2008-11-15

Subject: Genes modificados surgem em culturas locais de milho

 

Genes modificados surgem em culturas locais de milho

 

   

Transgenes de milho geneticamente modificado (GM) foram encontrados em milho tradicional no coração do México, revela um novo estudo.

O trabalho basicamente confirma um controverso resultado semelhante publicado na revista Nature em 2001 e pode reacender o debate sobre as culturas GM no México.

O estudo revela ter encontrado transgenes em três das 23 localizações amostradas em 2001 e novamente em duas dessas localizações usando amostras recolhidas em 2004. Escrito por uma equipa liderada por Elena Álvarez-Buylla, da Universidade Autónoma do México (UNAM) na Cidade do México, o estudo será publicado na revista Molecular Ecology.

Em 1998, o governo mexicano proibiu a plantação de milho GM para proteger as cerca de 60 variedades domesticadas locais e as suas parentes selvagens mas notícias de jornal sugerem que os agricultores têm plantado pelo menos 70 hectares de milho GM no estado de Chihuahua, não sendo ainda claro que repercussões esta atitude pode vir ter.

Apenas cerca de 25% do milho plantado no México provém de sementes vendidas comercialmente, a maioria é guardada de colheita para colheita. É por isso, diz Álvarez-Buylla, que os investigadores têm que concluir se os transgenes realmente já atingiram as variedades locais. "É urgente estabelecer critérios rigorosos de amostragem molecular para que se possa analisar nos centros de origem e diversificação de culturas", escreve a equipa.

Allison Snow, ecologista vegetal na Universidade Estatal do Ohio em Columbus, liderou uma equipa que relatou em 2005 não conseguiu detectar transgenes em milho de regiões amostradas no trabalho original da Nature. Ela considera este novo trabalho "um estudo muito bom, com sinais positivos de transgenes".

"É bom ver isto", acrescenta Ignacio Chapela, ecologista da Universidade da Califórnia, Berkeley, que foi o autor principal da publicação da Nature. "Pena que tenha levado sete anos."

O artigo original causou uma tempestade de controvérsia, com os críticos a apontarem alguns erros técnicos, nomeadamente problemas com o tipo de PCR usada para amplificar as sequências genéticas, ainda que Chapela e o seu co-autor David Quist tenham mantido as suas conclusões.

Outros puseram em questão os críticos estarem influenciados pela sua associação à industria da biotecnologia, o que negaram. No fim, a revista Nature publicou uma nota do editor onde referia que não havia evidências suficientes para justificar a publicação original. Defensores das culturas GM apelidaram, erradamente, a nota de retracção.

Uma segunda vaga de críticas surgiu em 2005, depois do artigo de Snow relatar que não havia evidências de transgenes no milho mexicano. Alguns criticaram o artigo por ser estatisticamente inconclusivo e por não ter amostragem significativa, o que foi contestado pelos autores.

 

A equipa de Álvarez-Buylla decidiu resolver a questão realizando testes genéticos em milhares de amostras de sementes e folhas de milho em busca de dois transgenes: um gene promotor do vírus mosaico da couve-flor 35S e o gene terminador da nopalina-sintetase (NOSt). A equipa encontrou transgenes em cerca de 1% dos mais de 100 campos que amostrou, incluindo alguns dos amostrados por Quist e Chapela em 2001.

Jose Sarukhán, biólogo da UNAM e membro da Academia Nacioanl de Ciências dos Estados Unidos, recomendou o artigo de Álvarez-Buylla para publicação na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mas foi rejeitado. Numa carta de 14 de Março deste ano para os autores, o editor-chefe Randy Schekman, professor da Universidade da Califórnia, Berkeley, escreveu que a biologia e a genética não permitiam a publicação e que um revisor tinha alertado para o facto de o estudo poder "ganhar exposição indevida na imprensa devido a questões políticas ou ambientais". Sarukhán refere "Não vi nenhum motivo para não ser publicado."

Norman Ellstrand, geneticista vegetal na Universidade da Califórnia em Riverside, apelidou o estudo de intrigante. "A importância do estudo não reside no impacto dos transgenes por si só", diz ele, "mas no facto de eles se terem espalhado tão facilmente num país onde a plantação de milho transgénico não ser feita há vários anos."

No entanto, o novo estudo não confirma uma importante conclusão do artigo original da Nature, se os transgenes tinham sido integrados nos genomas das variantes locais e passados a outras gerações. Álvarez-Buylla suspeita que sim mas não está interessada em entrar noutra batalha política, por isso vai deixar esse trabalho para outros. 

 

 

Saber mais:

Instituto de Ecologia da Universidade Autónoma do México

Europa e OGM - tempo de decisões

Culturas transgénicas relativamente benignas para os insectos

Geneticistas criam a nova geração de culturas transgénicas

Retirada patente OGM ao fim de 13 anos

Trigo americano ameaça México

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2008

Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com