2008-10-16

Subject: Cientistas em desacordo sobre o estatuto de ameaçado do lobo

 

Cientistas em desacordo sobre o estatuto de ameaçado do lobo

 

 

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Enquanto continuam as batalhas legais nos Estados Unidos sobre se o lobo cinzento é realmente uma espécie ameaçada, uma discussão paralela sobre o Canis lupus decorre nas páginas de uma importante publicação de biologia.

O ponto é se os lobos que actualmente percorrem a zona ocidental dos Grandes Lagos, abrangendo o Minnesota, Wisconsin, Michigan e parte do Canadá, merecem lugar na lista de espécies ameaçadas.

Alguns biólogos conservacionistas defendem que as populações de lobo já recuperaram e já não estão ameaçadas, enquanto outros sugerem que os lobos actuais não pertencem à mesma espécie que os que se perderam.

Depois de mais de um século de caça, os lobos foram colocados na lista americana de espécies ameaçadas em 1973, quando o seu efectivo caiu para apenas umas centenas. A população na região dos Grandes Lagos recuperou entretanto para cerca de 4 mil indivíduos e foi removida da lista em 2007, após a declaração do US Fish and Wildlife Service (FWS) de que eram 'um segmento populacional distinto'.

Mas um processo conduzido pela Humane Society of the United States levou os lobos dos Grandes Lagos de volta à lista no final do mês passado por decisão judicial em Columbia, com base no facto de a FWS não ter seguido os procedimentos legais adequados.

Esta semana, outro tribunal no Montana colocou uma outra população de lobos do norte das Montanhas Rochosas novamente na lista das espécies ameaçadas, depois de vários grupos conservacionistas terem conseguido revogar uma decisão federal do início deste ano.

Os biólogos conservacionistas continuam divididos sobre a decisão da zona dos Grandes Lagos. 

Robert Wayne, da Universidade da Califórnia, Los Angeles, e Jennifer Leonard, agora da Universidade de Uppsala na Suécia, publicaram no ano passado uma análise genética que mostrava que os lobos actuais dos Grandes Lagos são, de modo geral, uma mistura de lobo cinzento Canis lupus, coiote Canis latrans e híbridos das duas espécies. Apenas 31% dos lobos actuais são da mesma espécie que a população original, que apelidam de lobo dos Grandes Lagos e cuja assinatura genética definiram a partir de 17 amostras de há 100 anos. As suas conclusões: "a população anterior à recuperação não foi restaurada" e o lobo dos Grandes Lagos pertence à lista das espécies ameaçadas.

 

Mas esta alegação é refutada numa resposta ao seu artigo publicada esta semana na revista Biology Letters. David Mech, investigador do Northern Prairie Wildlife Research Center do US Geological Survey em Jamestown, North Dakota, diz que Leonard e Wayne estão a "gritar lobo!".

"O governo federal gasta milhões de dólares com os lobos, que podiam estar a ser gastos com outras espécies", diz Mech. "Se a espécie está recuperada, como acredito que o lobo está, o dinheiro seria muito melhor investido noutras espécies." 

Mech diz que a análise de Leonard e Wayne falhou os lobos dos Grandes Lagos que lá vivem actualmente. Ele também considera que o estudo usou um conjunto de amostras pequeno e geograficamente incompleto para estabelecer o perfil genético da população original, tornando a análise tendenciosa.

Leonard e Wayne respondem na mesma edição da revista, acusando Mech de "estar a sonhar acordado". "Quase todos os estudos genéticos de vertebrados selvagens podem ser, até certo ponto, questionados com base na amostragem mas, neste caso, a nossa conclusão de que a população histórica continha uma maior proporção de sequências únicas é robusta, dado o regime de amostras e o conhecimento histórico dos lobos da zona de recuperação."

Tyler Wheeldon, estudante de mestrado na Universidade Trent no Ontário, Canadá, está prestes a juntar a sua própria análise, actualmente para publicação na revista Biology Letters. Usando amostras históricas adicionais, ele conclui que a população de lobos dos Grandes Lagos é bastante semelhante à que existia por volta do início do século XX, logo já não está ameaçada.

"Actualmente temos um predador de topo que não é do tipo coiote, que era o que queriam recuperar", diz Wheeldon. "Se temos uma população recuperada que está a ocupar o papel do lobo, não nos devemos preocupar se é exactamente o que costumava estar lá."

Esta situação ilustra uma das questões que mais debate provoca na biologia da conservação: o que é uma espécie e  que significa recuperar uma espécie num ecossistema? O debate vai, inevitavelmente, continuar, tanto nas páginas das publicações científicas como nos tribunais. 

 

 

Saber mais:

US Fish and Wildlife Service - Wolf recovery facts

US Fish and Wildlife Service - Wolf biologue

Restaurada protecção federal a lobos das Rockies

 

 

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