2008-11-26

Subject: Como as tartarugas adquiriram a carapaça

 

Como as tartarugas adquiriram a carapaça

 

   

Odontochelys semitestaceaA descoberta, na China, do fóssil de tartaruga mais antigo de que há conhecimento virou de cabeça para baixo o conhecimento dos paleontologistas sobre a origem e ecologia da espécie.

O fóssil da Odontochelys semitestacea foi descoberto nos sedimentos depositados na bacia de Nanpanjiang e data de há 220 milhões de anos, cerca de 14 milhões mais velho que os fósseis anteriores, descobertos na Alemanha.

A descoberta sugere que as tartarugas evoluíram em ambiente marinho. O fóssil mais antigo que antes se conhecia era de um animal terrestre, o que levou os cientistas a concluir que as tartarugas tinham evoluído em meio terrestre.

Estes répteis fósseis tinham formado carapaças semelhantes à dos animais actuais, oferecendo aos paleontólogos poucas pistas relativamente à forma como a característica estrutura tinha evoluído. 

O espécime chinês tem um plastrão (a parte lisa ventral da carapaça) completamente desenvolvido mas a parte dorsal está ausente. A equipa diz que isto sugere que as duas partes da carapaça evoluíram separadamente, com o plastrão a desenvolver-se primeiro, uma ideia que contradiz a hipótese prevalecente de que a carapaça foi formada por osteodermes (depósitos ósseos) fundidos.

Um dos autores do estudo, Chun Li, do Instituto de Paleontologia dos Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências, refere: "O fóssil pode ser visto como o elo perdido da evolução das tartarugas. Descobrimos como a carapaça se formou e não é derivada da fusão de osteodermes, para além de ser o primeiro fóssil a revelar que a tartaruga pode ter evoluído na água e não na terra."

Mas Robert Reisz e Jason Head, paleontólogos na Universidade de Toronto em Mississauga, Canadá, discordam com a interpretação da equipa sobre a origem da carapaça. Reisz e Head propõem que a ausência da carapaça é uma adaptação à vida marinha.

 

"É uma descoberta muito excitante", diz Reisz. "O artigo sugere uma separação entre a evolução das duas partes da carapaça. É uma ideia interessante mas discordamos dela pois o que o que observamos nas tartarugas que vivem em ambientes marinhos actualmente é que a carapaça é reduzida. Por isso, outra interpretação do fóssil pode ser que esta forma seja na realidade uma condição especializada, que a carapaça esteja a reduzir-se."

Walter Joyce, paleontólogo da Universidade de Tübingen, Alemanha, está igualmente entusiasmado com a nova descoberta mas concorda que permanecem questões em relação à origem da carapaça.

"O espécime não responde à questão de se esta é uma condição basal ou não", diz ele. "Isto é material inacreditável, o espécime é uma benção e uma maldição pois volta a lançar todas as dúvidas."

Mas outro dos autores do estudo, Olivier Rieppel, do departamento de geologia do Museu Field de Chicago, Illinois, diz que a visão de que a carapaça está em redução é errada. 

Ele considera que a formação da carapaça observada no fóssil assemelha-se mais a carapaças embrionárias de tartarugas do às das tartarugas extintas. Esse facto apoia a interpretação da sua equipa de que as duas partes da carapaça evoluíram separadamente.

"Se observarmos as tartarugas aquáticas actuais com carapaça reduzida, nenhuma parece o padrão do fóssil. O nosso fóssil parece-se mais com o padrão embrionário", diz ele.

 

 

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