2008-09-17

Subject: Proibição do consumo de carne selvagem pode ter efeitos perversos

 

Proibição do consumo de carne selvagem pode ter efeitos perversos

 

 

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DuikerProibições genéricas para o consumo de carne selvagem em África estão "condenadas ao fracasso" e podem mesmo ser danosas para os esforços de conservação da fauna selvagem, revela um novo estudo.

O relatório do Center for International Forestry Research (CIFOR), sediado em Bogor, Indonésia, sugere que, pelo contrário, o comércio de carne selvagem devia ser regulado, permitindo-se a caça para espécies relativamente comuns, espécies com reprodução acelerada como os duikers (um pequeno antílope) e roedores, enquanto espécies ameaçadas, como os primatas, deviam continuar a ser protegidas.

O CIFOR é um de 15 centros internacionais de pesquisa financeados pelo Consultative Group on International Agricultural Research, uma parceria de governos, organizações internacionais e fundações privadas. 

O relatório, publicado a 16 de Setembro, foi escrito em associação com o Secretariado da Convenção sobre a Diversidade Biológica em Montreal, Canadá, e alerta para o facto de os actuais níveis de caça para carne selvagem poder conduzir à extinção de alguns animais de floresta no espaço de menos de 50 anos, levando a sérias ameaças à segurança alimentar das comunidades rurais africanas.

A recolha anual actual de carne selvagem na África central é de mais de um milhão de toneladas, fornecendo até 80% da proteína e gordura necessária às comunidades rurais. As necessidades destas comunidades locais, que frequentemente dependem exclusivamente da carne selvagem para alimento e rendimento, têm sido sub-representadas nos debates sobre a conservação da fauna selvagem, diz o relatório.

"Apresentando o problema da carne selvagem de outra forma, de uma questão de bem-estar animal para uma de modos de vida sustentáveis, e no contexto de uma crise global de alimentos, pode ser um bom início", diz Frances Seymour, director geral do CIFOR.

As vendas locais de carne selvagem podem ser significativas. Na Republica Democrática do Congo, por exemplo, até 90% da carne selvagem caçada é vendida logo na aldeia, revela o relatório. Estes números contrariam a ideia de que proibir completamente o comércio de carne selvagem resultará numa vitória tanto para conservacionistas como para os locais.

 

"Só se o caçador local obtiver algum direito de decidir o quê, onde e quantos pode caçar ... é que poderá abraçar esta responsabilidade de caçar de forma sustentável", diz Robert Nasi, do CIFOR e um dos autores do relatório.

Para compreender o que pode ser sustentável, diz Nathalie Van Vliet, perita no comércio de carne selvagem na CIFOR, "é necessário urgentemente investigar mais para entender a biologia e a ecologia da caça, do funcionamento do comércio e dos processos de caça".

O relatório vai ser discutido por conservacionistas e políticos no Congresso Mundial de Conservação em Barcelona no próximo mês.

Marcus Rowcliffe, investigador no Instituto de Zoologia de Londres, refere que as recomendações do relatório são "muito sensíveis". Algo que envolve direitos de utilizadores locais faz mais sentido que uma proibição genérica, diz ele, e pode vir ao encontro do actual pensamento de muitos grupos conservacionistas mas certamente haverá um debate acalorado.

Será muito complicado criar e controlar políticas que protejam espécies vulneráveis mas permitam a caça sustentada de espécies comuns, diz Matthew Evans, biólogo conservacionista do Centre for Ecology and Conservation da Universidade de Exeter.

"Do ponto de vista científico, teremos informação suficiente para decidir que espécies podem ser caçadas e a que nível? Mesmo que se consiga estabelecer esses níveis, como serão policiados e terão os locais a capacidade de distinguir entre espécies semelhantes, onde uma pode ser caçada e outra não?", questiona ele.

"A ideia é muito bonita na teoria mas se implementada pode abrir as comportas para uma caça generalizada", conclui Evans. 

 

 

Saber mais:

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