2008-12-01

Subject: Afundamento de água fria no Atlântico norte está de volta

 

Afundamento de água fria no Atlântico norte está de volta

 

 

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Os cientistas encontraram provas de que a mistura convectiva no Atlântico norte, um mecanismo que alimenta a circulação oceânica e afecta o clima da Terra, está de volta depois de uma década de praticamente estagnação, devida provavelmente a uma perda dramática de gelo no Árctico durante o Verão de 2007.

A mistura convectiva, ou 'overturning', das águas oceânicas nas altitudes elevadas ajudam a manter a 'correia transportadora de calor' do Atlântico, que transporta águas quentes para norte e água fria de profundidade para sul. O fenómeno também ajuda a remover dióxido de carbono da atmosfera pois à medida que a água fria se afunda transporta CO2 dissolvido com ela, aprisionando-o nas profundezas do oceano durante séculos.

Mas Invernos frios são um dos pré-requisitos para convecção nas regiões de formação de água fria em volta da Groenlândia, como os mares Labrador e Irminger, e o aquecimento global deveria abrandar ou impedir o processo.

Tem havido muito pouca convecção no Atlântico norte na última década, aumentando a preocupação com o impacto do aquecimento global mas agora, duas equipas de cientistas encontraram provas de que a convecção foi retomada.

Uma equipa liderada por Kjetil Våge, da Woods Hole Oceanographic Institution no Massachusetts, descobriu que a convecção regressou à região no Inverno passado (2007-2008) e Igor Yashayaev e John Loder, do Bedford Institute of Oceanography da Nova Escócia, Canadá, relatam de forma separada que a convecção no mar Labrador no Inverno passado foi a maior desde 1994.

Våge suspeita que as peculiaridades do clima não são suficientes para explicar o regresso da convecção. As temperaturas do Inverno passado foram 5-6°C inferiores do que nos sete anos anteriores mas a localização dos sistemas de altas e baixas pressões sobre a região significam que os padrões climáticos até não favoreciam a convecção.

 

Ele sugere que uma calota de água doce mais fria, uma enorme exportação de água de degelo da bacia do Árctico ao longo dos dois lados da Groenlândia no Verão anterior, facilitou o congelamento de partes dos mares Labrador e Irminger, resultando em ar frio continental a não ser aquecido pelo oceano quando se atingiam as regiões de convecção. A diferença de temperaturas entre o ar e a água livre levou a uma enorme transferência de calor do oceano para a atmosfera, alimentando a convecção.

Mas não se sabe se a convecção terá voltado para ficar. Poucas dúvidas existem, no entanto, de que a longo prazo a convecção oceânica vai diminuir se as latitudes norte continuarem a aquecer à taxa actual. "À medida que a coluna de água se torna mais estável, será cada vez mais difícil um ambiente em aquecimento produzir convecção forte no Atlântico norte", diz Jürgen Fischer, oceanógrafo no IFM-Geomar Leibniz Institute of Marine Sciences de Kiel, Alemanha. "Serão precisas condições excepcionais, como as do Inverno passado, para misturar os oceanos."

A convecção diminuída deve, em teoria, enfraquecer toda a circulação de convecção do Atlântico meridional (MOC), responsável pelo transporte de águas tropicais quentes para norte, com consequências importantes no clima da Terra. Mas até agora, os cientistas ainda não observaram alterações significativas nessa circulação em larga escala. 

Uma razão, diz Fischer, é que a base de observação é muito pequena ainda. O programa Argo, um conjunto global de 3 mil robots que medem a temperatura, salinidade e pressão da água, só ficou plenamente operacional no ano passado, por exemplo.

Mas já é claro que a resposta da circulação do Atlântico a alterações nas latitudes elevadas é muito mais complexa do que se pensava. Segundo Våge, a "miríade de factores" que favorecem o regresso da convecção no ano passado tornam "difícil prever quando a mistura em profundidade deverá ocorrer". 

 

 

Saber mais:

Woods Hole Oceanographic Institution

 

 

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