2008-10-01

Subject: O que se vê é o que evolui

 

O que se vê é o que evolui

 

 

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O que os peixes vêm, pelo menos num lago africano, pode ser a força condutora da evolução em direcção a novas espécies.

A biologia evolutiva refere tipicamente que uma nova espécie surge quando populações ficam isoladas uma da outra, forçando-as a adaptarem-se de formas diferentes mas este novo trabalho é a evidência mais forte até à data de que diferenças sensoriais, neste caso na visão, podem dar origem a novas espécies.

Biólogos liderados por Ole Seehausen, da Universidade de Berna, Suíça, estudaram peixes ciclídeos do lago Vitória no leste africano. O lago contém mais de 500 espécies de ciclídeos, cuja extraordinária diversidade é perfeita para estudos sobre evolução mas, diz Seehausen, "o mecanismo pelo qual se obtém tantas espécies num único lago não é claro".

O grupo colocou a hipótese de que a visão pode ser parte da razão. A clareza da água e a luz ambiente variam consideravelmente através do lago e peixes de muitas espécies variam em cor. Em zonas baixas, a luz azul é dominante e as águas são povoadas por machos azuis da espécie Pundamilia pundamilia. À medida que a profundidade aumenta, a luz vermelha torna-se dominante e maior número de machos vermelhos da espécie Pundamilia nyererei são observados.

Estudos anteriores tinham demonstrado que a selecção natural actua sobre a visão afinando os olhos para o ambiente de forma a que os indivíduos possam ver melhor o seu alimento, os seus predadores e que outros membros da sua espécie estão em volta.

 

Os investigadores já tinham identificado anteriormente variantes num dos genes responsáveis pela afinação da visão dos peixes para as diversas cores. Neste novo estudo, eles descobriram que algumas das variações são mais sensíveis à luz vermelha e os peixes com essa variação vivem em águas mais profundas no lago, enquanto outras variações são mais sensíveis ao azul e esses peixes vivem em águas rasas.

"Descobrimos uma forte associação entre o gene visual e a cor do peixe", diz Seehausen. "Os peixes vermelhos têm o gene que altera a visão de forma a captar melhor a luz vermelha e os peixes azuis têm os genes visuais que captam a luz azul."

O grupo também descobriu que algumas fêmeas com visão para o lado azul do espectro preferem acasalar com machos azuis e as fêmeas com com visão para o vermelho preferem os machos vermelhos, sugerindo de que forma as diferenças de visão podem conduzir a alterações na escolha do parceiro e, em última análise, ao nascimento de uma nova espécie.

"É realmente um belo estudo, com uma utilização dos dados impressionante", diz Jenny Boughman, bióloga evolutiva na Universidade do Wisconsin, Madison. "Eles demonstram uma clara segregação entre o que os peixes vêm, a sua cor e onde vivem."

Mas para ela é necessário mais trabalho, nomeadamente sobre a questão de ser a visão das fêmeas que leva a que escolham machos de cor diferente. Só isso, defende ela, provará que é a visão que está a conduzir a especiação no lago. 

 

 

Saber mais:

Molecular Ecology

 

 

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