2008-11-08

Subject: Genoma de célula cancerígena sequenciado

 

Genoma de célula cancerígena sequenciado

 

   

Os cientistas descodificaram o DNA completo de uma paciente com cancro, seguindo a sua doença até às suas raízes genéticas.

A equipa da Universidade de Washington identificou 10 mutações genéticas que parecer ser cruciais para o desenvolvimento da leucemia mielóide de que a mulher padece. Apenas duas das 10 já tinham sido anteriormente associadas à doença.

A técnica de sequenciação, descrita na revista Nature, pode vir a ser aplicada a outros tipos de cancro e posta ao serviço da produção de novos medicamentos dirigidos à doença.

Os investigadores retiraram duas amostras de uma mulher com mais de 50 anos, que acabou mesmo por morrer da doença, e examinaram o seu DNA em busca de diferenças.

Uma amostra foi recolhida de células saudáveis da pele e a outra de tecido da medula óssea, que continha células cancerosas, e descobriram que praticamente todas as cancerosas tinham nove mutações chave.

Tal como a maioria dos cancros, a leucemia mielóide aguda (LMA), um tipo de cancro que ataca as células da medula óssea que formam os elementos do sangue, surge devido a mutações que se acumulam no DNA dos indivíduos ao longo das suas vidas.

No entanto, pouco se sabe acerca da natureza dessas alterações e da forma como elas perturbam as vias biológicas de forma a provocar um crescimento celular descontrolado que é a marca registada do cancro.

Esforços anteriores para descodificar genomas humanos individuais tinham tido em vista pontos comuns de variação de DNA que podiam ser relevantes para o risco do surgimento da doença.

Pelo contrário, a equipa de Washington, usando uma técnica de sequenciação de genes, foi capaz de percorrer os três biliões de pares de bases que compõem o genoma humano para destacar as mutações que contribuíram para o cancro da paciente.

O geneticista Francis Collins, antigo director do Instituto Nacional de Investigação do Genoma Humano dos Estados Unidos, apelidou o estudo de "verdadeiro marco histórico na investigação do cancro". 

"No passado, os investigadores do cancro andaram a olhar para 'debaixo do candeeiro' para encontrar as causas da malignidade mas agora a equipa de Washington acendeu a rua toda. Este avanço anuncia uma nova era de compreensão da natureza fundamental do cancro e oferece grandes promessas para o desenvolvimento de poderosas novas abordagens para o diagnóstico, prevenção e tratamento."

 

Três das recém-descobertas mutações estavam em genes que normalmente suprimem o crescimento tumoral e quatro em genes associados à propagação do cancro. As outras parecem afectar o transporte de medicamentos para o interior das células, possivelmente alimentando a resistência à terapia anti-cancro.

Os investigadores ainda estão a analisar outras mutações génicas que também podem desempenhar um papel na situação e também examinaram amostras de tumores de outros 187 pacientes com LMA mas não descobriram nenhuma das oito novas mutações.

O principal investigador Richard Wilson refere: "Isto sugere que há uma diversidade genética tremenda no cancro, mesmo neste tipo em particular. Provavelmente há muitas, muitas formas de mutar um pequeno número de genes de forma a obter o mesmo resultado e estamos apenas a olhar para a ponta do icebergue em termos de identificar as combinações de mutações genéticas que conduzem à LMA."

Os investigadores suspeitam que as mutações ocorreram em sequência, uma após outra, com cada uma a elevar o grau de malignidade da célula.

Kat Arney, da Cancer Research UK, comenta: "Trata-se de uma investigação muito importante, não apenas para a compreensão da leucemia mas também para muitos outros tipos de cancro. Graças aos avanços na tecnologia é agora possível desvendar os segredos das células cancerosas, o que será crucial para a criação de melhores ferramentas de diagnóstico e de tratamento."

Já Ken Campbell, da Leukaemia Research, refere: "Ainda que se esteja muito no início, é realista pensar que estas descobertas podem levar a novos tratamentos. A sua aplicação a outros cancros pode ser limitada, mas a técnica é particularmente valiosa para cancros do sangue, em que as alterações cromossómicas são geralmente mais simples do que em tumores sólidos no momento do diagnóstico." 

 

 

Saber mais:

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