2008-09-23

Subject: Tartaruga extinta pode viver novamente

 

Tartaruga extinta pode viver novamente

 

 

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Uma espécie de tartaruga extinta das Galápagos pode voltar a viver, acreditam os cientistas.

Escrevendo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os investigadores relatam a descoberta de parentes vivos da espécie Geochelone elephantopus.

Cruzamentos entre estas tartarugas vivas podem recrear a espécie extinta, ainda que possa passar um século até que isso aconteça.

A distribuição de tartarugas aparentadas entre as ilhas foi uma das provas que Charles Darwin utilizou na formulação da sua teoria da evolução, mas das 15 espécies das Galápagos conhecidas, quatro extinguiram-se desde então, a G. elephantopus menos de duas décadas depois de Darwin ter visitado a ilha.

Agora, de acordo com Gisella Caccone, da Universidade de Yale em New Haven, existe uma possibilidade de o seu antigo lar na ilha de Floreana voltar a sentir os seus passos. "Talvez sejam precisas três ou quatro gerações mas em teoria pode ser feito e eu penso que é muito entusiasmante recuperar dos mortos um genoma que pensávamos perdido."

Quando o HMS Beagle visitou as Galápagos em 1835, Darwin notou que muitas das ilhas eram lar de tartarugas gigantes que partilhavam muitas características, e ainda assim eram diferentes de ilha para ilha.

O vice-governador do arquipélago disse ao naturalista que conseguia identificar a que ilha pertencia uma dada tartaruga só pela sua aparência.

Mais tarde, Darwin assumiu que os animais tinham sido transportados para as Galápagos a partir do continente sul-americano, onde se podiam observar espécies semelhantes. Tal como com outros grupos de animais, ele acreditava que uma vez um grupo de tartarugas chegado a uma ilha, viveria uma existência relativamente isolada e as populações nas diversas ilhas evoluiriam de foras subtilmente diferentes.

"Por isso, as várias ilhas das Galápagos são ocupadas, como já mostrei antes, de uma forma maravilhosa por espécies aparentadas de perto. Assim, os habitantes de cada ilha, apesar de distintos, são aparentados de uma forma incomparavelmente mais próxima que os habitantes de qualquer outra parte do mundo", escreveu ele na sua obra prima A origem das espécies.

Mas ele também observou em primeira mão que algumas das ilhas estavam a perder os seus maravilhosos habitantes devido à presença dos navios baleeiros, que recolhiam as tartarugas para serem mortas e comidas posteriormente pelos marinheiros.

Caccone acredita que cerca de 250 mil tartarugas podem ter desaparecido desta forma e Floreana, como ilha relativamente baixa e onde a fauna selvagem era relativamente fácil de caçar, foi devastada mais que as restantes, o que levou à extinção da G. elephantopus.

A maior ilha de todas, Isabela, foi menos devassada e em volta de um dos seus vulcões os investigadores descobriram um grupo de animais que não tinha o mesmo aspecto dos outros. Agora, análise genética mostrou que eles estão próximos da linhagem de Floreana.

 

Nikos PoulakakisA explicação mais provável é que por vezes os baleeiros descobrissem que tinham recolhido mais tartarugas do que precisavam e atirassem os animais borda fora em águas rasas à medida que se deslocavam pelo arquipélago.

Dessa forma, algumas das tartarugas de Floreana chegaram a Isabela, onde os seus genes, ainda que lentamente pois estes animais demoram cerca de 25 anos a produzir uma nova geração, se misturaram com os de outras espécies.

Descobrir os parentes é uma coisa mas usar o seu material genético para trazer de volta da extinção a espécie de Floreana é bem diferente.

A equipa de Yale tenciona fazer um estudo exaustivo da região do vulcão Lobo em Isabela para identificar mais indivíduos que transportem genes de G. elephantopus.

"Seguidamente teremos que analisar os indivíduos com interesse, fazer-lhes o genótipo, talvez fazer uma selecção assistida por marcadores para ajudar no processo", explica Caccone.

A selecção assistida por marcadores envolve escolher quais os indivíduos a cruzar, de acordo com as versões que transportam de cada gene, retirando parte do acaso envolvido nos cruzamentos convencionais.

Mas os longos intervalos entre gerações significam que mesmo que o projecto avance, não será concluído em breve. Que termine daqui a um século é uma aposta mais provável. 

 

 

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