2008-12-09

Subject: Buraco no ozono enfraquece o sumidouro oceânico de carbono 

 

Buraco no ozono enfraquece o sumidouro oceânico de carbono 

 

 

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O buraco na camada de ozono sobre a Antárctica pode estar a diminuir a capacidade do oceano Antárctico de limpar o dióxido de carbono da atmosfera, refere um estudo apresentado num encontro em França.

Os oceanos terrestres são o maior sumidouro de dióxido de carbono, sendo o oceano Antárctico responsável por mais de 40% da recolha deste gás de efeito de estufa todos os anos, diz Andrew Lenton, bioquímico marinho na Universidade Pierre e Marie Curie de Paris. 

Em teoria, à medida que o teor de dióxido de carbono aumenta na atmosfera, os oceanos deviam absorver cada vez mais mas medições recentes baralharam as simulações, revelando que a superfície das águas antárcticas apresentam concentrações de dióxido de carbono superiores aos que se esperava, tornando-as mais ácidas. Em resultado, a quantidade de CO2 que o oceano absorve por ano também estagnou.

O que estava a falhar nos modelos, diz Lenton, eram os danos ao ozono estratosférico, que, juntamente com os efeitos climáticos das emissões de gases de efeito de estufa, se pensa estar por trás do fortalecimento dos ventos do sul. Segundo ele, estes ventos podem estar a causar correntes que agitam o carbono armazenado nas profundezas e o trazem para a superfície. 

Como parte do projecto CARBOOCEAN, um consórcio de investigação sobre o impacto marinho das emissões de dióxido de carbono que está reunido em Dourdan de 8 a 12 de Dezembro, Lenton construiu simulações do oceano Antárctico que associava os efeitos do ozono sobre os ventos a correntes oceânicas e aos níveis de carbono marinho.

Até agora, estas associações apenas tinham sido estudadas isoladamente, diz Christoph Heinze, modelista biogeoquímico da Universidade de Bergen, Noruega, que não esteve envolvido no estudo. "É apenas um dos raros exemplos em que alguém conseguiu juntar vários componentes do sistema terrestre."

 

Correndo os modelos com e sem a degradação do ozono desde 1975, os investigadores "isolaram o sinal da destruição do ozono", diz o colega de Lenton, Francis Codron, cientista atmosférico do Laboratório de Meteorologia Dinâmica de Paris.

O sinal do ozono levou a uma queda no pH superficial do oceano Antárctico de 0,01 unidades entre 1994 e 2004, metade do declínio total do pH nesse período e um décimo da alteração registada desde antes da época pré-industrial.

Ainda que o buraco do ozono tenha estabilizado nos últimos anos e se espere que feche na segunda metade deste século, os modelos climáticos que não incluem o seu efeito podem estar a mostrar um futuro demasiado optimista, diz Lenton. Julie Arblaster, do Centro de Investigação Meteorológica de Melbourne, Austrália, concorda: "Compreender as tendências recentes no sumidouro antárctico é crucial para a compreensão das projecções futuras do CO2 atmosférico."

Outros trabalhos, no entanto, lançam dúvidas sobre esta abordagem, considerando que as correntes alteradas de modelos como o de Lenton não são visíveis nos dados oceanográficos. Corinne Le Quéré, da Universidade East Anglia, Reino Unido, considera que o modelo de Lenton parece explicar a observada falência das águas antárcticas em absorver carbono mas "não tenho grande confiança na explicação do processo das correntes" que ele fornece.

"O grande desafio para o futuro", diz Lenton, "é usar os modelos que outros propõem usando os dados de carbono, algo que ainda não fizeram, pois os resultados deverão ser semelhantes aos nossos. Mas por enquanto uma simulação tão complexa ainda não pode ser feita." 

 

 

Saber mais:

CARBOOCEAN

 

 

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