2008-09-29

Subject: A origem do picante das alforrecas

 

A origem do picante das alforrecas

 

 

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As alforrecas podem dever um agradecimento a uma humilde bactéria pela sua capacidade de picar as presas.

Os cientistas descobriram que um dos genes necessários para que estes animais piquem é semelhante a um presente em bactérias, sugerindo que os ancestrais das alforrecas recolheram o gene de microrganismos. O estudo foi publicado na edição desta semana da revista Current Biology.

"O resultado foi uma grande surpresa", diz o biólogo do desenvolvimento Nicolas Rabet, da Universidade Pierre e Marie Curie em Paris, líder da equipa. "Este tipo de transferência horizontal de genes é frequentemente negligenciada e pode frequentemente ser mais importante do que se pensa."

Ao contrário da transferência vertical de genes, dos progenitores para a descendência, a transferência horizontal ocorre entre organismos da mesma geração ou mesmo entre espécies diferentes. Vulgar em microrganismos, apenas foi descrita umas tantas vezes em animais. Besouros japoneses recolheram sequências de uma bactéria parasita e rotíferos bedelóides recolheram genes de bactérias, fungos e plantas.

O gene em questão codifica uma subunidade da poli-gama-glutamato (PGA) sintase, uma enzima que contrói o PGA, um componente essencial às células urticantes das alforrecas. O gene aparece em todos os seres do filo Cnidaria, onde se incluem as alforrecas, as anémonas e os corais.

Ao recolher iões positivos, o PGA permite às células regular a sua pressão osmótica e uma alteração brusca nessa pressão lança um dardo venenoso. Em bactérias, o mesmo composto pode formar uma cápsula protectora, o que origina a textura filamentosa e aroma pungente do natto japonês.

 

Através de uma análise filogenética, Rabet descobriu que o gene dos cnidários encaixa bem na árvore filogenética bacteriana. Também demonstrou que o gene está activo pelo menos numa alforreca, Clytia hemisphaerica. O mesmo gene surge em cartas esponjas, vermes e fungos, sugerindo que saltou a barreira da espécie mais de uma vez. Ainda não é claro de que forma a transferência pode ter ocorrido, ou porque motivo este gene é tão viajado.

"Penso que a interpretação dos autores deve estar correcta", diz Michael Syvanen, que estuda genética comparativa na Universidade da Califórnia, Davis. No entanto, outras possibilidades não podem ser postas de parte.

"Há outras explicações para as incongruências que eles encontraram na árvore filogenética", concorda Casey Dunn, biólogo evolutivo que estuda questões filogenéticas na Universidade Brown de Providence, Rhode Island.

Por exemplo, o gene podia ser transferido verticalmente a partir de um progenitor distante, sendo perdido antes em alguns organismos, ou pode ser possível que mais do que um animal tenha desenvolvido independentemente o gene. Uma conversão em sequência como esta é inaudita.

Rabet responde que dado que o gene da PGA-sintase tem cerca de 1000 bases de comprimento, é estatisticamente improvável que seja o produto de múltiplos genes distintos que convergiram na mesma sequência.

Se o gene foi perdido em todos excepto os cnidários e poucos outros, deve ter desaparecido de todos os animais aparentados. "É possível mas é preciso imaginar uma data de genes perdidos."

Os cientistas estão a descobrir que a transferência horizontal de genes, antes considerada do domínio dos organismos unicelulares, não é tão invulgar nos animais, diz Syvanen. "A transferência horizontal de genes em animais vai ser afinal muito mais vulgar do que se acredita, o que vai mudar a forma como olhamos para a evolução." 

 

 

Saber mais:

Oceanic Research Group- Cnidarians

 

 

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