2008-09-10

Subject: Florestas antigas capturam mais carbono

 

Florestas antigas capturam mais carbono

 

 

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As florestas antigas continuam a acumular carbono a uma taxa muito superior à que os investigadores tinham considerado anteriormente, o que as torna mais importantes como sumidouros de carbono que têm que ser considerados em modelos climáticos globais, dizem os investigadores.

Até recentemente era assumido que as florestas muito antigas já não absorviam carbono. O único crescimento novo ocorre em pequenas zonas que abrem quando árvores grandes morrem e se decompõem, libertando o seu carbono. As florestas, de modo geral, eram portanto consideradas neutras relativamente ao carbono e têm assim sido incluídas nos modelos climáticos.

Na passada década, mais ou menos, murmúrios de desacordo com esta ideia têm vindo a aumentar e projectos individuais têm descoberto que mesmo as florestas muito antigas são capazes de armazenar carbono graças ao crescimento das árvores, à adição de novas árvores e ao aumento da taxa respiratória das árvores velhas.

Desde meados da década de 90, projectos de recolha de dados mais sofisticados mediram os fluxos de carbono e florestas de todo o mundo. Em particular, dados partilhados entre membros da FLUXNET, uma rede global de torres de observação que medem as trocas de dióxido de carbono, vapor de água e energia entre os ecossistemas e a atmosfera.

Agora, Sebastiaan Luyssaert, da Universidade de Antuérpia, tirou partido de todos estes novos dados para produzir a meta-análise dos estudos que analisaram 519 lotes de florestas temperadas e boreais com 15 a 800 anos de idade. 

A sua conclusão, publicada na última edição da Nature, é que as florestas antigas estão, de modo geral, a absorver carbono. As florestas boreais e temperadas, que formam 15% das florestas mundiais, sequestram cerca de 1,3 gigatoneladas de carbono por ano. Isso representa cerca de 10% da produtividade global dos ecossistemas, que antes estava a ser atribuído a outros locais.

 

A conclusão faz sentido, segundo Susan Ustin, uma ecologista vegetal na Universidade da Califórnia, Davis. Quando se determina a idade de uma árvore, conta-se os seus anéis. Cada um desses anéis representa a transformação do carbono atmosférico em tecido vivo. 

Em cada ano, a morte e decomposição de raízes ou ramos pode ultrapassar a quantidade de carbono sequestrado no tronco mas ao longo do tempo qualquer tipo de crescimento significativo tem que envolver absorção de carbono positiva. "Se são neutras em relação ao carbono aos 400 anos de idade, como poderão alcançar os 1000 nos? Se fossem mesmo neutras em carbono as árvores morriam."

Inverter a velha ideia de que as florestas maduras são neutras em carbono pode ser trabalho para mais de um trabalho e este não é certamente o primeiro a propor que continuam a absorver gases de efeito de estufa mas Luyssaert espera que esta análise ajude. "Desafiar o dogma não é novo mas os dados que têm sido usados eram mais limitados."

As implicações são muitas. Os cientistas que estão a assumir que as florestas antigas são neutras em carbono podem estar a sobrestimar a sequestração noutros ecossistemas. Os modelos climáticos podem ter que ser reexaminados e as políticas têm que passar a incorporar a protecção das florestas antigas.

Pode ser muito bonito plantar uma nova árvore mas este acto poderá não ser tão bom como manter uma árvore antiga longe do machado: "provavelmente durante duzentos anos, até que a árvore nova seja suficientemente grande para manter a mesma quantidade de carbono que as velhas", diz Ustin.

 

 

Saber mais:

FLUXNET

Gestão florestal aumenta as emissões de dióxido de carbono

Escaravelhos libertam mais carbono que fogos

 

 

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