2008-11-09

Subject: Porque o plástico nem sempre é fantástico ...

 

Porque o plástico nem sempre é fantástico ...

 

   

Milhares de cientistas podem, inadvertidamente, a arruinar as suas próprias experiências simplesmente por estarem a usar equipamento standard de plástico, revela um novo estudo.

Andrew Holt, investigador da Universidade de Alberta em Edmonton, Canadá, estava a analisar a forma como medicamentos afectavam a enzima humana monoamino-oxidase B quando se apercebeu que os medicamentos pareciam estar a inibir a actividade enzimática a concentrações muito inferiores ao que seria de esperar.

Holt lavou o seu equipamento com água, metanol ou dimetilsulfóxido (DMSO), e analisou que tipo de químicos passavam para os solventes usando espectrometria de massa. Escrevendo na revista Science, Holt mostra que os tubos de plástico que estava a usar libertaram o desinfectante di(2-hidroxietil)metildodecilamónio (DiHEMDA) para a água e o lubrificante oleamida para o metanol e para o DMSO.

"Os compostos que são libertados pelo plástico são inibidores espantosamente potentes", diz Holt. "Estamos a obter variabilidade causada por estas substâncias libertadas que mascaram completamente o efeito dos medicamentos."

Apesar de alguns tubos praticamente não libertarem contaminantes, mesmo uma breve exposição a alguns tubos originou contaminações de perto de 40 a 50 partes por milhão de oleamida no DMSO e de 200 a 350 partes por milhão de DiHEMDA em água.

A colega de Holt, Susan Dunn, trabalha com um neurotransmissor, o ácido γ-aminobutirico (GABA). Mais análises no seu laboratório demonstraram que o seu equipamento esta a libertar compostos que afectavam a ligação aos receptores GABA. Outro investigador no mesmo departamento encontrou um problema semelhante, sugerindo que os contaminantes das pontas de pipeta, tubos e caixas de Petri plásticas poderiam estar a afectar os trabalhos de milhares de investigadores em todo o mundo.

 

"Suspeito que grande número de investigadores estão a ter os resultados afectados", diz Holt. Estes contaminantes são usados durante a manufactura do plástico. "O pessoal de qualquer grande departamento científico vos dirá que já não confia no material de plástico em algumas experiências", diz Holt. Mas a identidade dos compostos responsáveis pela contaminação ainda nunca tinha sido revelada.

"Não me surpreende", diz Rona Ramsay, enzimologista da Universidade de St Andrews, Reino Unido, que trabalhou com monoamino-oxidase B e também já tinha notado o problema. "Falei com um dos autores deste estudo numa conferência e garanti-lhe que ele não estava maluco."

Mas Ramsay diz que as pessoas que não prestam tanta atenção à cinética enzimática como Holt podem vir a ter problemas. Ela há muito que contorna o problema: "Uso sempre material de vidro."

No entanto, as pontas de pipeta de plástico e as caixas de Petri são uma componente vital dos laboratórios de Alberta. Os investigadores têm que fazer uma rigorosa e morosa lavagem de todo o equipamento com e água destilada imediatamente antes de fazer qualquer experiência, situação que "em algumas experiências pode duplicar o tempo de trabalho", diz Holt.

A Eppendorf, fabricante de alguns dos produtos plásticos em questão, diz que "até agora, não tivemos qualquer problema com os produtos junto dos nossos clientes devido às substâncias mencionadas no estudo de McDonald et al. Mais importante, todas as experiências altamente sensíveis podem ser influenciadas pelas propriedades das superfícies dos recipientes, seja qual for o material de que são feitos. Os cientistas sabem disto há muito." 

 

 

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