2008-11-12

Subject: Répteis e aves têm genes para pêlo

 

Répteis e aves têm genes para pêlo

 

   

Os nossos pêlos e cabelos estão evolutivamente enraizados nas garras dos répteis, segundo um novo estudo que revelou os genes para o pêlo tanto em lagartos como em aves.

Anteriormente, os cientistas pensavam que os pêlos tinham surgido pela primeira vez nos mamíferos.

O pêlo, que fornece isolamento e protecção, tem sido visto como uma das inovações principais que conduziram ao surgimento dos mamíferos mas as origens do pêlo datam a um réptil desconhecido que viveu há mais de 300 milhões de anos, na era Paleozóica, revela o estudo.

Uma equipa liderada por Leopold Eckhart, da Universidade de Medicina de Viena, Áustria, fez a descoberta ao comparar os genomas de humanos, galinhas e lagartos anolis verdes Anolis carolinensis.

O genoma do lagarto revelou conter seis genes diferentes para a queratina, que compõe o pêlo dos mamíferos.

Os genes expressam-se mais fortemente nos dedos das patas posteriores dos lagartos, indicando que os primeiros genes do pêlo desempenhavam um papel na formação das garras, relata a equipa na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

"Pelo menos duas destas proteínas queratinas são formadas na zona de crescimento das garras", diz Eckhart.

Ainda que o papel dos quatro outros genes do pêlo nos lagartos anatolis permaneça um mistério, provavelmente estão relacionados com o crescimento de escamas, refere a equipa.

 

As aves, répteis e mamíferos, bem como os dinossauros, partilham um ancestral comum antigo que apresentava garras construídas a partir de queratina do pêlo, diz Eckhart. "Na realidade, pode ser mais apropriado chamar a todas estas proteínas, proteínas das garras, que posteriormente adquiriram um novo papel na formação do pêlo."

A revolução do pêlo começou com queratinas das garras que se adaptaram a formar escamas, a partir das quais evoluíram os primeiros pêlos. Os primeiros pêlos do tipo sensorial podem muito bem ter surgido em répteis, diz Eckhart. "Mas não me parece muito provável", acrescenta ele. "Se estivessem presentes, eu colocaria a questão do motivo porque os répteis modernos não os apresentam. Se eram úteis, não os teriam perdido."

Günter Wagner, professor de biologia evolutiva na Universidade de Yale, diz que o novo estudo mostra que o crescimento dos pêlos não é apenas uma questão de genes de queratina. Só nos mamíferos a queratina evoluiu para formar filamentos.

"A teoria mais comum diz que se tem pêlo quando se tem a queratina específica do pêlo mas o problema é, na realidade, como organizar essas mesmas queratinas em estruturas muito longas e finas", diz Wagner.

De forma semelhante, continua ele, um estudo recente mostrou que as aves partilhavam as queratinas que produzem as penas com um ancestral dos crocodilos, sem penas. 

 

 

Saber mais:

Proceedings of the National Academy of Sciences

Günter Wagner

 

 

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