2008-09-24

Subject: Competição por sexo dificulta a recuperação de espécies ameaçadas

 

Competição por sexo dificulta a recuperação de espécies ameaçadas

 

 

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As batalhas pela supremacia reprodutora entre os indivíduos de uma espécie ameaçada de extinção podem dificultar significativamente a taxa de recuperação da população, revela um novo estudo que mediu os efeitos deste tipo de competição sobre a conservação.

A pesquisa sugere que alguns aspectos da prática conservacionista, como a alimentação suplementar de uma espécie ameaçada, devem ser reavaliadas de modo a ter em conta este efeito.

A luta pelo direito de se reproduzir há muito se sabe que beneficia os indivíduos e não os grupos, podendo, em alguns casos, ter efeitos negativos na população como um todo. No entanto, o impacto dessas lutas sobre os esforços de conservação de populações como um todo nunca tinha sido explorado, de acordo com a equipa de biólogos liderada por Andrés López-Sepulcre, da Universidade da Califórnia, Riverside.

Ele baseou a análise no pisco-pêga das Seychelles (Copsychus sechellarum), que foi considerado em 1988 uma das aves mais ameaçadas do mundo. Os investigadores descobriram que a competição reprodutora atrasava a recuperação da ave do seu estatuto de criticamente ameaçada em 33%.

Essa conclusão surgiu de um modelo de computador detalhado do crescimento populacional em dois cenários diferentes. Um cenário controlo simulava o crescimento em situações de conflito da vida real, enquanto o cenário alternativo modelava o crescimento da população num ambiente livre de conflitos.

Os cientistas têm registos extensos sobre as aves: todos os indivíduos na população tinham vindo a ser seguidos no espaço de tempo entre 1988 e 2004, incluindo registos de comportamentos de acasalamento, o que permitiu a construção de modelos muito precisos. De facto, a simulação controlo previu de forma correcta a taxa de crescimento observada, em que as aves a passarem à categoria de apenas 'ameaçadas' após 11 anos.

 

Mas no cenário livre de conflitos, os modelos mostraram que a população teria atingido esse nível mais de 32 meses antes.

Os indivíduos subordinados que não se reproduzem são geralmente considerados benéficos para as populações por alimentarem as crias de outros mas a bióloga Hanna Kokko, da Universidade de Helsínquia, que ainda que essa presença possa ajudar em alguns aspectos, o efeito global nas suas simulações era negativo.

Os piscos vivem em grupos com 2 a 10 indivíduos, com um único casal dominante reprodutor e as lutas são frequentes pelo território reprodutor no grupo, com as aves subordinadas a tentar derrubar o par dominante.

"A presença de subordinados do mesmo sexo ao lado dos indivíduos dominantes fá-los lutar mais, alimentar-se menos e aumenta a usurpação de território a cada mês", diz ela. "Pode-se dizer que isto não interessa porque se um casal não se reproduz é porque outro o faz mas estas aves levam muito tempo a estabelecer claramente a dominância depois de uma luta, logo a reprodução é afectada. Descobrimos que lhes levou mais 33% de tempo a recuperar, o que pode ser expresso como um aumento de 33% na taxa de extinção."

Compreender estes comportamentos pode melhorar a gestão das técnicas de conservação. Por exemplo, alguns métodos de gestão, como a alimentação suplementar, podem aumentar os conflitos pelo território, dificultando a recuperação.

O biólogo conservacionista Guy Cowlishaw, do Instituto de Zoologia de Londres, diz que o estudo ilustra a forma como comportamentos individuais podem ser importantes para a persistência das populações e a conservação.

"Há aqui lições importantes para a conservação", diz ele. "Pode-se pensar que um conservacionista faz o suficiente ao proteger o habitat ou impedindo a caça." Mas este estudo mostra que a análise de comportamentos individuais pode mostrar se as populações ameaçadas estão a recuperar mais lentamente do que se esperava e conduzir os conservacionistas na direcção correcta. 

 

 

Saber mais:

A nova linguagem da conservação

 

 

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