2008-11-29

Subject: Salvar o sapo-parteiro de Maiorca

 

Salvar o sapo-parteiro de Maiorca

 

   

As tentativas de trazer o sapo-parteiro de Maiorca Alytes muletensis da beira da extinção sofreu um duro golpe este ano quando os investigadores descobriram que os animais criados em cativeiro e reintroduzidos na ilha espanhola tinham trazido com eles o fungo quitrídio responsável por devastar as populações mundiais de anfíbios.

Trent Garner, do Instituto de Zoologia de Londres, um dos investigadores que vai dar início, no próximo ano, a primeira tentativa de mitigar o impacto do quitrídio no natureza, responde a algumas questões sobre o tema.

Como teve início este projecto?

Os envolvidos no programa de reprodução em cativeiro e reintrodução estão a receber relatórios de Maiorca da morte ocasional de sapos-parteiros na natureza. No momento estamos todos a trabalhar muito por causa do declínio dos sapos-parteiros por toda a Europa, devido à quitriomicose.

Testámos os animais e descobrimos que estavam infectados com o fungo. Pensamos que estamos tão perto quanto se pode estar de provar que foi o programa de reintrodução que trouxe a doença para a ilha.

Enquanto este programa estava a decorrer também estávamos a desenvolver tratamentos antifúngicos para as espécies do género Alytes em geral, originalmente com a ideia de limpar as colónias de reprodução em cativeiro. Agora que temos esse tratamento disponível, pensamos que podemos usar uma abordagem lago a lago para mitigar a doença na natureza.

Por que estão a tratar os girinos e não os adultos?

O problema de tratar os adultos desta espécie é que praticamente nunca os vemos. Quando os machos têm os ovos bem desenvolvidos deixam-nos cair nos lagos, logo apenas os vemos os machos em volta dos lagos.

Então é tão simples como ir aos lagos, recolher todos os girinos que se puder e tratá-los?

Ao nível mais básico, sim.

Leva-se cerca de 3 horas a andar para chegar a alguns dos locais e temos que ter as licenças para trabalhar, não só os tratamentos. Tencionamos trabalhar com as pessoas que têm o programa de reprodução em cativeiro na ilha e combinar a limpeza das instalações, trazer os girinos e tratá-los também.

Provavelmente vamos conseguir libertar novamente para a natureza girinos no final do ano.

E como garantem que os adultos infectados não voltam a infectar os girinos que trataram?

 

Não temos a certeza que os adultos estejam sequer infectados. Parece que em muitos anfíbios europeus, um dos agentes primários do declínio relacionado com a doença são os girinos infectados na água e a mortalidade em massa dos animais em metamorfose.

Se tivermos realmente infecção dos adultos, não podemos atacar directamente a situação com esta mitigação mas podemos de certeza assumir que a quantidade de tempo que os adultos passam na água é limitada pois apenas deixam cair as ninhadas e partem.

A teoria também nos diz que se reduzirmos o número de animais infectados para níveis significativamente baixos, diminui a probabilidade de a doença persistir no ambiente.

Como se poderá tornar esta uma abordagem global?

Vamos ter que atacar esta doença à escala regional. O que se pode fazer em Maiorca será diferente do que se pode fazer nos Pirinéus ou nos trópicos. 

Deste estudo poderemos obter provas de que se pode ir para o terreno e reduzir os efeitos da doença nas populações, seja para eliminar a doença, seja para impedir a mortalidade a que estamos a assistir.

As pessoas têm tendência para pensar numa onda de quitrídios a destruir a meso-América e a causar o desaparecimento de 50% da biodiversidade dos anfíbios. Ficam sem acção perante esta ideia. De alguma forma, os que estão a trabalhar com a quitridiomicose estão tão ocupados a descrever o que está a acontecer que não têm tempo para a mitigar.

Quais seriam as consequência de não fazer este trabalho?

Ainda não sabemos. Se olharmos para o que tem acontecido com a quitridiomicose a nível global, o resultado é muito severo. Algumas estimativas sugerem que mais de 100 espécies de anfíbios se extinguiram devido à doença.

No entanto, também já se fez alguma pesquisa que mostra que a variante de Maiorca é relativamente benigna. Provoca mortalidade nos sapos em cativeiro mas muito menos que as que foram isoladas no Reino Unido ou nos Pirinéus. Mas o facto de não ser virulenta não significa que fique assim para sempre, não seria muito inteligente não fazer nada. 

 

 

Saber mais:

EDGE - Alytes muletensis

Trent Garner

 

 

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