2008-09-26

Subject: Receios vêm ao de cima juntamente com fugas de metano

 

Receios vêm ao de cima juntamente com fugas de metano

 

 

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Dados preliminares de duas expedições árcticas sugerem que a subida das temperaturas já está a fazer com que quantidades substanciais de metano sejam libertadas do fundo do mar mas fugas catastróficas de gás, como a que se pensa ter ocorrido há 55 milhões de anos, são improváveis, dizem os cientistas.

Nas últimas semanas os cientistas do navio inglês de pesquisa James Clark Ross descobriram que mais de 250 plumas de metano a borbulhar ao longo da orla da plataforma continental a noroeste de Svalbard. As descobertas juntam-se a outra situação semelhante descoberta por cientistas russos em Agosto, que relataram concentrações elevadas de metano perto do delta do rio Lena, como parte do Estudo Internacional da Plataforma Siberiana (ISSS).

As descobertas causaram notícias alarmistas a prever libertação maciça de metano e uma aceleração do aquecimento global. O metano é um gás de efeito de estufa bem mais poderoso que o dióxido de carbono, ainda que presente em concentrações muito inferiores na atmosfera.

No entanto, o fenómeno não deve ser novo. Os cientistas acreditam que o metano tem vindo a ser libertado na região há pelo menos 15 mil anos. "O que estamos agora a ver não começou há um ano ou coisa assim", diz o geofísico Graham Westbrook, da Universidade de Birmingham, que liderou a equipa inglesa.

"Temos observado um aumento da concentração de metano no mar de Laptev em várias expedições desde meados dos anos 90", diz Igor Semiletov, responsável pelo programa de metano do ISSS a bordo do navio de pesquisa russo Jacob Smirnitskyi. "Mas os dados são muito limitados, se o que estamos a observar na região tem alguma relevância para o clima global é pura especulação."

Semiletov diz que os cientistas realmente mediram concentrações superiores de metano dissolvido este Verão, quando comparadas com as amostras de 2003 e 2004. Num local coberto de gelo na zona da plataforma com apenas 50 metros de água, detectaram metano a borbulhar na superfície, indicando que pelo menos parte do gás libertado no fundo se escapa para a atmosfera antes de ser consumido por bactérias da coluna de água.

Os geólogos pensam que milhares de milhões de toneladas de metano se encontram debaixo da permafrost subaquática das zonas baixas da plataforma siberiana, ainda que as estimativas variem muito. O hidrocarboneto, armazenado sob a forma gasosa ou em estruturas sólidas semelhantes a gelo chamadas hidratos de metano, é um vestígio da última era glaciar, quando o nível do mar era cerca de 100 metros mais baixo. O grande receio é que o metano se escape em resultado do aumento de porosidade da permafrost, possivelmente devido a um aumento do fluxo de água doce do rio Lena, que é relativamente quente.

 

"O risco é real", diz Hans-Wolfgang Hubberten, perito em permafrost no Instituto Alfred Wegener de Investigação Polar e Marinha de Potsdam, Alemanha. "Mas não há razão para pânico. As alegações de que os hidratos de metano estão a dissociar-se de forma rápida não devem ser levadas ao pé da letra."

Modelos termais sugerem que a permafrost marinha na região é relativamente estável. No entanto, perfurações levadas a cabo em 2005 revelaram que a permafrost pode ter aquecido e ficado mais fina de forma ligeira. Mesmo assim, diz Hubberten, é provável que as emissões observadas resultem de metano 'novo' produzido pelo aumento da actividade bacteriana no solo em degelo, e não da degradação de hidratos de gás ancestrais.

Amostras de metano, ar e água recolhidas por ambas as equipas vão agora ser enviadas para laboratórios de isótopos na Holanda e nos Estados Unidos, para ajudar a determinar a origem do metano. A análise geoquímica também deve revelar quanto desse gás escapa para a atmosfera, diz Westbrook. 

Globalmente, as concentrações de metano atmosférico aumentaram de 7,5 partes por bilião para perto de 1800 partes por bilião durante 2007, depois de um crescimento praticamente nulo desde 1999. A tendência de alta deve continuar este ano, diz Ed Dlugokencky, responsável pela base de dados da National Oceanographic and Atmospheric Administration (NOAA) em Boulder, Colorado. "Os nossos dados sugerem que as emissões aumentaram no Árctico e nos trópicos, ambas as regiões estão mais quentes e mais húmidas do que a média."

Dados recolhidos pela NOAA em locais remotos estão normalmente pelo menos 6 semanas desactualizados e a rede de medições da NOAA no Árctico não é suficientemente densa para verificar se o aumento das emissões de metano tem origem nas zonas húmidas, na permafrost ou dos hidratos gasosos nas plataformas continentais. 

 

 

Saber mais:

International Polar Year

NOAA Annual Greenhouse Gas Index

Fontes hidrotermais das profundidades produzem petróleo e gás

Mistério do metano continua

Gases venenosos responsáveis pela maior extinção

Aquecimento na Sibéria causa alarme

 

 

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