2008-09-30

Subject: Limpadores dos recifes mantêm a paz

 

Limpadores dos recifes mantêm a paz

 

 

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Pensava-se que apenas os humanos e um punhado de outros primatas tentavam estabelecer a paz entre terceiros em conflito mas agora descobriu-se um terceiro diplomata: o peixe limpador.

O peixe limpador Labroides dimidiatus alimenta-se dos parasitas externos de outros peixes, ao mesmo tempo que realizam uma massagem calmante com as barbatanas peitorais. Como agradecimento pelo serviço que prestam, os outros peixes não atacam o limpadores e regressam regularmente aos seus territórios para lhes fornecer mais alimento.

A situação dos peixes limpadores é um exemplo clássico de mutualismo, em que cada uma das espécies envolvidas beneficia com a situação mas a ecologista Karen Cheney, da Universidade de Queensland, Austrália, suspeitava que havia algo mais.

Cheney tinha observado muito poucos sinais de agressividade entre os peixes clientes do recife nas estações de limpeza e ainda menos casos de predação. Frequentemente os peixes ficavam no interior dos territórios dos limpadores mesmo depois da limpeza ter terminado, sugerindo que os territórios estariam a funcionar como zonas seguras.

Para testar esta teoria, Cheney montou três aquários, cada um contendo uma combinação de peixes clientes dos limpadores, tanto carnívoros como herbívoros. No primeiro, introduziu um peixe limpador, no segundo, um peixe controlo que não era predador ou presa, para que se observasse se a presença de um terceiro tipo de peixe alterava as dinâmicas sociais entre herbívoros e carnívoros. No terceiro aquário não existia peixe extra. 

Os investigadores seguiram de perto o comportamento dos peixes nos aquários, registando perseguições, predação e limpezas, e relatam na última edição da revista Behavioral Ecology que no segundo e terceiro aquários os herbívoros eram perseguidos 7 a 10 vezes em 30 minutos, com 3 espécies a ser devoradas. No entanto, no aquário com o peixe limpador, houve apenas 2 ou 3 perseguições em 30 minutos e nenhum peixe foi devorado.

 

"Esta situação ilustra de que forma as interacções directas entre indivíduos podem ter efeito sobre outros, criando zonas seguras para as presas", diz o biólogo evolucionista Dan Blumstein, da Universidade da Califórnia, Los Angeles.

Mas porque motivo os predadores deixam de caçar em presença dos peixes limpadores? 

"Porque não caçar enquanto se espera?", pergunta o zoólogo Frans de Waal, da Universidade Emory de Atlanta, Georgia. De Waal pensa que os predadores podem entrar noutro estado de espírito quando passam para a zona de limpeza, ficando menos focados na captura de presas. "Os animais ficam frequentemente em modo de alimentação, modo social ou de migração, estados em que não pensam em mais nada. Talvez estar na presença de um limpador impeça o modo de caça", diz de Waal.

O estudo também demonstrou que quanto mais tempo o predador estiver a ser limpo menos provável é que persiga presas após a limpeza, revelando que os limpadores têm a capacidade de alterar directamente o comportamento dos seus clientes. "Mas apenas saberemos de certeza que eles medeiam intencionalmente duas espécies quando observarmos que eles aumentam as massagens a um predador quando há grande quantidade de presas na zona", diz Cheney. 

 

 

Saber mais:

Behavioral Ecology

 

 

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