2008-10-02

Subject: HIV já infecta o Homem há um século

 

HIV já infecta o Homem há um século

 

 

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Uma biopsia com 50 anos  de uma mulher africana apresenta vestígios de genoma de HIV, descobriram os investigadores.

A análise de sequências da amostra recém-descoberta sugere que o vírus já vem a afectar a humanidade há perto de um século.

Ainda que a SIDA não tenha sido reconhecida como tal até à década de 80 do século passado, o HIV já infectava humanos muito antes disso. Os investigadores esperam que ao estudar a origem e evolução do HIV consigam aprender mais acerca da forma como o vírus fez o salto dos chimpanzés para o Homem e arranjar uma forma de conceber uma vacina para o combater.

Em 1998 investigadores relataram o isolamento de sequências de HIV-1 de uma amostra de sangue recolhida em 1959 de um homem Bantu em Léopoldville (actual Kinshasa, capital da Republica Democrática do Congo). A análise dessa e de outras amostras sugeriu que o HIV-1 teria surgido algures entre 1915 e 1941.

Agora, investigadores relatam na revista Nature que descobriram outra amostra histórica, recolhida em 1960 de uma mulher que também vivia em Léopoldville.

Foram necessários oito anos de pesquisas para o biólogo evolutivo Michael Worobey, da Universidade do Arizona em Tucson, encontrasse colecções de amostras utilizáveis em África, antes de detectar a biopsia de nódulo linfático de 1960 na Universidade de Kinshasa.

As amostras tinham sido todas tratadas com químicos agressivos, embebidas em parafina e deixadas à temperatura ambiente durante décadas. Os materiais ácidos tinham degradado o genoma em pequenos fragmentos e a formalina, usada para preparar as amostras para microscopia, tinha associado os ácidos nucleicos com proteínas. "É como se tivéssemos um bonito colar de pérolas de DNA, RNA e proteínas e tivéssemos enrolado tudo, mergulhado em cola e deixado secar", diz Worobey.

A equipa concebeu uma combinação de métodos que lhes permitisse sequenciar DNA e RNA das amostras e outro laboratório da Universidade Northwestern de Chicago, Illinois, confirmou os resultados pois também encontrou vestígios de genoma de HIV-1 na biopsia.

Usando uma base de dados de sequências de HIV-1 e uma estimativa da atxa a que essas sequências se alteram ao longo do tempo, os investigadores modelaram o surgimento do HIV-1, o que terá sido por volta de 1908, quando Léopoldville estava a emergir como coentro de comércio.

 

Ainda que a data não seja surpreendente para a maioria dos investigadores do HIV, os novos dados deverão ajudar a persuadir aqueles que não tinham ficado convencidos com a amostra de 1959, diz Beatrice Hahn, investigadora do HIV na Universidade do Alabama em Birmingham.

As sequências das amostras de 1959 e 1960, as mais antigas encontradas até à data, mostram uma diferença de cerca de 12%. "Isto revela claramente que houve uma tremenda variação mesmo nessa altura", diz Simon Wain-Hobson, virologista do Instituto Pasteur de Paris.

No entanto, pode nunca vir a ser possível dizer exactamente como o HIV passou dos chimpanzés para os humanos, alerta Hahn. Ela já tinha seguido anteriormente a fonte provável do HIV-1 até aos chimpanzés do sudeste dos Camarões, a centenas de quilómetros de Kinshasa, e está a tentar demonstrar a hipótese de que as rotas comerciais tenham contribuído para a infiltração do vírus na cidade. 

Mas mesmo em 1960 o HIV-1 só tinha infectado alguns milhares de africanos, é pouco provável que seja possível segui-lo através de amostras até às primeiras vítimas, salienta ela.

Entretanto, Worobey tenciona continuar a sua pesquisa através das colecções antigas de amostras na esperança de encontrar outros positivos. Eventualmente, diz ele, pode mesmo ser possível reconstruir os vírus HIV históricos para estudo.

A recolha de informação sobre estirpes antigas de HIV, mesmo aquelas que desapareceram com o tempo, pode ajudar os investigadores a compreender de que forma as estirpes vencedoras se desenvolveram, diz Wain-Hobson. "Para cada estrela de Hollywood existem cinquenta candidatos a estrela", diz ele. "Nós gostávamos de saber o que fez com que esta estirpe passasse de candidata a estrela a estrela de primeira grandeza." 

 

 

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