2008-12-08

Subject: Vacina contra malária pronta para fase III de testes

 

Vacina contra malária pronta para fase III de testes

 

 

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Uma candidata a vacina contra a malária à muito aguardada pode ser mais de 50% eficaz na prevenção da doença em crianças africanas, dizem os resultados publicados esta semana na revista The New England Journal of Medicine

O trabalho estabelece o cenário para a fase III dos testes clínicos, que devem ter início nos próximos meses.

A vacina, baptizada RTS,S, tem estado em desenvolvimento há mais de duas décadas e estudos anteriores tinham sugerido que era efectiva a taxas pouco superiores a 30%. No entanto, mesmo a protecção mais modesta contra a malária é considerada um sucesso pois a doença é mortal e endémica. Mas "é algo muito importante ultrapassar os 50%", diz Kevin Marsh, director do programa de investigação KEMRI–Wellcome de Kilifi, Quénia. "Realmente fortalece o argumento de que será possível desenvolver algo como uma vacina completa."

Os peritos em malária estão impressionados com as últimas descobertas, que também foram apresentadas a 8 de Dezembro num encontro da American Society of Tropical Medicine and Hygiene em Nova Orleães, Louisiana. "De modo geral, mostram bons progressos com a RTS,S", diz Adrian Hill, director do Jenner Institute de Oxford, Reino Unido, não envolvido no trabalho.

Os resultados são da fase II dos testes realizados em três locais da África ocidental pela responsável pela vacina GlaxoSmithKline (GSK) e por uma vasta equipa de parceiros clínicos, académicos e financiadores sem fins lucrativos. O próximo passo serão os testes da fase III, que aumentam o número de pacientes tratados e que serão financiados largamente pela Bill & Melinda Gates Foundation de Seattle, envolvendo até 16 mil crianças em 10 locais de 7 países africanos.

No trabalho descrito num dos artigos, mais de 800 crianças com 5 a 17 meses do Quénia e Tanzânia receberam a vacina RTS,S ou da raiva, como controlo. Depois de serem seguidas em média oito meses, apenas 32 crianças das do grupo RTS,S desenvolveram malária clínica, comparadas com as 66 do grupo de controlo, correspondendo a aproximadamente 53% de eficácia.

O teste usou uma nova vacina com um ajudante chamado AS01 para ajudar a estimular a resposta imunitária. O AS01 parece desencadear uma resposta por anticorpos muito mais forte que o ajudante anterior mas isso não se traduz em importantes ganhos de protecção contra a malária clínica. Marsh, um dos co-autores do trabalho, considera esta disparidade frustrante e intrigante pois parte do problema é que "ninguém realmente sabe como a RTS,S funciona".

O outro estudo, realizado na Tanzânia, pretendia saber se a vacina interferia de alguma forma com outras vacinas administradas às crianças. A RTS,S, usada neste estudo continha o antigo ajudante, AS02, mas não interferiu nas outras vacinas, nem elas interferiram na capacidade da RTS,S de activar a resposta imunitária. Ainda que o estudo não tivesse sido feito com a intenção de testar a eficácia, os resultados sugerem que que a infecção por malária foi inferior em crianças vacinadas.

 

Permanecem questões em aberto quanto à duração da protecção. Um estudo feito em Moçambique e publicado em 2004 descobriu que a vacina RTS,S era mais de 30% eficaz em crianças com idades entre 1e 4 anos. Um seguimento a longo prazo de uma corte revelava que a eficácia se mantinha mas dados não publicados de uma segunda corte mostravam uma redução drástica nos 18 meses após a vacinação. 

Joe Cohen, vice-presidente da GSK e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da RTS,S, diz que estas descobertas foram postas a publicação. Outras fontes dizem que vários factores podem explicar esta diminuição da eficácia, incluindo uma alegada alta taxa de transmissão no local da corte dois mas Cohen permanece optimista acerca da RTS,S com base em outros testes completos.

Alguns investigadores, incluindo Hill, querem maior atenção ao desenvolvimento de uma vacina de segunda geração mais eficaz. Esta nova vacina pode combinar a RTS,S com outros candidatos promissores, algo que ele diz a GSK está relutante em concordar. Cohen diz que a GSK estaria disponível para tentar novas combinações com outros candidatos de eficácia comprovada mas até ao momento não há nenhum.

Ainda assim, os novos resultados colocaram a RTS,S mais próxima do seu desafio. "A vacina está claramente a ter um efeito e estamos muito curiosos para ver como se safará nos testes em larga escala da fase III", diz Stephen Hoffman, que trabalhou no desenvolvimento dos precursores da RTS,S mas agora está a trabalhar noutra candidata a vacina da malária na companhia Sanaria de Rockville, Maryland. "São tempos cheios de entusiasmo." 

 

 

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