2008-09-27

Subject: Gorilas de Dian Fossey exumados para investigação

 

Gorilas de Dian Fossey exumados para investigação

 

 

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Os investigadores estão a preparar os despojos esqueléticos de 72 gorilas da montanha ruandeses para uma análise ao estilo CSI que, esperam, ajude a esclarecer aspectos da saúde e evolução destes grandes símios e do Homem.

Os despojos dos gorilas, recuperados este Verão numa zona do Ruanda tornada famosa pela primatóloga Dian Fossey, foram exumados de três campas ou recuperados dos arquivos das autoridades da fauna selvagem ou de clínicas veterinárias, onde foram armazenados post-mortem.

Muitos dos despojos já tinham sido identificados como pertencendo a gorilas específicos, registados nas notas de campo de Fossey e outros investigadores.

"Ler" os ossos, dentes e unhas recuperados pode revelar o impacto de alterações ambientais e doenças no crescimento ósseo destes primatas gigantes, que Fossey seguiu de perto durante perto de duas décadas.

O trabalho, liderado por uma equipa internacional de funcionários da fauna selvagem, antropólogos, veterinários, conservacionistas e analistas forenses, resultou até agora na maior colecção de restos ósseos de gorila de montanha do mundo, revela um dos líderes do projecto Tim Bromage, professor de biomateriais e biomimética da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Nova Iorque.

A equipa de investigação vai começar a analisar os vestígios, comparando as descobertas com as observações registadas por Fossey e os seus colegas actualmente.

O estudo pode expor detalhes importantes acerca das doenças dos gorilas da montanha, permitindo aos investigadores desenvolver melhores estratégias de conservação, diz Tony Mudakikwa, líder do projecto e veterinário-chefe no Gabinete Ruandês de Turismo e Parques Nacionais, que detém a colecção de ossos.

Restam apenas 700 gorilas da montanha, divididos entre Floresta Impenetrável de Bwindi no Uganda e as montanhas Virunga, que percorrem as fronteiras do Ruanda, Uganda e Republica Democrática do Congo.

O biólogo George Schaller e o seu estudo inovador dos gorilas da montanha em 1959 demonstraram que estes grandes primatas são herbívoros gentis e não perigosos para o Homem, ao contrário do que antes se acreditava, mas foi Dian Fossey que trouxe os gorilas do Ruanda para as luzes da ribalta.

Em 1967 Fossey estabeleceu o Centro de Investigação de Karisoke nas montanhas Virunga do Ruanda, onde passou os 18 anos seguintes a estudar os primatas.

Ela começou o seu trabalho por habituar os gorilas à sua presença, de modo a que se pudesse sentar próximo deles e tomar notas detalhadas do seu comportamento e vida diária.

 

"Imaginem alguém a seguir-vos por todo o lado e a escrever tudo o que vos acontece: quando apanharam gripe, quando encontraram um parceiro, quando alguém vos agrediu", descreve Bromage. 

Fossey enterrou os gorilas que morreram enquanto lá esteve num cemitério perto de Karisoke no Parque Nacional dos Vulcões do Ruanda, pois ainda que lutasse duramente para afastar os caçadores furtivos, muitos gorilas foram abatidos. Ela própria foi assassinada em 1985 na sua cabana do centro Karisoke. Devido a esta história pessoal, as campas dos gorilas mais próximos de Fossey não foram perturbadas.

Recentemente, os investigadores acrescentaram ao legado de Fossey um manancial de informação sobre ecologia, saúde e bem-estar dos gorilas.

"A profundidade de informação individual associada a muitos destes esqueletos é que torna esta colecção tão extraordinária", diz Shannon McFarlin, do Centro de Estudos Avançados de Paleobiologia dos Hominídeos.

Ser capaz de comparar notas que registam "detalhes íntimos" dos gorilas com a análise actual dos esqueletos e tecidos irá ajudar os investigadores a colocar as observações num contexto mais amplo, diz McFarlin.

Os ciclos de doença dos gorilas, que podem deixar marcas nos ossos, estão associados a flutuações ambientais de uma estação chuvosa para a seguinte, diz Bromage. "Isto é importante porque muitos consideram que a estação das chuvas está a cada vez mais longa devido às alterações climáticas."

"A análise dos esqueletos é outra arma para nós salvarmos os gorilas", diz Michael Cranfield, director do Projecto Veterinário Gorila da Montanha do Ruanda. Se os ossos revelaram má nutrição associada aos esqueletos, os investigadores podem procurar nas notas de campo pistas acerca do que os animais comiam e restaurar vegetação mais nutritiva a certos habitats.

Por exemplo, explica Bromage, "pode-se também descobrir que as histórias de desenvolvimento dos ossos e dentes dos primatas macho e fêmea são diferentes, o que nos dará uma pista para a forma de identificar o sexo de um hominídeo ancestral".

Depois dos esqueletos terem sido limpos  estudados, o Gabinete de Turismo e Parques Nacionais tenciona colocar a colecção no recém-aberto Museu de História Natural de Kigali.

 

 

Saber mais:

George Washington University Center for the Advanced Study of Hominid Paleobiology

Dian Fossey

Saving Gorillas - The Dian Fossey Gorilla Fund International

 

 

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