2008-09-16

Subject: A formiga de Marte

 

A formiga de Marte

 

 

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Martialis heurekaÉ tão nova e tão bizarra que o naturalista E. O. Wilson a apelidou de "a formiga de Marte".

A formiga Martialis heureka, nativa do Amazonas brasileiro, é o membro fundador de uma nova subfamília de formigas. Acrescenta um novo ramo à árvore filogenética das formigas, que se separou dos restantes muito cedo na evolução destes insectos.

"Pode representar uma espécie relíquia que manteve algumas das características morfológicas ancestrais", diz o seu descobridor Christian Rabeling, estudante de graduação em biologia integrativa na Universidade do Texas em Austin. O seu trabalho foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos.

As formigas evoluíram a partir das vespas, logo os cientistas há muito que assumiram que qualquer ancestral vivo dessas espécies seria semelhante a uma vespa, algo semelhante a um fóssil de formiga do Cretácico, descoberto na década de 60. Mas a Martialis espantou os entomologistas ao ter um aspecto totalmente diferente.

A formiga tem uma coloração amarela pálida e não tem olhos, o que indica que tem hábitos subterrâneos. Tem peças bocais longas e delicadas, que os cientistas especulam sejam usadas para mastigar invertebrados moles. Comparadas com as fortes patas dianteiras, os dois pares posteriores são finos e desengonçados. "Não parece capaz de andar sequer", diz Brian Fisher, um perito em formigas e curador de entomologia na Academia de Ciências em São Francisco.

Mas anda, tanto que se atravessou no caminho de Rabeling. Ele estava a escavar em busca de outras formigas menos emocionantes na altura mas notou que esta era estranha e tinha surgido no interior do recipiente. Mais tarde descobriu que não aparecia no guia de identificação e análise genética confirmou que não se encaixava em nenhuma categoria taxonómica conhecida de formigas.

A nova subfamília, Martialinae, é um grupo irmão de todas as restantes formigas. Tal como o ornitorrinco para os mamíferos, é claramente prima das outras formigas mas uma versão ancestral estranha que parece ter seguido o seu caminho evolutivo desde muito cedo.

 

Christian Rabeling, University of TexasMartialis "impede-nos de continuar com as nossas concepções familiares", diz Stefan Cover, assistente de curador de Wilson no Museu de Zoologia Comparativa da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts. "É uma lição que provavelmente devíamos importar para estudos de outros grupos."

A única representante dos Martialinae reside actualmente no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, Brasil. Rabeling tenciona regressar ao local original e procurar outros espécimes.

Nos nove anos que ele e outros visitaram o local, a formiga Martialis apenas foi observada duas vezes (os espécimes foram perdidos da primeira vez, o que atrasou a sua identificação em cinco anos), logo ele assume que seja bastante rara.

Mas a vantagem é que as formigas são animais sociais, logo se ele conseguir detectar uma, talvez a consiga seguir até ao formigueiro e recolher algumas das suas irmãs. 

 

 

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