2008-09-12

Subject: Clima de África relacionado com o hemisfério norte

 

Clima de África relacionado com o hemisfério norte

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

O clima africano pode ser influenciado por alterações oceânicas ocorridas muito longe no hemisfério norte.

Uma investigação publicada esta semana na revista Science apoia a noção de que a seca em algumas zonas de África é desencadeada por uma espécie de telecomunicação climática.

Jessica Tierney, paleoclimatóloga na Universidade Brown em Providence, Rhode Island, reconstruiu as variações de precipitação e temperatura durante os últimos 60 mil anos a partir de sedimentos retirados do lago Tanganica, o segundo maior lago de água doce do mundo, no sudeste africano.

Ao analisar as diferentes formas de hidrogénio encontradas nas ceras das folhas no sedimento, a equipa reconstruiu a precipitação da região com um rigor sem precedentes.

A precipitação e a temperatura na bacia do lago variaram muito, descobriu ela. Ainda mais surpreendente, no entanto, é que algumas das maiores oscilações coincidiram com períodos frios no Atlântico norte, causados por abrandamentos temporários da Circulação de Retorno do Atlântico Meridional (CRAM), que distribui calor através do Atlântico.

A ligação tem implicações para o papel climático da Zona Intertropical de Convergência (ZITC), uma cintura de baixas pressões que se estende em redor do equador e gera nuvens e chuva tropicais. 

Anteriormente os climatólogos pensavam que a ZITC se deslocava para norte, tornando o hemisfério sul mais seco mas os sedimentos do lago revelam que as alterações na ZITC nem sempre têm este efeito na bacia do Tanganica. Por vezes, a precipitação era a oposta do que se esperaria pela posição da ZITC. "Algo mais afecta a humidade em África", diz Tierney. "Nós é que não sabemos exactamente o que é."

Explicações alternativas para as variações de precipitação em África inovaram os chamados eventos Heinrich, onde uma massa de icebergues se quebra de glaciares no Atlântico norte, arrefecendo o oceano e por vezes reduzindo fortemente a precipitação. Mas algumas vezes não.

Pode ser que apenas os episódios de arrefecimento mais fortes no Atlântico norte, os que ocorreram entre os 17 e os 37 mil anos, tenham influenciado os trópicos do sul, diz Tierney. Alterações na temperatura do oceano Índico e nas monções indianas podem também afectar a precipitação na bacia do Tanganica.

 

Nenhuma das explicações tem provas firmes mas muitos climatólogos já pensam que as alterações na ZITC não podem ser a principal explicação para o clima africano. "Torna-se cada vez mais aparente que há algo errado com esta teoria", diz Stefan Mulitza, paleo-oceanógrafo na Universidade de Bremen.

"Muito sugere que os eventos de arrefecimento oceânico no hemisfério norte desempenham um papel dominante nas alterações climáticas abruptas em África", diz Mulitza. "Mas não há uma opinião predominante ainda sobre a forma como a relação age."

Isto só torna tudo mais importante, acrescenta ele, para melhorar os modelos climáticos, que têm um desempenho fraco em África. Oito das dezoito simulações que o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) usou para a sua última avaliação não conseguiram captar a monção da África ocidental, por exemplo.

Também existem cada vez mais evidências de que as reduções na circulação Atlântica desencadeiam períodos secos no Sahel, na região africana a sul do Sahara.

Essas alterações podem ter contribuído para a seca na zona, que durou desde final da década de 60 até ao final da década de 80, que matou perto de um milhão de pessoas. A origem da seca tem sido tradicionalmente considerada a má gestão das terras e o excesso de pastagem.

As previsões de precipitação em África variam fortemente de modelo para modelo climático, desde muito mais humidade e muito mais seca. O comportamento da circulação atlântica, que muitos acreditam irá enfraquecer com o aquecimento global, pode ser um factor decisivo, diz Mulitza. 

 

 

Saber mais:

IPCC

Lago Tanganica

Marum

Alterações na precipitação associadas às actividades humanas

Destruição da natureza aumenta as dificuldades dos mais pobres

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2008


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com