2008-11-24

Subject: Os remoinhos e as corridas de cavalos

 

Os remoinhos e as corridas de cavalos

 

   

Se o pêlo na cabeça de um cabelo redemoinha a favor ou contra os ponteiros do relógio pode dizer-nos se o animal é dextro ou canhoto, dizem investigadores irlandeses. 

Pistas para a direcção que os cavalos favorecem pode ajudar os treinadores a produzir animais que correm mais a direito e, quem sabe, ganhem mais corridas.

Os veterinários Jack Murphy e Sean Arkins, da Universidade de Limerick, classificaram um total de 219 cavalos de corrida, saltadores e de espectáculo em dextros e canhotos com base no julgamento de cavaleiros peritos, bem como em testes do tipo qual o casco com que iniciam a marcha ou qual o lado escolhem para contornar um obstáculo.

Dos 104 cavalos esquerdinos, os investigadores descobriram que 78 ou 75% tinham remoinhos contra os ponteiros do relógio. Dos 95 que preferiam o seu lado direito, 64 ou 67% tinham remoinhos a favor dos ponteiros do relógio.

Essa é uma associação suficientemente forte para ser útil aos treinadores, diz Murphy. A 'laterabilidade motora' dos cavalos traduz-se numa tendência para se desviar numa dada direcção, o que pode fazer uma grande diferença nas hipóteses competitivas de um cavalo. Quanto mais cedo se detectar estas tendências, diz ele, mais cedo se podem corrigir, por exemplo, trabalhando o lado mais fraco do animal fazendo-o percorrer círculos conduzidos pelo treinador.

A laterabilidade dos cavalos de corrida é muitas vezes ignorada como factor que pode decidir as suas hipóteses, diz Murphy. Treinadores já lhe referiram que para um cavalo com tendência forte, a direcção das curvas num circuito pode ter um efeito de um handicap de 10 Kg ou mais. Nos concursos de saltos, as curvas apertadas ainda influenciam mais.

Tanto o padrão do pêlo como a laterabilidade reflectem as assimetrias produzidas pelo desenvolvimento do cérebro e pode podem ser controlado pelos mesmos genes. Também há evidências de que o cabelo nos humanos dextros tem maior probabilidade de cair num padrão a favor dos ponteiros do relógio e vice-versa para os canhotos.

 

"Os humanos também têm tendência para um dado lado", diz o neurocientista Mike Nicholls, da Universidade de Melbourne. "Algumas pessoas alegam que a maioria das pessoas vira para a esquerda, ainda que alguns discordem. É interessante notar, no entanto, que quando as pessoas correm em volta de um parque, geralmente seguem no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio."

A laterabilidade tem sido observado em vertebrados tão diversos como peixes, aves e mamíferos. Mas as espécies variam variam no grau em que preferem um lado e se a maioria prefere o lado direito ou esquerdo. Tem sido sugerido que um cérebro assimétrico pode ajudar a lidar com a redundância e o conflito entre regiões do cérebro. Outra ideia é que em animal de bando ou cardume, a tendência para virar para um lado pode ajudar a coordenar os movimentos de conjunto.

"De todos os animais, os humanos são os mais lateralizados em termos de complexidade e variedade de comportamentos assimétricos", diz Nicholls. Isto pode ter algo a ver com a evolução da linguagem e da inteligência, acrescenta ele. "Analisar as assimetrias nas outras espécies, bem como o contexto em que ocorrem, permite-nos compreender o que é tão especial acerca do cérebro humano." 

 

 

Saber mais:

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