2008-10-03

Subject: Aves fêmea sacrificam a saúde para produzir ovos mais coloridos

 

Aves fêmea sacrificam a saúde para produzir ovos mais coloridos

 

 

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Diz-se que os grandes artistas canalizam todas as suas energias na tela, o que os deixa exaustos depois de um surto de criatividade.

Agora os investigadores descobriram que as aves fêmea fazem um sacrifício semelhante quando coloram os seus ovos, criando tonalidades vívidas à custa da sua própria saúde.

O azul em muitos ovos de ave resulta da presença do composto biliverdim, um produto da degradação do grupo heme da hemoglobina que circula livremente no sangue. Mas o biliverdim não é só um pigmento, é também um antioxidante usado pelo corpo para impedir os danos celulares.

Investigações anteriores provaram que quando as fêmeas põem ovos azuis vibrantes, os seus parceiros têm maior probabilidade de permanecer junto delas e ajudar a criar os jovens. Por isso, os investigadores especularam que dado que o azul deriva de um antioxidante, é um sinal para os machos acerca do estado de saúde das fêmeas.

Alguns cientistas defenderam que a fêmea está a fazer um jogo perigoso, desistindo de recursos necessários à manutenção da sua saúde para convencer o seu parceiro que merece ser ajudada.

Determinados a descobrir se realmente as fêmeas estão a sacrificar a sua saúde para pôr ovos azuis, Judith Morales, da Universidade de Vigo, analisaram 100 caixas perto da cidade de Lozoya, no centro de Espanha, onde os papa-moscas negros Ficedula hypoleuca fazem o ninho. A equipa seguiu o progresso de 48 fêmeas desde que começaram a fazer ninho.

Uma vez os ninhos completos, foram removidos permanentemente da caixa ou removidos e imediatamente recolocados, uma medida de controlo que garantia que todas as aves tinham algum tipo de interferência humana.

As fêmeas cujos ninhos eram confiscados recomeçavam a reconstrui-los no espaço de dois dias e era-lhes permitido que o fizessem completamente. Uma vez completos os ninhos, começavam a postura.

 

Os cientistas mediram a cor dos ovos com um espectrofotómetro portátil e, uma semana após a postura completa, a equipa recolheu amostras de sangue.

Morales relata na revista Behavioural Ecology and Sociobiology que nem o facto de pôr ovos intensamente azuis, nem a reconstrução do ninho por si só desencadeavam um decréscimo notável nas concentrações do plasma do antioxidante mas os dois factores combinados sim.

Os cientistas sugerem que as aves de algum modo alteram a atribuição de biliverdim para os ovos, degradando as suas próprias defesas antioxidantes no processo. O efeito torna-se mensurável em aves que já estão em stress por terem de reconstruir o ninho, algo que por si só já se esperava ter impacto na descida dos níveis de antioxidante.

"Tanto quanto sabemos, esta é a primeira prova que os ovos azuis não são de graça, há um preço elevado que as fêmeas têm que pagar", diz Morales. "Isto origina um bom caso para a hipótese de que os ovos azuis estão a afectar a saúde das fêmeas", diz o ecologista evolutivo Martin Schaefer, da Universidade de Freiburg, Alemanha.

Schaefer sugere que o próximo passo é quantificar a ligação directa entre o baixo teor de biliverdim e as hipóteses de sobrevivência das aves. "Realizar o estudo novamente e analisar a sobrevivência a longo prazo das mães e da sua descendência iria solidificar esta questão."

Ainda está por determinar se outras espécies de aves pagam a mesma factura pesada mas Morales suspeita que aquelas que têm cuidados bi-parentais e ovos azuis estarão numa situação semelhante. 

 

 

Saber mais:

Egg coloration exhibition

 

 

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