2008-09-18

Subject: Chegar ao fundo da evolução

 

Chegar ao fundo da evolução

 

 

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WamionaPode não ser o tipo de coisa que se discuta à mesa do jantar mas nova investigação está a abrir um aceso debate sobre a origem do ânus.

Hoje, dois biólogos evolutivos publicaram na revista Nature evidências genéticas que alegam refutar a teoria geralmente aceite da evolução anal.

Os seus trabalhos sugerem que o ânus pode ter evoluído diversas vezes em muitos organismos diferentes e propõem que, em algumas linhagens, o ânus pode ter-se formado através da fusão do intestino com os órgãos reprodutivos.

Os primeiros organismos que beneficiaram da presença do intestino apenas apresentavam uma abertura, a boca, através da qual entrava comida e saíam resíduos.

No entanto, à medida que os organismos aumentavam de tamanho e comprimento, ter apenas uma abertura tornou-se impraticável. "Um intestino longo torna a separação dos alimentos e dos resíduos através de uma única abertura pouco eficiente", diz Andreas Hejnol, investigador da Universidade do Havai em Honolulu e um dos autores do estudo. "Por isso, foi necessário desenvolver um ânus."

"A questão muito simples é como se passou de uma abertura para duas", diz Detlev Arendt, investigador do Laboratório Europeu de Biologia Molecular em Heidelberg, Alemanha. A questão pode ser muito simples mas não tem uma resposta fácil.

Abrir uma nova abertura na ponta oposta à boca é pouco provável do ponto de vista evolutivo, diz Arendt. Por isso ele sugeriu que, ao longo do tempo, a boca se alongou e eventualmente se separou em duas aberturas, a boca e o ânus. Uma vez que o corpo tivesse um intestino com duas extremidades, o ânus podia migrar para a extremidade posterior do animal.

Hejnol e o co-autor Mark Martindale, também da Universidade do Havai, têm opinião diferente. Eles compararam os padrões de expressão genética durante o desenvolvimento em cada extremidade do corpo de Convolutriloba longifissura, um verme achatado simples com um intestino em forma de saco e com uma única abertura (boca), com o padrão observado em vermes mais complexos, já com boca e ânus.

 

O C. longifissura e outros vermes expressaram os mesmos genes durante a construção da boca mas, talvez mais importante, alguns genes eram expressos no intestino posterior de várias espécies também eram expressos na extremidade posterior do C. longifissura, em vez de na zona da boca. As descobertas sugerem que o ânus não se desenvolveu a partir da boca mas de alguma outra forma.

Uma outra forma da natureza produzir um ânus, diz Hejnol, é a partir de tecido reprodutor. Existe um gene expresso no ânus de alguns vermes mais complexos que também se expressa nas vias reprodutoras do C. longifissura. Isto sugere que as vias reprodutoras podem ter evoluído primeiro e depois terem-se unido ao intestino. 

Muitos organismos mais complexos como as aves, répteis e anfíbios partilham uma única abertura para todos os processos excepto a ingestão de alimentos (a abertura da cloaca), e este trabalho pode estar a indicar a sua origem.

No entanto, Arendt discorda. O C. longifissura é um animal de evolução rápida, salienta ele, logo o que é agora uma via reprodutora pode ter sido inicialmente um ânus, em vez do inverso. Ele refere que gostaria de conhecer um seguimento com um estudo de animais com taxa e evolução mais lenta para ficar convencido.

Claus Nielsen, professor emérito de zoologia na Universidade de Copenhaga, Dinamarca, concorda que a questão ainda não foi totalmente respondida mas pensa que este trabalho vai estimular novas discussões acerca do ânus e da sua origem pois "é muito interessante e dá-nos que pensar", conclui ele. 

 

 

Saber mais:

Andreas Hejnol

 

 

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