2008-11-14

Subject: Zonas mortas oceânicas devem expandir-se rapidamente

 

Zonas mortas oceânicas devem expandir-se rapidamente

 

   

zonas com pouco oxigénio estão a rosaA subida dos níveis de dióxido de carbono pode aumentar o volume das 'zonas mortas' sem oxigénio nos oceanos tropicais em 50% até ao final do século, com consequências nefastas para a saúde dos ecossistemas em algumas das zonas piscatórias mais produtivas.

A profundidades entre as várias dezenas e as centenas de metros, grandes zonas dos oceanos tropicais têm pouca quantidade de oxigénio dissolvido, sendo por isso hostis à grande maioria da vida marinha.

Os cientistas suspeitam que essas zonas são sensíveis às alterações climáticas mas estudos anteriores tinham chegado a conclusões contraditórias relativamente a exactamente como e porquê um mundo mais rico em CO2 afecta o conteúdo de oxigénio do oceano.

Uma equipa liderada por Andreas Oschlies, do Instituto Leibniz de Ciências Marinhas de Kiel, Alemanha, usou agora um modelo global do clima, circulação oceânica e ciclos biogeoquímicos para extrapolar os resultados experimentais existentes dos efeitos da química alterada do carbono e dos nutrientes sobre o oxigénio dissolvido nos oceanos globais.

Descobriu que um mundo rico em CO2 terá um impacto menor sobre as águas das latitudes médias e altas mas em os oceanos todos os oceanos tropicais o volume das zonas com 'oxigénio mínimo' vão aumentar substancialmente à medida que as bactérias marinhas se alimentam das algas que irão florescer em resultado da subida dos níveis de CO2.

"O dióxido de carbono fertiliza a produção biológica", diz Oschlies. "É como comida de plástico para as plantas. Quando o excesso de biomassa engordado pelo carbono se afunda é decomposta por bactérias que consomem oxigénio, criando as zonas anóxicas."

Medições esporádicas nas águas tropicais do Atlântico e do Pacífico sugerem que as zonas mortas se têm vindo lentamente a expandir nos últimos 50 anos mas nenhuma delas assumia as causas físicas, como o aquecimento do oceano e a redução da circulação, como totalmente responsáveis pelo efeito. Isto levou Oschlies a examinar a forma como a biologia oceânica seria afectada pelo aumento do CO2

 

"Ninguém tinha realmente modelado a reacção ao aumento do CO2 nas concentrações de oxigénio oceânico de uma forma tão credível", diz Gian-Kaspar Plattner, modelista do ciclo do carbono no Instituto Federal de Tecnologia da Suíça em Zurique. "Um aumento de 50% de volume nas zonas mortas é muito superior ao que esperaríamos mas mais estudos, com outros parâmetros climáticos, têm que ser feitos para dar robustez a estes resultados e reduzir a incerteza."

Entretanto, investigadores de dois navios de pesquisa alemães, Meteor e Maria S. Merian, estão a realizar mais análises. Nas águas ao largo da África ocidental e do Peru, muito ricas em vida marinha, equipas da Universidade de Kiel e do Instituto Leibniz de Ciências Marinhas, também em Kiel, vão estudar os processos físicos e biológicos que se pensa estarem por trás da perda de oxigénio em águas tropicais.

As economias costeiras dessas regiões dependem fortemente da pesca. Por agora, diz Oschlies, as pescas locais podem não sentir qualquer quebra pois os peixes conseguem escapar às zonas mortas deslocando-se para cima ou para baixo na coluna de água mas se os níveis de oxigénio e nutrientes continuarem a descer, a situação vai ser dramática no espaço de algumas décadas.

Os níveis de oxigénio oceânico variaram grandemente no passado da Terra. Durante o final do Pérmico, há cerca de 250 milhões de anos, as perdas catastróficas de oxigénio desencadearam extinções em massa de vida marinha e terrestre. 

 

 

Saber mais:

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