2008-10-11

Subject: Perdas com a natureza ridicularizam a crise bancária

 

Perdas com a natureza ridicularizam a crise bancária

 

 

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A economia global está perder mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a actual crise bancária, revela um estudo da Comissão Europeia.

O estudo coloca os custos anuais da perda de florestas entre os 2 e os 5 triliões de dólares, números resultantes da soma do valor dos diversos serviços que a floresta nos fornece, como fornecimento de água limpa ou absorção de dióxido de carbono.

O estudo, liderado por um economista do Deutsche Bank, estabelece o paralelo com a análise Stern da economia das alterações climáticas e tem sido largamente debatido no Congresso Mundial da Conservação.

Alguns conservacionistas vêm-no como uma nova forma de persuadir os legisladores a financiar a protecção da natureza em vez de permitirem o declínio dos ecossistemas e espécies, salientado ainda esta semana pela publicação da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas.

Um dos responsáveis pelo estudo, Pavan Sukhdev, enfatizou que o custo do declínio da natureza ridiculariza as perdas dos mercados financeiros. "Não só é superior, como é contínuo, tem vindo a acontecer todos os anos, ano após ano. Por isso, enquanto as perdas de Wall Street são, até à data de $1a $1,5 triliões, a realidade é que à taxa actual estamos a perder capital natural de valor, pelo menos, entre $2 a $5 triliões todos os anos."

A análise que Sukhdev liderou, "A economia dos ecossistemas e da biodiversidade" (TEEB), foi iniciada pela Alemanha durante a sua recente presidência da União Europeia, financiada pela Comissão Europeia.

A primeira fase foi concluída em Maio, quando a equipa publicou a sua descoberta de que o declínio das florestas podia estar a custar cerca de 7% do PIB global. A segunda fase irá expandir o estudo a outros ecossistemas naturais.

Crucial para compreensão destas conclusões é o facto de o declínio das florestas fazer com que natureza deixe de fornecer serviços que são praticamente gratuitos. Assim, a economia humana ou tem que passar a fornece-los, talvez construindo reservatórios de água, instalações para o sequestro de dióxido de carbono ou cultivando alimentos que estavam antes naturalmente disponíveis, ou temos que passar sem eles. Seja como for, teremos um custo financeiro.

Os cálculos TEEB mostram que o custo cai desproporcionadamente sobre os mais pobres, pois uma maior parte do seu modo de vida depende directamente da floresta, especialmente nas regiões tropicais.

O custo maior para as nações ocidentais virá inicialmente de perder um sumidouro natural do mais importante gás de efeito de estufa.

 

Tal como a análise Stern trouxe a economia das alterações climáticas para a arena política e ajudou os políticos a ver as consequências das suas opções, muitos na comunidade conservacionista acreditam que a análise TEEB exponha as consequências económicas de impedir, ou não, o declínio da biodiversidade.

"Os números da análise Stern permitiram aos políticos acordar para a realidade", diz Andrew Mitchell, director do programa Global Canopy, uma organização preocupada com o canalizar de recursos financeiros para a preservação da floresta. "A TEEB vai fazer o mesmo para o valor da natureza e mostrar os riscos que corremos ao não lhe dar o valor devido."

Vários países, organizações e negócios estão a começar a dirigir fundos para a conservação da floresta e existem sinais de trocas no desenvolvimento dos ecossistemas, análogas às trocas de carbono, ainda que incipientes.

Alguns têm preocupações éticas com o valor atribuído à natureza simplesmente em termos de serviços prestados à humanidade mas o argumento contrário é que décadas de tentativas de controlar o declínio da biodiversidade argumentando com o valor intrínseco da natureza não teve grande resultado, logo deve-se tentar uma abordagem diferente.

Se os argumentos de Sukhdev terão alguma hipótese numa era de restrições financeiras é uma questão em aberto, ainda que muitos dos governos que presumivelmente serão chamados a financiar a protecção da floresta são aqueles que directa ou indirectamente estão a pagar a análise.

Mas, diz ele, as pessoas estão a compreender cada vez mais. "Os tempos mudaram. Actualmente, quando digo estas coisas, as pessoas ouvem. Perguntam-me como obtive estes números, o que se pode fazer, porque não falo com este ou aquele político, etc."

O objectivo é completar a análise TEEB até meados de 2010, a data em que os governos estão comprometidos pela Convenção sobre Diversidade Biológica a já ter iniciado o abrandamento da perda de biodiversidade. 

 

 

Saber mais:

Global Canopy Programme

Análise TEEB

 

 

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