três anos." A NSF até permite aos investigadores submeter propostas para renovar os financiamentos, pelo que estudos mais longos não são invulgares, acrescenta Firth.

Mas Pedersen é céptico. "Quase todos no mundo dos morcegos que eu conheço parecem cínicos relativamente à eficácia e rigor dos estudos rápidos mas estamos todos muito felizes em agarrar no dinheiro e fazermos o que se pode."

"Não há dúvida que faltam estudos a longo prazo em praticamente todos os ecossistemas", diz Jeff Foster, ecologista da Universidade do Arizona em Flagstaff. "Mas a questão é o dá mais por menos dinheiro?". Para interacções tróficas ou dinâmica de populações um estudo rápido não é adequado mas para determinar quantas espécies estarão presentes serve bem, mesmo que se falhem algumas espécies, defende ele.

 

 

Saber mais:

Scott Pedersen

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